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A nova fase da guerra do Irã

Professor Uriel Abulof, da Universidade de Tel-Aviv, analisa as declarações divergentes de Trump e Netanyahu e o atual estágio do conflito

EUA Irã Israel guerra
EUA e Israel vivem uma incerteza em relação à estratégia a partir de agora | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A divergência entre Donald Trump, que afirmou que a guerra estava encerrada, e Benjamin Netanyahu, que contestou a declaração, revela mais do que um choque de retóricas: evidencia uma incerteza real sobre como lidar com o Irã. Com tal visão, Uriel Abulof, professor associado de ciência política na Universidade de Tel-Aviv, na Escola de Ciência Política, Governo e Relações Internacionais, descreve a Oeste esta nova fase da guerra.

Ele não considera que o atual conflito, iniciado em 28 de fevereiro, serve para demonstrar que Israel e os Estados Unidos (EUA), desde junho de 2025, na primeira onda de ataques, subestimaram a resiliência iraniana. Porém, tem deixado claro que ambos atuam mais para infligir impacto imediato e ganhar apoio doméstico do que com uma estratégia consolidada de longo prazo.

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“Há provavelmente divergência; Trump está sob mais pressão para parar, mas não tenho certeza de que ele tenha alguma posição coerente que não possa mudar de um dia para o outro [ou até de hora em hora]”, afirma o professor. Sobre a campanha militar contra o Irã, Abulof explica:

“Como eles não parecem ter uma estratégia substancial, trata-se principalmente de causar muito dano ao regime e torcer para que algo bom saia disso. E pode sair. Na maioria das vezes, acho que eles esperam ganhar apoio doméstico.”

As negociações em Genebra entre EUA e Irã, até o dia do ataque, podem ter sido, em parte, uma forma de ganhar tempo. “Trump queria atacar em meio à grande manifestação, e Netanyahu o persuadiu a não fazê-lo”, ressaltou Abulof. “Acho que isso provavelmente foi um erro. Aquilo poderia ter sido uma chance de ouro para derrubar o regime.”

Ameaças vindas do Irã

O Irã se diferencia de outros atores hostis a Israel por sua dimensão, capacidade militar e determinação ideológica, ressalta o especialista. “Maior, mais capaz, mais ideologicamente determinado”, resume Abulof. Sobre a ameaça nuclear de países como o Paquistão, que contém o dispositivo, ele comenta: “Imagino que sim, mas provavelmente muito menos do que em relação ao Irã. O principal rival do Paquistão é obviamente a Índia.”

Leia mais: “Netanyahu afirma que ofensiva aliada está ‘quebrando os ossos’ do regime iraniano”

Quanto a uma possível operação terrestre no Irã, Abulof pondera: “Não tenho certeza se foi descartada”, afirma o especialista. “Pode ser que queiram garantir controle completo antes de lançá-la, mas isso ainda seria muito arriscado, então, de modo geral, é um pouco menos provável no futuro próximo.”

Olhando adiante, o professor enfatiza que a ameaça persiste enquanto o regime iraniano permanecer no poder: “Enquanto o regime persistir, é uma grande ameaça para seu próprio povo e para a paz, regional e mundial”. E conclui sobre os ataques recentes: “Não eliminam o risco subjacente”. Mesmo se os ataques enfraquecerem o Irã militarmente, na visão dele, a estabilidade regional depende de mudanças estruturais no governo iraniano.

Leia também: “A voz da liberdade”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 309 da Revista Oeste

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