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A barbaridade tratada como problema ‘cultural’

Países que têm medo de defender os seus valores acabam não merecendo a liberdade que querem ter
Foto: Divulgação/Twitter
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J.R. Guzzo

Publicado no jornal O Estado de S.Paulo, em 1º de novembro de 2020

governo francês
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A França está colhendo o que plantou em matéria de terrorismo. Não é, naturalmente, a única nação da Europa que sofre com os assassinatos cometidos por delinquentes que são apresentados ao público como “muçulmanos fanáticos”. Mas é a que mais está sofrendo – e caiu nessa situação em consequência direta da opção que seu governo e suas elites tomaram diante da barbaridade imposta aos franceses. As forças políticas e sociais que mandam na França decidiram tratar esses horrores como um problema “cultural” – uma inconveniência que vem “da história”, como resultado natural das injustiças que os muçulmanos sofreram no tempo das Cruzadas, 900 anos atrás, ou das épocas em que foram “colonizados”, ou em outros episódios do passado remoto. Por conta disso, têm de ser vistos com “compreensão”, dentro de uma “perspectiva histórica ampla”, quando degolam senhoras que tinham ido rezar na igreja, ou professores à saída das aulas. Querem parecer civilizadas; acabam sendo apenas covardes, e convidando outros homicidas a fazerem a mesma coisa.

Os assassinos não são tratados com delicadeza e muito menos são soltos pelo ministro Marco Aurélio lá deles: ao contrário, em geral levam chumbo grosso da polícia logo no primeiro minuto de confronto e, se são presos, não têm direito à proteção do ministro Fachin para as suas visitas íntimas; aliás, não há visitas íntimas. Não se trata de impunidade, portanto. O veneno está na atitude básica diante do horror – as autoridades, do presidente da República para baixo, a maior parte da mídia e mais muita gente boa estão certas de que a chave mestra para desfazer a calamidade é o diálogo, o entendimento das teologias não cristãs, o conhecimento do Corão, a aceitação da “diversidade” e, no fim das contas, a expiação de pecados cometidos séculos atrás.

A imensa maioria dos muçulmanos, na verdade, não está sentindo falta de nada disso; não quer pedidos de desculpas, nem se acha vítima, nem cobra o acerto de contas incorridas no ano de 1095. Quem usa tudo isso como argumento para matar pessoas indefesas (eles nunca atacam quem pode se defender) são marginais, desajustados mentais e sociopatas que têm prazer em derramar sangue – e inventam motivos religiosos e políticos para fazer isso. Quando matam a velhinha na igreja, não estão sendo “islâmicos”, como acha Macron; estão sendo apenas criminosos. O “islamismo” não tem nada a ver com isso. O que tem tudo a ver, isso sim, é a atitude de aceitar agressões estúpidas à vida e à liberdade de pensamento em nome de uma sociedade “plural”.

Os criminosos não querem saber de pluralidade nenhuma. Exigem o Islã e as mesquitas, apenas; são eles que não admitem a liberdade de religião e as igrejas cristãs. Não é “a direita”, como supõem o governo francês e a esquerda mundial, que “sataniza” os muçulmanos; são os extremistas que se declaram como inimigos abertos da França, das suas leis e dos seus valores nacionais. É um despropósito. Eles são imigrantes, que estão lá por tolerância do governo e da população; deveriam estar agradecidos pela acolhida, e não revoltados contra quem os recebeu. Seria como se a França, durante a última guerra, adotasse um programa de imigração para os invasores nazistas. Vamos trazer os inimigos para casa; viva a diversidade.

O governo francês diz que está sendo democrático. Conversa. Quando manda a polícia expulsar cidadãos sentados à uma mesa de café para cumprir o seu precioso “lockdown” ninguém se lembra de democracia nenhuma. O problema, aqui, se chama covardia. Países que têm medo de defender os seus valores acabam não merecendo a liberdade que querem ter.

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10 comentários

  1. Parabéns! Artigo nota 10!!!
    Agressão gratuita CONTRA indefesos, barbárie, selvageria isto sim!
    Macron um hominho de geléia!!!
    Estes bandidos não querem tolerância, querem o confronto!

  2. Muito bem colocado. Ser generoso e acolhedor é uma coisa. Deixar o acolhido fazer o que quiser e ainda o considerar vítima é outra muito diferente. Esta situação atual da França é pedra cantada que infelizmente está só no início por pura frouxidão.

  3. A preocupação do Mácron é a Amazônia e sua reeleição. Fotos falsas e discursos clichês fazem desse um péssimo presidente. O governo é um trem desgovernado e sua população assiste calada tomando um bom vinho francês com escargot.

  4. Former Prime Minister of Malaysia: ‘Muslims Have a Right to Kill Millions of French People’
    Oct 30, 2020 7:00 pm By Robert Spencer 41 Comments

    My latest in PJ Media:
    After two knife attacks in France this morning by Muslims screaming “Allahu akbar,” the former Prime Minister of Malaysia, Mahathir Mohamad, took to Twitter to declare that “Since you have blamed all Muslims and the Muslims’ religion for what was done by one angry person, the Muslims have a right to punish the French. The boycott cannot compensate the wrongs committed by the French all these years.” Twitter took down another tweet from Mahathir that explained what he thought would actually compensate for those alleged wrongs: “Muslims have a right to be angry and to kill millions of French people for the massacres of the past.”

  5. Eu conheci , em Montpellier, um professor primário originário da Normandia que aprendeu o árabe e leu o corão para melhor entender seus alunos imigrantes árabes. Por que não ensinar a esses alunos os valores do pais escolhido por eles para morar ? Covardia e uma falsa visão política de um completo abrigo pelo estado para todos e de uma igualdade que inexiste .

  6. A França, com o seu “macronzinho”, é um país de m…, que teria sido anexado pela Alemanha nas duas guerras mundiais, não fosse os EUA. Quanto aos fundamentalistas, bom lembrar o ensinamento de Churchill, segundo o qual não se deve conciliar com o crocodilo apenas na esperança de que ele o devore, mas por último. Essa história da imigração – que está sendo gestada também aqui no Brasil, em detrimento da sua própria população pobre – vai redundar cada vez mais num cadinho fervente impossível de ser debelado, sem – infelizmente – uma ação armada radical, isso se houver tempo.

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