‘Apresentando os Ricardos’ mostra bastidores da TV nos anos 1950

O filme mistura crises de épocas diferentes que ameaçaram a série I Love Lucy numa mesma semana de 1952
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Foto: divulgação Amazon
Foto: divulgação Amazon

Filme
Apresentando os Ricardos (Amazon)

I Love Lucy foi um fenômeno da TV — uma comédia assistida por 60 milhões de espectadores só nos EUA entre 1951 e 1957. Foi um fenômeno global quando a televisão estava ainda no berço. A sitcom, muito simples, retratava a vida de um casal, Ricky Ricardo e Lucy e seus vizinhos, Fred e Ethel.

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Lucille Ball, Desi Arnaz e o filho em 1956. Capa: reprodução revista Look

Lucy e Ricky eram interpretados por um casal na vida real, Lucille Ball e Desi Arnaz. Lucille havia fracassado como atriz de dramas em Hollywood mas alcançou sua fama na televisão. Desi era um músico cubano que se naturalizou americano mas nunca perdeu o sotaque. Os dois tinham um relacionamento complicado, mas trabalhavam muito bem em parceria. A empresa dos dois — a Desilu — acabou produzindo alguns dos clássicos entre as séries americanas, como Mission Impossible e Star Trek.

Aaron Sorkin é um dos melhores roteiristas de Hollywood nas últimas décadas (é dele o script de Redes Sociais). Ao escrever Being the Ricardos, Sorkin praticou uma série de liberdades com a história real de Lucy e Desi. Mas isso não tornou o filme menos verdadeiro, aprovado até pela filha do casal, Lucie. Foi esperto ao focar numa semana em que ocorreu uma “tempestade perfeita” na vida dos dois. É a semana em que foi gravado o episódio “Fred and Ethel Fight”, no final de janeiro de 1952. Na verdade, os três eventos não aconteceram ao mesmo tempo, mas o truque funciona em termos dramáticos.

Nicole Kidman e Javier Barden (Foto: divulgação Amazon)

Nessa semana, Lucille, que fazia o papel de uma dona de casa ruiva não muito esperta, mas muito engraçada, foi acusada por um radialista de ter se assinado uma ficha de filiação com o Partido Comunista americano. No fim dos anos 1950, com o macarthismo em vigor, ser esquerdista destruía carreiras (e não garantia empregos como hoje). Lucille disse que havia sido uma bobagem para agradar seu avô, mas seu caso foi investigado, o que podia destruir a série. Não havia o termo “cancelar” na época.

Ao mesmo tempo, Lucille fica sabendo pelos jornais que Desi está tendo aventuras fora do casamento – o que ele nega. E como se não bastasse, descobre que está grávida. Uma personagem engravidar numa série não era aceito pelos moralistas códigos da TV da época. Personagens casados podiam dormir no mesmo quarto, mas em camas separadas. 

Lucy, Ethel, Ricky e Fred. (Foto: divulgação CBS)

O filme escrito e dirigido por Aaron Sorkin mostra esta semana em que a série e o casamento dos “Ricardos” poderiam implodir. Ao mesmo tempo, revela os bastidores de I Love Lucy em seus mínimos e tensos detalhes de criação e produção, e tudo se encaixa muito bem. Sorkin havia se dedicado a mostrar os bastidores de um jornal de TV na série Newsroom (HBOMax). A descrição da semana tensa se alterna com flashbacks mostrando como Lucy e Desi se conheceram, como surgiu a ideia para I Love Lucy etc. Neste clipe, eles dançam juntos um dos maiores sucessos de Desi Arnaz, Cuban Pete:

Nos papéis principais, Nicole Kidman e Javier Barden se esforçam, mas não conseguem encarnar a exuberância de Lucille Ball e Desi Arnaz. Segundo o site IMDb, Aaron Sorkin havia pensado originalmente para o papel de Desi um “ator brasileiro”, provavelmente Wagner Moura. Felizmente alguém o avisou que brasileiros não falam como os cubanos. E salvou o filme.

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