O apresentador Luiz Bacci publicou ao menos quatro vídeos no último mês em que critica o Banco Central (BC), defende o Master e questiona a decisão que levou à liquidez da instituição controlada por Daniel Vorcaro. Neste sábado, 10, ele, que é contratado do SBT, reforçou seu posicionamento referente à autarquia.
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Uma série de comunicadores embarcou numa campanha de descredibilização do BC. Nos últimos dias, o vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), e a analista política Julie Milk, que integra o time de apresentadoras do Oeste com Elas, denunciaram terem recebido propostas de agências de comunicação para a produção de conteúdo crítico à autarquia federal.
Em 18 de dezembro, Bacci repercutiu a notícia de que o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus, relator do caso Master na Corte, pediu explicações ao BC sobre o que julgou serem indícios de precipitação na liquidação do Master.
Seria o primeiro de quatro vídeos veiculados em sua conta do Instagram em que ele levanta suspeição sobre a lisura do processo e sugere um complô para prejudicar o banco de Vorcaro. Bacci tem 24,1 milhões de seguidores na rede social.
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“Ninguém conseguiu engolir algo como uma fraude bilionária onde não apareceu nenhum cliente sequer reclamando, dizendo que o Banco Master está devendo para ele”, diz o jornalista, na postagem de 18 de dezembro. “Como alguém consegue fazer uma fraude bilionário estando sujeito às regras do Banco Central? Quem teve interesse de liquidar um banco de uma hora para outra? Quem teve interesse de, no dia para a noite, simplesmente liquidar um banco? Há suspeita de uma manobra política de algum grupo financeiro, político, para desestabilizar o Banco Master.”
Bacci acusa BC de liquidar o Master “na surdina”
Onze dias depois, em 29 de dezembro, o apresentador publicou outro vídeo em que diz que a liquidação foi feita “na surdina, na calada da noite”. Ao contrário do que ele diz, análise do caso pelo BC durou mais de cinco meses e a decisão da liquidação foi comunicada logo que foi decretada.
“E essa série de escândalos envolvendo o Banco Central? O que que é isso?”, indagou o funcionário do SBT. “Um escândalo sem precedentes que envolve a liquidação na surdina, na calada da noite, que envolve o Banco Master. Pelo que estou entendendo estão suspeitando que tem mutreta na tal liquidação do Banco Master. Se o TCU deu 72 horas para o Banco Central se manifestar, por que está calado? Por que um monte de pergunta sem resposta? Tem medo do quê?”
Na mesma publicação, Bacci sugere contaminação política pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse sentido, o apresentador coloca suspeição, sem provas, na definição da taxa básica de juros da economia, a Selic, que é definida pelo Conselho de Política Monetária do BC.
“Ora, o Banco Central é uma instituição de muita credibilidade. A gente quer acreditar que é um órgão regulador idôneo”, prosseguiu o comunicador. “O presidente foi escolhido pelo Lula. Como é que pode estar no alvo de tanto escândalo? Daqui a pouco a população brasileira vai desconfiar, e com toda a razão, se a taxa de juros altíssima, que não para de bater recorde, é honesta, se está sendo definida de maneira transparente. Já já o povo brasileiro vai começar a achar que tem mutreta também”, disse ele.
Outros vídeos
O terceiro vídeo, publicado em 1º de janeiro, replica os argumentos dados por Vorcaro para se defender das acusações, em depoimento à Polícia Federal (PF). Bacci afirmou que, segundo uma fonte, “Vorcaro foi enfático, negou qualquer tipo de irregularidade, afirmou que não houve fraude, e que os fatos divulgados até agora estão distorcidos e apresentados fora de contexto”. Ainda segundo o apresentador, o banqueiro declarou que “todas as operações do Master foram conduzidas de acordo com as regras”.
Na sequência, ele levanta dúvidas sobre o fato de, segundo uma reportagem citada por Bacci, a PF ter prendido Vorcaro 42 minutos depois de ele comunicar a venda do Master para um fundo. A medida, conforme o banqueiro, injetaria R$ 3 bilhões e resolveria o problema de liquidez do banco.
O curto período de tempo entre os acontecimentos, segundo integrantes do governo relataram, se deu em razão da suspeita de que a proposta se trataria de uma “bomba de fumaça” para que o banqueiro ganhasse tempo para fugir do país. Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, quando se preparava para viajar para Dubai. Segundo sua defesa, tratava-se de uma viagem de negócios.
Toda a linha do tempo do processo que levou à liquidação extrajudicial do Master, em 18 de novembro, foi apresentada, por exemplo, na documentação que está com o TCU.
Em 5 de janeiro, por fim, Bacci abre outro vídeo criticando a razão “dessa histeria toda contra a abertura da caixa-preta do Banco Central”. Ele diz haver a instituição compromete sua credibilidade ao “evitar a fiscalização” e gera um “ambiente de desconfiança”.
“O TCU não está fazendo uma devassa. Ele está fazendo a única coisa que resta de digno neste país, acendendo a luz”, disse o jornalista. “É justamente por isso que as baratas estão correndo pelos corredores. É a maior confissão de culpa, que não querem que você veja.”
Campanha difamatória
A campanha difamatória contra o BC trouxe à tona acusações, defesas e uma variedade de agências e comunicadores envolvidos no escândalo. O caso começou a ser exposto a partir de um vídeo publicado por Rony Gabriel, que diz ter recebido uma proposta intitulada “projeto DV”, as iniciais de Daniel Vorcaro, para publicar conteúdo em defesa da instituição.
Instituições e autoridades envolvidas com a liquidação do Banco Master sofreram uma série de ataques nas redes sociais pouco antes da virada do ano, segundo monitoramento da Federação Brasileira de Bancos. Diversos perfis publicaram os ataques nos últimos dias.
Apesar de diferenças na maneira do pronunciamento nos vídeos, as postagens apresentam elementos em comum. Todos os influenciadores publicaram conteúdos no final de dezembro, tendo como referência o mesmo conteúdo, que seria uma possível revisão da liquidação do Master.
Outra semelhança é que, embora adaptado ao estilo de cada perfil, o discurso compartilhado nas redes sociais sugere desconfiança sobre a atuação dos órgãos reguladores e questiona a “rapidez” da decisão — que, na verdade, durou mais de cinco meses. Em nenhum dos casos, as publicações foram identificadas como publicidade.
Leia também: “Anatomia de uma fraude”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 301 da Revista Oeste
Revista Oeste, com informações da Agência Estado
CorruPTista bandidinho!
Dinheirinho fácil para as constantes viagens aos EUA!!! Para fazer o que mesmo? Hummmm………Dá nojo esse tipo de conduta; totalmente venal!!!
Não tem credibilidade nem histórico para este rompante. Pode opinar sim, mas, sem estrelismos