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Argentina apresenta plano para estimular consumo com reservas em dólar

Medida elimina barreiras legais para movimentar divisas informais

Javier Milei fez mudanças significativas na Argentina, com o objetivo de tirar o peso do Estado de cima da população | Foto: Reprodução/Twitter/X/@Pascal_Beuvelet
Javier Milei fez mudanças significativas na Argentina, com o objetivo de tirar o peso do Estado de cima da população | Foto: Reprodução/Twitter/X/@Pascal_Beuvelet

O governo da Argentina anunciou nesta quinta-feira, 22, um conjunto de medidas voltadas à flexibilização do uso de dólares mantidos por cidadãos fora do sistema financeiro formal, os chamados “dólares de colchão”.

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A proposta, segundo o porta-voz presidencial Manuel Adorni e o ministro da Economia, Luis Caputo, visa a facilitar o aproveitamento desses recursos para o consumo de bens duráveis, como imóveis e automóveis, sem impor sanções automáticas ou exigências excessivas de comprovação.

O novo esquema será apresentado por meio de um decreto do Poder Executivo, que será acompanhado por um projeto de lei submetido ao Congresso Nacional. De acordo com as autoridades, o plano busca incorporar à economia formal parte significativa das reservas em moeda estrangeira que circulam paralelamente ao sistema bancário tradicional.

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Apesar disso, o governo insiste que a medida não constitui um “blanqueo” — termo usado na Argentina para descrever anistias fiscais convencionais. “Não é um blanqueo”, afirmou Caputo, que acrescentou que o novo modelo representa “o início de um novo regime”.

Entre as ações previstas, está a simplificação de controles bancários e fiscais, com possíveis modificações no Imposto de Renda e na atuação da Agência Federal de Ingressos Públicos (Arca), órgão responsável por fiscalização e arrecadação. O objetivo, segundo o governo, é diminuir a burocracia e permitir transações mais ágeis.

Argentina articula novo modelo com apoio de órgãos de controle

Participaram do desenho técnico da proposta, além do Arca, a Unidade de Informação Financeira, responsável pela prevenção à lavagem de dinheiro, e o Banco Central da República Argentina. As alterações pretendem ajustar os critérios com que esses órgãos operam, principalmente no que diz respeito ao compartilhamento de informações e à carga regulatória.

Caputo fez duras críticas ao sistema vigente. Segundo ele, o atual excesso de normas e impostos tem incentivado a informalidade. “Argentina regulou para a exceção”, avaliou. “Assume que 99,9% dos argentinos são delinquentes, enlouquece todo mundo, e isso faz com que as pessoas fujam da formalidade.”

Para ele, parte da solução está na reorganização das competências de cada ente estatal. “Este esquema aponta a ganhar formalidade”, disse. “Que cada ente regule o que lhe corresponde, não que todos querem passar informação ao Arca, todos pedem o mesmo. Não tem nenhuma lógica nem sentido. E, além disso, o mais importante, é que não funcionou.”

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Dólares em circulação | Foto: Reprodução/Gerd Altmann/Pixabay

No aspecto jurídico, o governo afirmou estar atento à necessidade de respeitar os padrões internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro. Segundo o ministro da Justiça, Mariano Cúneo Libarona, o objetivo é garantir que o novo regime “seja legítimo e não contrarie as leis internacionais”.

A preocupação com o enquadramento legal tem como pano de fundo a intenção do país de manter boas relações com organismos internacionais de crédito e não comprometer o acesso da Argentina a fontes de financiamento externo. Com a proposta, o governo busca, ao mesmo tempo, aliviar a pressão sobre o mercado de câmbio e incentivar o consumo interno.

Leia também: “Ligações cabulosas”, reportagem de Silvio Navarro publicada na Edição 158 da Revista Oeste

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