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Cientista condenado nos EUA lidera laboratório de chips cerebrais na China

Projeto financiado pelo governo chinês amplia corrida tecnológica em neurociência, com possíveis aplicações militares

Charles Lieber, cientista pioneiro na nanociência
Charles Lieber, cientista pioneiro na nanociência | Foto: Divulgação/Peking University

O avanço das pesquisas em interfaces cérebro-computador na China tem ganhado destaque com a atuação do cientista norte-americano Charles Lieber, de 67 anos, que passou a liderar um laboratório de ponta no país asiático. 

Condenado nos Estados Unidos por fraude e omissão de vínculos com instituições chinesas, Lieber está desde 2025 à frente de um centro estratégico de neurotecnologia em Shenzhen. As informações são da CNN Brasil.

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Lieber foi condenado em dezembro de 2021 por mentir sobre pagamentos recebidos da China e por crimes fiscais relacionados à Universidade de Harvard. 

Três anos depois da condenação, ele assumiu a liderança do instituto i-BRAIN, vinculado à Academia Médica de Pesquisa e Tradução de Shenzhen (Smart), com financiamento estatal e acesso a infraestrutura avançada.

Infraestrutura e ambições tecnológicas

Ainda segundo a CNN Brasil, o laboratório oferece recursos que o cientista não tinha à disposição nos EUA, como instalações para pesquisa com primatas e equipamentos de nanofabricação. A estrutura faz parte de um esforço mais amplo do governo chinês para consolidar liderança global em neurotecnologia.

Segundo a CNN Brasil, o projeto inclui aplicações tanto na área biomédica quanto no campo militar. O Exército de Libertação Popular já avalia o potencial dessas tecnologias para aprimorar capacidades cognitivas de soldados.

Lieber foi nomeado diretor fundador do i-BRAIN em 2025 e declarou, em evento realizado em Shenzhen, que pretende transformar a cidade em referência mundial no setor. Ele não respondeu a pedidos de entrevista.

Investimento

A Smart, instituição responsável pelo laboratório, foi criada em 2023 e ampliou seu orçamento para US$ 153 milhões em 2026, com recursos públicos. O centro integra um ecossistema científico mais amplo, apoiado pelo governo chinês, que busca atrair pesquisadores internacionais — inclusive aqueles com passagem por universidades americanas.

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Outro projeto paralelo, o Laboratório da Baía de Shenzhen, conta com orçamento de US$ 2 bilhões para um ciclo de cinco anos e segue em expansão, com novos edifícios em construção.

Ainda de acordo com a CNN Brasil, o i-BRAIN adquiriu equipamentos avançados, como um sistema de litografia ultravioleta profunda da empresa holandesa ASML, utilizado na fabricação de chips. O laboratório também dispõe de uma instalação com cerca de 2 mil gaiolas para primatas, considerada essencial para testes em pesquisas desse tipo.

Pesquisa de Lieber com primatas

Estudos com primatas são considerados fundamentais para o desenvolvimento de interfaces cérebro-computador invasivas. Especialistas destacam que a disponibilidade de infraestrutura e financiamento na China tem atraído pesquisadores.

A instituição também aposta na repatriação de talentos. Um dos exemplos é o retorno da bióloga estrutural Nieng Yan, que deixou a Universidade de Princeton para assumir a presidência da Smart.

Em março de 2026, a China incluiu oficialmente as interfaces cérebro-computador entre as prioridades de seu plano quinquenal. Autoridades chinesas avaliam que o setor pode criar um novo eixo estratégico de desenvolvimento tecnológico no país.

Nos Estados Unidos, a agência Darpa também investe em pesquisas semelhantes, voltadas à defesa cibernética e à operação de drones. Documentos judiciais indicam que projetos liderados por Lieber em Harvard receberam mais de US$ 8 milhões do Departamento de Defesa norte-americano.

Contexto judicial e debate nos EUA

A condenação de Lieber ocorreu no âmbito da chamada Iniciativa China, programa do Departamento de Justiça dos EUA criado para combater espionagem econômica. A iniciativa foi encerrada posteriormente, durante o governo Joe Biden.

Segundo a CNN Brasil, o cientista chegou a obter autorização judicial para viajar à China em 2024, ainda durante o período de liberdade condicional.

Durante o processo, Lieber admitiu ter participado do Programa dos Mil Talentos do governo chinês e afirmou que buscava reconhecimento acadêmico internacional.

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1 comentário
  1. Daniel BG
    Daniel BG

    Um Josef Mengele do século XXI? Cobaias e mais cobaias? Uma China que tudo esconde e quando “vaza” já virou pandemia mundial. Arrepios a parte.

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