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A origem do nome Leão para os papas

Opção do novo pontífice reforça expectativas de um pontificado longo, firme e simbólico

Papa Leão XIV missa cardeais Vaticano
Papa Leão XIV celebra missa com os cardeais no Vaticano | Foto: Reprodução/Vatican News

O primeiro a utilizar o nome de Leão foi o papa Leão 1°, nascido na Toscana, também conhecido como São Leão Magno, pontífice entre os anos 440 e 461 d.C. A utilização do nome ocorreu porque, em latim, Leo significa leão, animal associado à coragem, autoridade e liderança, necessárias, inclusive naquela época, para o comandante da Igreja Católica.

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Ao ser escolhido papa, o cardeal Robert Francis Prevost Martinez, na quinta-feira 8, adotou o nome de Leão XIV e, com isso, evocou uma tradição papal com raízes antigas. Com a escolha, recolocou o nome Leão na lista de denominações para os papas. A opção reforça expectativas de um pontificado longo, firme e simbólico.

Leão 1º foi o 45º papa da história e ficou conhecido por seu compromisso com a paz. No entanto, precisou de uma grande força mental para lidar com Átila (400 d.c – 453 d.c), rei dos hunos, a quem, em 452 d.c., convenceu a não invadir a Itália.

Além disso, no cristianismo, o leão é também um símbolo de ressurreição e está ligado ao evangelista Marcos. O nome Leão se associa a Marcos em razão de uma antiga tradição cristã que vincula os quatro evangelistas aos quatro seres viventes mencionados nos livros de Ezequiel (1,10) e do Apocalipse (4,7): um homem, um leão, um boi e uma águia.

Essa interpretação foi formulada principalmente por São Jerônimo no século 4 d.c e consolidada ao longo da Idade Média (476 d.c a 1453 d,c) na arte e na teologia do cristianismo. De acordo com tal tradição, Mateus é representado pelo homem (ou anjo), por iniciar seu evangelho com a genealogia de Jesus.

Marcos é simbolizado pelo leão, por que sua história começa com João Batista pregando no deserto — imagem associada nos livros ao rugido do leão e à majestade de Cristo.

Lucas é representado pelo boi, em referência ao sacrifício de Zacarias (pai de João Batista) no templo, presente logo no início de seu relato. João remete à águia, símbolo das altas especulações teológicas de seu evangelho.

Leão símbolo de Veneza

Essa iconografia permanece visível em inúmeras expressões artísticas medievais, como vitrais, relevos e manuscritos iluminados. O leão de São Marcos, em particular, tornou-se símbolo da cidade de Veneza, onde se localiza a basílica dedicada ao evangelista.

Durante a Idade Média, nomes como esse carregavam prestígio entre nobres e guerreiros — exemplo disso é o lendário Ricardo Coração de Leão (1157 d.c – 1199 d.c).

Leia mais: Política na Igreja: como funciona a hierarquia católica

Conheça as realizações dos 13 papas anteriores que carregaram o nome de Leão:

  • Leão I (440–461), chamado “o Grande”, enfrentou Atila com diplomacia e se destacou como um dos primeiros Doutores da Igreja
  • Leão II (682–683) teve um curto pontificado, mas consolidou decisões conciliares e incentivou o canto gregoriano
  • Leão III (795–816) coroou Carlos Magno como imperador, selando a aliança entre o papado e o Império Carolíngio
  • Leão IV (847–855) reconstruiu Roma e ergueu a Muralha Leonina após ataques sarracenos
  • Leão V (903) governou por apenas um mês antes de ser deposto
  • Leão VI (928) teve um papado curto e violento, encerrado por assassinato
  • Leão VII (936–939) mediou conflitos na Itália e fortaleceu a vida monástica
  • Leão VIII (964–965) é figura controversa: considerado antipapa por alguns, mas exerceu poder de fato
  • Leão IX (1049–1054) promoveu reformas e enfrentou a cisão entre as igrejas do Ocidente e do Oriente
  • Leão X (1513–1521), da família Médici, excomungou Lutero e foi criticado por excessos da corte
  • Leão XI (1605) reinou por apenas 26 dias, vítima de problemas de saúde
  • Leão XII (1823–1829) promoveu educação religiosa, mas aplicou políticas rígidas contra minorias
  • Leão XIII (1878–1903) destacou-se por sua encíclica Rerum Novarum, marco da doutrina social da Igreja

Nascido em Chicago em 1955, em uma família operária católica, Prevost é o primeiro papa norte-americano e assume o cargo aos 69 anos, em boas condições de saúde. Ele completará 70 anos no próximo dia 14 de setembro.

Para especialistas, essa combinação de vigor físico e experiência indica um papado potencialmente duradouro — um sinal de continuidade em tempos incertos.

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1 comentário
  1. Otacílio Cordeiro Da Silva
    Otacílio Cordeiro Da Silva

    Na minha opinião, a escolha do novo Papa foi bem pensada. Desta vez, os cardeais prenderam todos os especialistas no banheiro, e apresentaram sozinhos a “Boa Nova”. Surpresa geral. Acordaram a tempo, imagino. Do contrário, teríamos então dois Papas: um Papa fake (Trump), dando as cartas na igreja mais rica da terra, e um Papa verdadeiro, dando as cartas na maior igreja da terra. Do jeito que a coisa ficou agora ficou melhor, mas ainda assim uma recomendação: menos preocupação com as desigualdades sociais, e mais atenção com a desigualdade da fé. É o certo.

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