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7 de outubro: ataque deu início ao colapso do Hamas

Grupo terrorista se transformou em uma rede subterrânea de insurgência sem perspectiva de reconstruir o poder

Hamas IDF Israel Faixa de Gaza
Soldados de Israel desmantelaram quase toda a infraestrutura do Hamas | Foto: Reprodução/site IDF

A declaração de fonte sênior do Hamas, de que 80% da Faixa de Gaza está fora do controle do Hamas e cerca de 95% dos líderes já foram mortos é reveladora. O ataque de 7 de outubro de 2023 provocou um choque imediato para Israel e ampliou o foco internacional sobre o conflito.

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Mas os custos humanos, territoriais e organizacionais foram imensos. Em termos práticos, o Hamas saiu muito enfraquecido. Para o grupo terrorista, a estratégia foi um fracasso.

Neste momento, a organização terrorista está esfacelada. Sem infraestrutura unificada de comando, sem controle efetivo da Faixa de Gaza e sem respaldo popular relevante. O território que o grupo governava está em ruínas.

O Hamas se transformou em uma rede subterrânea de insurgência sem perspectiva de reconstruir o poder, conforme informa o The Washington Post.

Relatos deste renomado jornal norte-americano, somados a análises de centros especializados como o Middle East Institute e o International Crisis Group, mostram que o Hamas se encontra hoje desarticulado, financeiramente asfixiado e incapaz de exercer qualquer forma estruturada de governo.

Além de perder controle administrativo, o grupo teve esfaceladas suas receitas e está politicamente isolado, inclusive entre parte significativa da população local.

A crise é reconhecida por analistas como Yezid Sayigh, do Carnegie Middle East Center, que afirmou que o ataque de outubro foi um “erro de cálculo estratégico” que resultou em “um colapso funcional do Hamas como entidade governante”.

A avaliação é corroborada por documentos de inteligência israelense e análises do Post, que expõem uma organização fragmentada e sem capacidade de recomposição a curto prazo.

De acordo com o jornal norte-americano, o grupo enfrenta hoje uma “crise financeira e administrativa profunda”, com cortes de salários, paralisação de serviços e revolta entre seus próprios quadros. A população, já devastada por meses de bombardeios e escassez, enfrenta insegurança alimentar extrema e se distancia de qualquer liderança política.

Mesmo com a visibilidade internacional da causa palestina e o aumento das pressões sobre Israel, os resultados concretos da ofensiva de outubro foram desastrosos para o Hamas.

A Faixa de Gaza está em ruínas, com infraestrutura destruída, milhares de mortos e 1,9 milhão de deslocados. A resistência simbólica custou a destruição quase total de sua base física e política.

“A rede subterrânea de túneis foi destruída, os centros de comando e controle foram obliterados, e as instalações de treinamento e ocultação foram eliminadas”, ressalta Sever Plocker, no Ynet.

Hamas tinha expectativa de escalar o conflito

No início do conflito, os dirigentes do Hamas imaginaram uma escalada, em que o Irã, auxiliado pelo Hezbollah, lideraria uma ofensiva capaz de promover a derrocada de Israel. O que ocorreu foi o contrário.

Leia mais: “Hamas rejeita ajuda humanitária controlada por Israel e EUA”

Israel conteve militarmente o Hezbollah com uma campanha aérea sobre o sul do Líbano, quando destruiu centros de comando, depósitos de armas e posições estratégicas do grupo. A ameaça de invasão terrestre total, somada à pressão internacional e ao desgaste interno no Líbano, forçou o Hezbollah a recuar e limitar suas ações.

Contra o Irã, Israel primeiro realizou retaliações a ataques pontuais, entre abril e outubro de 2024, que enfraqueceram militarmente o país persa. Entre 12 e 23 de junho de 2025, lançou uma ofensiva direta, a chamada Guerra dos 12 Dias.

Bombardeou alvos estratégicos dentro do território iraniano, entre os quais instalações nucleares, centros de comando da Guarda Revolucionária e bases ligadas ao programa de drones e mísseis.

Essas ações, combinadas com sabotagens e ataques cibernéticos, reduziram a capacidade operacional do Irã e forçou Teerã a recuar.

“Israel desmontou o chamado ‘eixo da resistência’, ou ‘eixo do mal’: o Hezbollah recuou, a Síria mudou de postura e o Irã aprendeu a se conter”, prosseguiu Plocker. “Não há mais aliados dispostos a lutar ao lado do Hamas, e até mesmo os militantes do próprio Hamas deixaram de combater.”

Por mais que tente resistir, o grupo perdeu grande parte de sua estrutura militar organizada, com cerca de 20 mil combatentes eliminados. Migrou para uma configuração formada por células insurgentes dispersas.

Mesmo assim, ainda mantém cerca de 50 reféns de Israel sob controle. Apenas por esse instrumento de barganha, o grupo ainda respira. Também por isso, as negociações pela libertação dos sequestrados têm sido tão difíceis e delicadas.

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