No início de maio de 2026, o IPCC (o painel do clima) anunciou que estava “reformulando” seus cenários climáticos a fim de adequá-los para uma “nova realidade”. Nesta decisão, não somente alguns cenários foram descartados, mas também as suas suposições econômicas que interferiram pesadamente nesta decisão. O mais interessante ocorreu quando cruzamos essa ação com a sua justificativa, pois facilmente identificamos mais incoerências nas premissas que definem esses mesmos cenários.
Costurado desde a década de 1970, como resultado das reuniões do Clube de Roma, o painel do clima veio maturando por todo este período até ser “inaugurado”, em 1988. Curiosamente, a “mudança climática”, representada pelo “aquecimento global”, nasceu no período em que o mundo se apresentava bastante frio e a Era dos Satélites despontava no horizonte de forma operacional há apenas dez anos, o que no mínimo deveria nos causar alguma perplexidade, pois como falar que haveria um aquecimento catastrófico usando capotes de frio e sem os dados que tanto são utilizados hoje para supostamente definir essa questão?
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Passados quase 40 anos de existência, o IPCC, por todo esse tempo, insistiu em montar os cenários climáticos, utilizando modelos matemáticos computadorizados, cuja premissa majoritária é um balanço de forçamento radiativo bastante errático, o qual prioriza um efeito inexistente na atmosfera. Nesta premissa, gases denominados como “estufa” controlam uma hipotética temperatura planetária, reduzindo a climatologia, grosseiramente, aos auspícios (ou hospícios) deste parâmetro, ignorando toda a dinâmica que envolve a macroclimatologia terrestre e seus efeitos endógenos e exógenos. Acredite se quiser, tudo é reduzido a Watts por metro quadrado (W.m-2).
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Se de um lado a premissa foi combatida pelos cientistas céticos plenos, por outro lado, os céticos moderados atacaram vários dos cenários utilizados pelo IPCC como impossíveis de ocorrerem. Contudo, sem qualquer argumentação que justificasse o seu uso, o painel não só os manteve como também os apresentou em seus relatórios climáticos completos, com destaque especial para os sumários executivos de 25 páginas, os “resumos” que seriam divulgados para as classes políticas e a mídia em geral. Afinal, ninguém iria ler um relatório de mais de duas mil páginas, divididos em três grupos de trabalho do Armagedom.
Foi nesse contexto que houve o primeiro “racha” no IPCC, logo depois do lançamento do quarto relatório (AR4), em 2007, quando votaram a introdução do cenário A1F1 que desenhava uma elevação da temperatura de 5oC, com uma elevação do nível do mar em até 60 centímetros até 2100. Neste cenário, o mundo apresentaria um rápido crescimento econômico, com a população global atingindo um pico ao redor de 13 bilhões de pessoas, declinando a seguir, além da introdução veloz de novas tecnologias “eficientes”. Contudo, o mundo ainda apresentaria uma dependência muito alta de combustíveis “fósseis”.
Previsão climática irreal
Na ocasião, esse cenário era considerado um quadro de truncamento superior, ou seja, um limite para os modelos não ultrapassarem, servindo como um tampão. Ele nunca deveria ser utilizado como real e muito menos apresentado. Porém, como os outros diversos cenários não eram suficientemente assustadores (afinal, muitos deles ocorrem naturalmente), “resolveram” inseri-lo com propósito claramente ameaçador. Assim, por considerarem um ultraje, em 2008, o IPCC perdeu cerca de 800 colaboradores e mais mil até 2010, com o Minory Report do Senado dos Estados Unidos relatando todos os depoimentos dos dissidentes. Mesmo assim, o AR4 foi considerado “fundamental para consolidar a certeza científica sobre a ação humana na ‘mudança climática’”, mas só se for da fraude, pois o cenário proposto sequer aconteceu, enquanto o crescimento do petróleo, carvão e gás continuou significativamente avançando nos últimos 20 anos.
Agora, passados 18 anos, o comitê internacional responsável pelos “cenários oficiais” do IPCC resolveu remover uma de suas projeções mais catastróficas que dariam suporte para o seu próximo relatório grandão (o AR7). Trata-se da remoção do cenário RCP8.5, que desenhava uma elevação de temperatura ao redor de 3,9oC até 2100, derivado de um forçamento radiativo positivo de 8,5W.m-2. Além deste, os cenários derivados do SSP5-8.5 e SSP3-7.0 também foram reavaliados.
“Claramente, este cenário não é um cenário de ‘negócios corriqueiros’, nem o cenário de referência de não haver política [climática] em relação aos outros cenários. O cenário destina-se a explorar a extremidade superior das emissões de Gases de Efeito-Estufa (GEE) resultantes do profundo desvio político, tecnológico e estrutural das tendências atuais.”, declarou Van Vuuren, em sua publicação na Geoscientific Model Development, onde ele e mais 43 (quarenta e três!) coautores fizeram sete simulações de todos os tipos que envolveram variações em emissões, políticas públicas etc., cujas saídas apresentam cones de probabilidade bem largos.
Sua explicação deixa bem claro como foi o embuste que sempre utilizaram, mas que agora preferem jogar para baixo do tapete. O que ele diz é justamente sobre a impossibilidade de se usar os dois cenários extremos superiores (topo, mas também de base) porque esses são os delimitadores. Para todo o resto que estiver entre o novo topo e a base, vale qualquer coisa. Esse já é o velho conhecido jogo de se desenhar tudo. Assim, se um cenário for igual à realidade, então “acertamos”, mesmo que as condições iniciais não sejam as reais e mesmo que todas as outras simulações estejam erradas, usando a mesma premissa.
Van Vuuren e seus colegas relataram suas percepções sobre os obsoletos cenários de emissões, considerados de alta qualidade, cuja resposta “climática” apresentava um intervalo de temperaturas muito elevadas. Segundo eles, “Para o século 21, esse intervalo será menor do que o avaliado antes: no topo do intervalo, os altos níveis de emissão do CMIP6 (quantificados pelo SSP5-8.5) tornaram-se inverossímeis, com base nas tendências nos custos das energias renováveis, no surgimento da política climática e nas tendências recentes de emissões.”
Mais críticas ao IPCC
Como destacou bem o cientista político dos EUA, Roger A. Pielke Jr. (filho do meteorologista e cientista cético, Roger A. Pielke), em sua publicação no The Honest Broker, “os cenários de alta qualidade são inverossímeis”, ou seja, estamos a ouvir isto agora da turma de colaboradores do IPCC, que os cenários utilizados para criar alarmismo e pânico não passaram de conversa furada. O problema é que esta porcaria (como todas as outras relatadas pelo painel e sua trupe) serviu de base nos últimos 20 anos para a criação de todo tipo de transtornos para a sociedade global. Ajudou a criar cerceamento civil e de negócios, alterações drásticas de leis, inviabilizou projetos, penalizou pessoas e empresas em “ações ambientais-climáticas” sem pé nem cabeça, além de enriquecer setores como o de energias renováveis, cujo alcance de “mitigação climática”, seja lá o que isto signifique, não passou de um conto de fadas.
Embora os cientistas céticos plenos já venham marretando há anos essa estupidez computadorizada onde clima, políticas públicas, emissões, população, economia são todas misturadas para se obter a abjeta “temperatura do ar média global”, Pielke Jr. e Justin Ritchie haviam publicado um artigo na revista Issues in Science and Technology, apenas cinco anos antes, em 2021, intitulado “Como os Cenários Climáticos Perderam o Contato com a Realidade”, abordando essa mesma problemática.
A piada foi que, na ocasião, Chris Field, quando copresidente do grupo de trabalho dois do IPCC (WG2 do AR5) e Marcia McNutt, presidente da Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA responderam ao artigo de Pielke Jr. e Ritchie, na mesma revista, dizendo que “o cenário RCP8.5 de altas emissões tem sido descrito há muito tempo como um caminho de ‘negócios usuais’ com ênfase contínua na energia de combustíveis fósseis, sem políticas climáticas em vigor. Isso permanece 100% preciso.”
Pielke Jr. discordou da turma de Van Vuuren de que a inverossimilhança dos cenários de alto nível seja causada pela queda dos custos das energias renováveis ou do surgimento das políticas climáticas pelo mundo. Faço coro com Pielke Jr. e seu pai, pois essa foi a maneira que o IPCC criou para sair de fininho do embuste criado. O custo das energias renováveis é astronômico, tanto para a implementação, quanto para a manutenção e pela permanência de sistemas de back-up (já que elas não garantem nada, exemplos não faltam em Portugal, Alemanha etc.). Elas recebem sem gerar, atrapalham os sistemas de distribuição e encarecem o custo final ao consumidor.
Do outro lado, dizer que não existem políticas climáticas é o cúmulo da malandragem. O que vemos é só isso em tudo o que é lugar, desde o dia a dia do cidadão até as leis internas dos países, programas coercivos nacionais de redução de emissões (até chegar ao absurdo e ridículo zero), interferências drásticas nas forças produtivas, proibição do uso de automóveis a gasolina e diesel e a lista segue. Assim, chega a ser patética a existência de tais cenários, dentro dessa já insana “ciência climática”, onde a natureza real do planeta passou longe.
“Os cenários da extremidade superior, agora implausíveis […] não são apenas construções acadêmicas usadas em pesquisas esotéricas”, explicou Pielke Jr. “Eles estão embutidos nas políticas e regulamentos da maioria das maiores economias do mundo, encontrados nas mais importantes instituições multilaterais do mundo e usados nos testes de estresse climático que controlam centenas de bilhões de dólares em capital bancário.”
Sem ter o que comemorar
Mas não temos que nos alegrar, porque essa laia está apenas se adaptando para continuar com a sua ação mercenária. Em 23 de maio de 2025, a Ordem Executiva 14.303 do presidente Donald Trump determinou uma “restauração científica padrão ouro”. Na ordem, houve a proibição do uso do RCP8.5 para cientistas na folha de pagamento federal dos Estados Unidos. Ela também observou que uma das suposições irreais do RCP8.5 foi responsável em impulsionar a psicose climática, quando considerou que o uso de carvão no final do século excederá as estimativas de reservas recuperáveis. Aqui discordo de Pielke Jr., pois não se trata de um ajuste científico, como ele gentilmente citou, mas adaptação comercial. É uma pintura de fachada para que continue a fluir o dinheiro para o embuste, tendo em vista as restrições governamentais que identificaram o abuso. Simplesmente se adaptaram para continuarem na folha de pagamento.
Observem que no lugar desses cenários abjetos, o IPCC pretende suprir o próximo relatório com o que for desenvolvido pelo Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados (Coupled Model Intercomparison Project – CMIP), fazendo parte do Programa Mundial de pesquisa climática (WCRP), copatrocinado pela Organização Meteorológica Mundial da ONU, pelo Conselho Internacional de Ciência (uma ONG) e pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Unesco. Haverá também outro comitê pouco conhecido chamado ScenarioMIP, dentro do CMIP que apoiará o Sétimo Relatório de Avaliação (AR7) do IPCC e grande parte da pesquisa que ele irá procurar.
Realmente, é muita gente para sustentar que não produzem absolutamente nada de útil para o mundo, senão criarem mais fraudes, problemas e justificativas para que os Estados possam cercear cada vez mais a humanidade, lastreados em fraude evidente de forma a praticarem seu costumeiro Terrorismo de Estado. Prova disso é que de 2018 a 2021, 17 mil artigos foram publicados usando o esdrúxulo modelo RCP8.5 e mais 16,9 mil no triênio seguinte, ou seja, mesmos sendo irreais, a redução foi pouca, mas o alarde foi muito. Contudo, todos os resultados dessas pesquisas, baseadas no alarmismo gerado pelo RCP8.5, simplesmente caíram por terra, só que ninguém fala nada. Além de parasitas, são hipócritas porque usaram o pior cenário para fazerem suas pesquisas, evidenciando sua clara motivação de alarde, vender o pânico e facilitar a publicação deste lixo nas “revistas científicas”.
Só para título de comparação, vale a pena citar as simulações que Pielke Jr. fez com os modelos e suas recíprocas. Embora a turma da caterva tenha removido os modelos que causavam superaquecimento, outros sistemas de baixa qualidade subiram seus valores, mostrando que como em um jogo de damas, perdem uma aqui, mas ganham outra lá, sempre em prol do jogo maior. Vale lembrar que os valores de temperatura de referência utilizados como “normais” pelo IPCC são do século 19, entre 1850 a 1900, período da saída da Pequena Idade do Gelo, ou seja, anos muito frios.
Assim, enquanto o RCP8.5 (emulado pelo SSP5-8.5, com forçamento radiativo e 8,5W.m-2) alcançava 3,9oC, o IPCC publicou 4,4oC no AR6 sem a correção. Na emulação do SSP3-7.0 (forçamento de 7,0W.m-2), a temperatura chegou a 3,2oC, expressas como 3,6oC no AR6, também sem a correção. O novo modelo CMIP7 “HIGH” passou a ser 0,9oC mais frio que o SSP5-8.5, além de 1,4oC mais frio contra o AR6 do IPCC e 0,2oC mais frio que o SSP3-7.0, portanto 0,6oC mais frio que o AR6 (Fig.1).

No que o IPCC quer que a gente acredite
O grande pulo é que, passados mais de 150 anos em relação às temperaturas de referência do século 19, a hipotética “temperatura do ar média global” não subiu sequer 1oC confirmado (pois não havia cobertura global de tomada de dados). Ademais, a maior suposta elevação (na verdade, recuperação) ocorreu nos anos de 1930. O IPCC quer que todos acreditem que nos próximos 74 anos, as temperaturas subirão pelo menos mais 2,0oC! Isto continua a demonstrar seu descolamento da realidade climática, bem como a relação entre a existência de população e a temperatura do planeta, um caso que iremos tratar em outro momento, aproveitando as discussões realizadas por Pielke Jr.
Também temos que discordar não só da falsa substituição energética, afirmada como uma troca plena, mas pelo crescente uso de petróleo, carvão e gás pelo mundo, o que geraria então muito mais emissões, mas a turma do IPCC, na sua incoerência costumeira, diz que o terceiro motivo de abandono do RCP8.5 foi justamente a redução do uso desses. Só a China consome uma fração significativa do que é explorado pelo Irã e desbanca quase todas as nações do planeta, excetuando os EUA. Assim, o que vimos nos últimos 20 anos foi um crescimento da prospecção de petróleo e não o contrário. Essa é mais uma prova da falta de coerência, falácia epistemológica e desligamento da realidade econômica e social do mundo.
Como relatou o jornalista Tyler Durden, do Zero Hedge, o alarmismo climático não existia no vácuo. “Ele se transformou em um ecossistema político e financeiro completo — uma máquina de subsídios, grupos de defesa, narrativas de mídia e agendas regulatórias construídas com base na premissa de que a civilização tinha de doze a quinze anos para mudar de rumo ou enfrentar um colapso”. Passados 38 anos, nada aconteceu, demonstrando que os falsos profetas continuam a serem envergonhados. Podem estar ricos, famosos, bem de vida em suas salas acadêmicas de esbórnia, mas definitivamente envergonhados perante a sociedade que está desperta.
As “mudanças climáticas”, às vezes representadas pelo “aquecimento global”, quando conveniente, são propagadas há anos como uma corrida existencial contra o relógio, onde a humanidade vai perecer em um futuro muito próximo. É o monstro que está logo ali, no horizonte, mas quando caminhamos até lá, nada encontramos, pois dizem que ele está um pouco mais afastado e por isto, não o vimos. Assim, embora nunca encontremos Godzilla, pois foram décadas de “previsões” fracassadas, o alarmismo que afirma que a ameaça está logo ali, nunca parou e não dá sinais que irá parar exceto que haja uma completa reforma, um expurgo generalizado e a devida responsabilização dos envolvidos no engodo.






































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