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Penduricalhos revelam 'grave crise moral' no Judiciário, diz jornal

Editorial da Gazeta do Povo critica decisão do STF que validou supersalários acima do teto constitucional

Penduricalhos são benefícios extras que podem ultrapassar o teto constitucional | Foto: Reprodução/Freepik
Penduricalhos são benefícios extras que podem ultrapassar o teto constitucional | Foto: Reprodução/Freepik

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A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir o pagamento de "penduricalhos" a membros do Judiciário e do Ministério Público acima do teto constitucional é vista como uma "grave crise moral" pelas instituições, segundo editorial da Gazeta do Povo. O jornal destaca que 83% da população é contrária a esses supersalários, que já levam a remunerações médias de magistrados acima de R$ 46 mil, com casos de juízes recebendo mais de R$ 400 mil em um mês.

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de validar o pagamento de “penduricalhos” a integrantes do Judiciário e do Ministério Público acima do teto constitucional expõe uma “grave crise moral” nas instituições. Essa é a avaliação da Gazeta do Povo, em editorial publicado na quinta-feira 16.

O jornal afirma que a reação negativa da população aos supersalários vai além do impacto financeiro e decorre da percepção de que carreiras encarregadas de zelar pela Constituição encontraram formas de contornar justamente um dos seus dispositivos. A publicação cita pesquisa Datafolha segundo a qual 83% dos brasileiros são contrários aos pagamentos acima do teto constitucional.

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O texto lembra que, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a remuneração média dos magistrados brasileiros já supera o teto, atualmente em cerca de R$ 46 mil, e destaca casos de juízes que receberam mais de R$ 400 mil em um único mês graças ao pagamento de verbas retroativas. Também menciona que, em diversos Estados, há magistrados que recebem acima de R$ 100 mil por vários meses consecutivos.

Problema com penduricalhos começa na estrutura de carreiras do Judiciário, diz Gazeta

Salários iniciais da magistratura e do MP já se aproximam do teto constitucional | Foto: Divulgação/Canva

Na avaliação da Gazeta, a distorção começa na própria estrutura das carreiras da magistratura e do Ministério Público, cujos salários iniciais já se aproximam do teto constitucional.

Para o jornal, isso reduz o espaço para progressão remuneratória e incentiva a criação de mecanismos para ampliar os rendimentos por meio de verbas classificadas como indenizatórias, mesmo quando elas remuneram acúmulo de trabalho.

Também é indagado se é moralmente coerente que o próprio Judiciário, por meio do Conselho Nacional de Justiça, estabeleça regras que permitam esses pagamentos. Para o jornal, essa lógica enfraquece a autoridade das instituições encarregadas de fiscalizar o uso do dinheiro público e de garantir o cumprimento da Constituição.

Ao final, o texto afirma que o problema deixou de ser apenas orçamentário e passou a atingir a credibilidade do sistema de Justiça. Na avaliação do jornal, a confiança da sociedade só será recuperada quando magistrados e membros do Ministério Público voltarem a ser vistos como exemplo de respeito às regras que aplicam aos demais cidadãos.

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