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Chefe de gabinete de Zelensky renuncia em meio à operação anticorrupção

Andriy Yermak era considerado peça-chave no governo ucraniano, atuando como principal negociador entre Ucrânia e EUA

ucrânia chefe do gabinete
Sua demissão, anunciada por Zelensky durante pronunciamento na TV, tende a complicar as negociações de paz em curso com Washington | Foto: Divulgação/Presidência da Ucrânia

Depois de ser alvo de uma operação conduzida por órgãos anticorrupção, Andriy Yermak, chefe de gabinete do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apresentou sua renúncia nesta sexta-feira, 28.

A saída ocorre poucas horas depois de buscas realizadas em sua residência por agências especializadas no combate à corrupção.

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Yermak era considerado peça-chave no governo ucraniano, atuando como principal negociador nas conversas recentes entre Ucrânia e Estados Unidos, em Genebra.

Sua demissão, anunciada por Zelensky durante pronunciamento na TV, tende a complicar as negociações de paz em curso com Washington.

“Não quero que ninguém tenha dúvidas sobre a Ucrânia”, declarou Zelensky. “Portanto, hoje temos as seguintes decisões internas. Primeiro, haverá uma reformulação do Gabinete da Presidência da Ucrânia. O chefe do gabinete, Andriy Yermak, apresentou sua carta de renúncia.”

Chefe do gabinete de Zelensky disse estar contribuindo com as investigações

Yermak, até o momento, não divulgou nota oficial. Em mensagem nas redes sociais, ele confirmou o andamento da operação e disse estar colaborando com os investigadores.

“Hoje, estão realizando diligências processuais em minha residência”, escreveu Yermak no X. “Os investigadores não encontraram obstáculos. Tiveram acesso irrestrito ao apartamento, meus advogados estão presentes, interagindo com os policiais. Da minha parte, estou cooperando plenamente.”

As buscas contaram com a participação do Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (Nabu) e da Procuradoria Especializada Anticorrupção (Sapo), conforme comunicado divulgado nesta sexta-feira, 28.

O texto não detalhou o motivo das diligências, mas elas acontecem depois do anúncio de uma ampla apuração sobre um suposto esquema de propinas no setor energético.

O escândalo já provocou a saída de dois ministros e envolveu pessoas próximas a Zelensky desde sua época na indústria de entretenimento.

A situação se mostra ainda mais delicada para o presidente diante da ascensão recente de Yermak à liderança das negociações ucranianas.

Impacto nas negociações internacionais

O processo de diálogo com os Estados Unidos permanece complicado. Na semana passada, o governo Trump apresentou um plano de paz de 28 pontos, que incluiu exigências russas, como a cessão de territórios, restrição militar e veto à entrada da Ucrânia na Otan.

A delegação liderada por Yermak conseguiu persuadir Washington a reconsiderar pontos do acordo. Novas conversas estão agendadas para os próximos dias.

Leia também: “O triunfo de Trump na diplomacia do Oriente Médio”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 292 da Revista Oeste

O líder russo, Vladimir Putin, informou na quinta-feira 29, que aguarda a chegada de representantes norte-americanos a Moscou no início da próxima semana.

Zelensky também confirmou o encontro entre ucranianos e norte-americanos. Apesar de elogios do presidente Donald Trump ao progresso nas negociações, as chances de avanço rápido são reduzidas, já que Putin sinalizou rigidez em suas exigências.

Desafios anticorrupção

A questão da corrupção é considerada um dos principais desafios históricos para a Ucrânia, especialmente diante da intenção do país de ingressar na União Europeia.

O bloco europeu e o governo dos Estados Unidos têm pressionado Kiev por medidas rigorosas de combate à corrupção, reforçando a pauta desde 2023.

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Antes de chegar à Presidência, Zelensky prometeu enfrentar a corrupção como prioridade de sua campanha.

Durante o conflito, ele exonerou diversos integrantes do alto escalão sob suspeita e implementou políticas como a Estratégia Nacional Anticorrupção.

Organismos internacionais elogiaram o compromisso do governo, destacando a atuação igualitária da Justiça.

Sobre a operação desta sexta-feira, 28, Paula Pinho, porta-voz da Comissão Europeia, declarou que as investigações “mostram que os órgãos anticorrupção na Ucrânia estão fazendo seu trabalho”.

Entretanto, uma lei aprovada no início deste ano que transferiu a supervisão das agências Nabu e Sapo ao procurador-geral indicado politicamente foi alvo de críticas de entidades ucranianas, internacionais e da União Europeia, gerando protestos. Sob pressão, Zelensky recuou e devolveu a autonomia às instituições.

A soma desse episódio com denúncias recentes que envolvem aliados próximos do presidente, entre eles Timur Mindich, ex-sócio de Zelensky, o ex-vice-primeiro-ministro Oleksiy Chernyshov e, agora, Andriy Yermak, aumenta a pressão sobre o governo em meio às negociações com os Estados Unidos e a Rússia.

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