A maioria dos árabes israelenses considera que relações entre árabes e judeus pioraram depois do ataque terrorista de 7 de outubro de 2023. Pesquisa conduzida pelo Programa Konrad Adenauer para Cooperação Judaico-Árabe, da Universidade de Tel-Aviv, realizada em novembro, revela que 74,6% dos participantes notaram esta piora. Cerca de 2 milhões árabes israelense vivem hoje no país, o que equivale a 21%.
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Quase metade (45,8%) avaliou a deterioração como profunda. O sentimento de pertencimento ao Estado diminuiu para 37,5%. Quanto ao futuro do conflito, menos da metade (47,3%) vê a solução de dois Estados como saída, 14% defendem um Estado único e 21% não enxergam solução.
A identidade árabe permanece como principal marcador pessoal. Ela foi citada por 35,9%, seguida pela cidadania israelense (31,7%), com religião e identidade palestina completando o quadro.
A população vive uma cidadania ambivalente, buscando direitos e segurança sem abrir mão da identidade árabe ou palestina. A sensação de insegurança chega a níveis alarmantes: 76,6% se sentem vulneráveis e, para eles, a violência pesa mais que a guerra, Gaza ou dificuldades econômicas. Ainda assim, 73,4% relatam boa situação financeira, o maior índice desde o início da guerra contra os terroristas do Hamas.
Apesar disso, 64,6% ainda acreditam na cooperação político-social entre árabes e judeus, embora apenas 44,7% considerem que os judeus compartilham essa visão. Os dados também mostraram que 75% da população de árabes em Israel apoia a participação de um partido árabe em um governo de coalizão. Isso reflete uma mudança de postura depois da guerra e a incursão israelense iniciada em 7 de outubro.
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Nessa configuração, partidos como o Hadash-Ta’al e o Ra’am superariam a cláusula de barreira, enquanto o Balad ficaria de fora do Knesset (Parlamento). Se a antiga Lista Conjunta fosse recriada, a adesão subiria para 61,8%, e o bloco poderia conquistar até 15 cadeiras.
A participação eleitoral dos árabes seria de 52,4%, segundo a pesquisa, em uma futura eleição em Israel, prevista para o fim deste ano. Mas a questão política ficou em segundo plano, de acordo com o levantamento, o que surpreendeu os pesquisadores.
A violência foi considerada a principal preocupação, destacada por 74% dos entrevistados como prioridade máxima. A questão palestina e entraves urbanos aparecem bem atrás.
Para Karina Calandrin, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo e colaboradora do Instituto Brasil-Israel, o apoio à entrada de partidos árabes na coalizão não reflete adesão acrítica ao sistema.
Os números, para ela, significam uma avaliação concreta da realidade vivida pela população árabe em Israel. Ela destaca que, para muitos, estar na oposição não resolve problemas de segurança, infraestrutura ou combate ao crime organizado.
Karina contextualiza a motivação prática da participação política: “Para uma parcela expressiva da população árabe israelense, participar da coalizão é menos sobre ‘legitimar o governo’ e mais sobre conseguir entregar resultados concretos para suas comunidades.”
Árabes e a direita em Israel
Sobre a percepção da resistência de parte da população judaica, mais à direita, Karina ressalta a Oeste: “A própria pesquisa mostra que os árabes percebem uma resistência significativa da população judia à cooperação árabe-judaica”.
Essa percepção, como consequência, também tira o estímulo de adeptos do Likud a aceitarem este tipo de coalizão. “Isso limita o incentivo eleitoral para que o Likud dê esse passo.”
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Karina explica também os limites institucionais e políticos para que partidos árabes participem da coalizão. Mesmo com o governo de direita, o apoio árabe ainda é possível se houver ganhos concretos, mas o principal obstáculo, segundo a professora, está na reticência de israelenses de direita em confiar em parte da população árabe.
“O Likud hoje governa, ou tenta governar, apoiado em partidos ultranacionalistas e religiosos que não aceitam a legitimidade política dos partidos árabes como parceiros de coalizão”, observa ela. “Para incluir um partido árabe, o Likud teria que pressionar, ou até romper, essa base, o que tem um custo político muito alto.”
INFELISMENTE PREVISÍVEL….