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China: 60% do avanço comercial do país vem de subsídios, diz OCDE

A análise, divulgada nesta segunda-feira, 1º, examinou o apoio financeiro concedido a grandes empresas de 15 setores industriais entre 2005 e 2024

diretor da ocde china
Bandeira da OCDE | Foto: Divulgação/OCDE

Em meio ao aumento das tensões comerciais entre União Europeia e China, um novo relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que subsídios governamentais sustentaram 60% do avanço das empresas chinesas na fatia global de mercado nos últimos 20 anos.

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A análise, divulgada nesta segunda-feira, 1º, examinou o apoio financeiro concedido a grandes empresas de 15 setores industriais entre 2005 e 2024. Os dados foram extraídos do banco da OCDE, que reúne informações de 525 das maiores corporações industriais do mundo.

Subsídios chineses superam concorrentes internacionais

Segundo a OCDE, empresas chinesas receberam de três a oito vezes mais subsídios do que concorrentes internacionais. Em 2024, o volume global de subsídios representou 1,3% das receitas de vendas, a segunda maior marca já registrada, que fica atrás apenas de 2009, ano impactado pela crise financeira global.

O levantamento revela que, globalmente, subsídios explicam pouco mais de 20% dos ganhos de participação de mercado entre 2005 e 2023. No caso da China, esse porcentual chega a 60%, tornando o país o principal beneficiário dessas políticas.

“Empresas industriais sediadas na China recebem mais subsídios do que seus concorrentes em qualquer outra região”, afirmou o relatório. O órgão também comparou os subsídios ao “doping nos esportes” e ressaltou que o mecanismo pode beneficiar empresas menos inovadoras e eficientes.

Reações e preocupações da União Europeia

Na última sexta-feira, 29, membros da Comissão Europeia discutiram medidas para fortalecer as defesas comerciais do bloco diante da concorrência chinesa. As recomendações serão avaliadas pelos líderes da União Europeia ainda neste mês.

O bloco europeu, porém, demonstra divisões internas sobre a gravidade do desafio chinês. Diplomatas franceses defendem postura mais rígida, enquanto a Alemanha adota posição mais cautelosa, mesmo com perdas já sentidas por suas indústrias, segundo relatório do Centre for European Reform.

A China, por sua vez, ameaça retaliações comerciais caso a União Europeia imponha restrições às exportações chinesas. O setor automotivo, tradicionalmente forte na Europa, tornou-se foco de preocupação por causa da concorrência de veículos elétricos chineses.

Foco em veículos elétricos e impacto na OCDE

Conforme a OCDE, desde 2019 o governo chinês intensificou o apoio a montadoras nacionais, oferecendo empréstimos a juros baixos e subsídios diretos. “Fabricantes chineses de automóveis receberam quatro vezes mais apoio em termos relativos do que empresas sediadas na OCDE”, afirmou a entidade.

Leia também: “A embaixada dos Batista”, artigo de Yasmin Alencar na Edição 324 da Revista Oeste

O relatório foi divulgado antes da reunião anual de ministros dos países membros da OCDE, marcada para esta semana, com a discussão central voltada para políticas industriais. A China, apesar do destaque no estudo, não integra o grupo.

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1 comentário
  1. Dario Palhares
    Dario Palhares

    E, claro, qual a POLÍTICA TARIFÁRIA CHINESA? O vizinho Paraguai adotou 10% como teto máximo de impostos. E a China? Duvido que um produto industrial chinês seja lá taxado em 20, 30, 40% como aqui no Ocidente. O Ocidente quis liberalizar o comércio mundial? Então, agora, aguentem: todos terão que reduzir seus impostos, ou senão a China engolirá tudo. Tudinho.

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