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China se torna primeiro 'cobrador de dívida' mundial

O gigante asiático emprestou bilhões de dólares nas últimas duas décadas para países em desenvolvimento, que agora precisarão pagar essas dívidas

Banco da China
Banco da China

Segundo um relatório divulgado nesta terça-feira, 7, pela AidData, um instituto de pesquisa da William and Mary, uma universidade em Williamsburg, Virgínia, a China se tornou o primeiro “cobrador de dívidas do mundo”.

Entre 2000 e 2021, a China emprestou US$ 1,34 bilhão para países em desenvolvimento. Este ano, 55% desses créditos acumulados por várias instituições financeiras chinesas atingiram a maturidade e devem ser pagos pelos países e instituições devedoras.

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A maioria dos empréstimos fazia parte da “Iniciativa Cinturão e Rota“, também conhecida como “Nova Rota da Seda“, que o ditador chinês Xi Jinping iniciou em 2013 para construir quase 21 mil projetos de infraestrutura de transporte, comunicações e criar laços políticos mais fortes em mais de 150 países.

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Essa série de investimentos foi chamado de “projeto do século” pela liderança chinesa por causa da importância econômica e geopolítica.

Tudo isso até 2020, quando começou a pandemia de Covid-19, provocando um choque na economia mundial.

Desde então, a China começou a lidar com a própria desaceleração do crescimento e reduziu o financiamento para infraestruturas no exterior.

Ao mesmo tempo, foi obrigada a conceder empréstimos de emergência aos seus próprios devedores para evitar o colapso de suas economias.

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A AidData calculou que 60% dos empréstimos chineses em 2015 foram para projetos de infraestrutura. Em 2021, o montante caiu para 30%.

Por outro lado, os fundos destinados a resgatar governos endividados à beira da insolvência subiram de 5% do total em 2013 para 58% em 2021.

Em vez de abrir novos canteiros de obras, as instituições financeiras em Pequim utilizaram os fundos para permitir que os seus devedores pagassem os juros.

Os empréstimos concedidos ao Sri Lanka e ao Zâmbia são citados pelos economistas em salas de aula como exemplos para se entender a dinâmica dos refinanciamentos para manter os países solventes.

Nova Rota da Seda projeto geopolítico e econômico da China

A Nova Rota da Seda foi elaborada por Pequim como uma plataforma para projetar a influência geopolítica da China entre as nações em desenvolvimento.

Entretanto, agora que a dívida se tornou uma montanha, os tecnocratas comunistas encontram-se numa posição incômoda: a de grandes credores que devem recuperar o capital e os juros acumulados.

Pequim tenta naturalmente não perder a simpatia e a gratidão dos países onde tem investido.

Todavia, o refinanciamento da dívida por parte da China tem um custo elevado.

As condições dos empréstimos de emergência são mantidas confidenciais, mas de acordo com a pesquisa da AidData, as penalidades por atraso no reembolso aumentaram de 3% em 2013 para 8% em 2021.

O impacto do papel do cobrador de dívidas global aparece claramente nas pesquisas de opinião internacionais, que observam que a taxa de aprovação do envolvimento da China em países de baixa e média renda caiu de 56% em 2019 para 40% em 2021 .

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5 comentários
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Fazer negócios com a China é como negociar com mafiosos.

    1. Carlos Perktold
      Carlos Perktold

      A China planeja a longo prazo. Emprestou para pagar em 20 anos e agora quem não tem grana pra pagar os empréstimos, vai entregar tudo de valor no país: minas, estradas, portos, etc. É assim que funciona o capitalismo.

      1. Route 66
        Route 66

        A China não encostou a faca no pescoço de ninguém pra tomar emprestado dela, agora terão que honrar de um jeito ou de outro, assim que funciona.

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