Como pensa Pedro Castillo, o autoproclamado presidente do Peru

Em entrevista concedida ao programa Diário Financeiro, candidato socialista fala sobre economia, educação e política
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Pedro Castillo é simpatizante de Evo Morales
Pedro Castillo é simpatizante de Evo Morales | Foto: Reprodução/YouTube

A vitória de Pedro Castillo nas eleições presidenciais do Peru ainda não está confirmada, embora o candidato de esquerda fale como novo comandante do país sul-americano. O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) já processou os votos de 100% das urnas, mas apenas 99,76% das cédulas foram contabilizadas. Até o momento, o socialista mantém ligeira vantagem sobre a conservadora Keiko Fujimori — 50,16% contra 49,84%.

O pensamento de Pedro Castillo

Na última semana, o trecho de uma entrevista concedida por Pedro Castillo ao programa Diário Financeiro circulou nas mídias sociais. O candidato esquerdista foi interpelado pelo jornalista Diego Acuña sobre economia, educação e política. Chamou a atenção do público as respostas imprecisas, claudicantes e visivelmente inseguras. Abaixo, a transcrição literal do diálogo, produzida por Oeste.

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Monopólios econômicos

— Quais monopólios existem, agora, no país?

— Existe monopólio nas empresas de transporte, por exemplo. Também há nas linhas aéreas.

— Há monopólio nas linhas aéreas? Na Latam?

— Claro.

— Certo. E onde mais?

— Nos mercados. Zara, Falabella e Metro são um monopólio, porque…

— Por que Falabella é um monopólio?

— Porque obtém lucro pessoal, empresarial, sem se importar com o Estado e o povo.

— Está bem, mas isso não é um monopólio. Um monopólio força-se a ser o único veículo por meio do qual eu posso acessar algo. Se eu não quiser comprar na Falabella, posso ir a outros lugares para fazê-lo. Então, não é um exemplo de monopólio, professor.

Educação

— Há algum país que devemos imitar?

— Por que não trazer o modelo de educação de Singapura, por exemplo?

— Porque Singapura adota um modelo completamente à direita, professor.

— Devemos tirar as coisas boas de cada país.

— Você propõe um governo de extrema esquerda, é um estatista. Não é isso que Singapura vem fazendo. Singapura tem uma das menores taxas de impostos do mundo.

— O modelo de Singapura a que me refiro, no caso, é de educação. Por que não trazer ao Peru, por exemplo, o modelo econômico que já foi instalado na Bolívia?

— Mas o modelo boliviano não tem nada a ver com o de Singapura.

— Refiro-me a diferentes aspectos: a educação de um país, o modelo econômico de outro.

Aumento de impostos para empresas

— É insuficiente, para você, pagar imposto de renda?

— Totalmente insuficiente.

— O que você adicionaria?

— Temos de chamar as empresas e renegociar os contratos.

— Você está dizendo que uma empresa de mineração que investe no país, caso obtenha renda, deve ficar com metade da renda que gera?

— As empresas de mineração têm de ser revertidas.

— O que você quer dizer com isso?

— De cada 100 soles [moeda peruana] gerados em vendas pelas empresas de mineração…

— Taxar a venda, você diz? Mas isso não é útil, professor. Não posso taxar a venda. Eu só posso tributar sobre o lucro que resta para mim. A venda é arrecadação bruta.

— Mas quem leva isso?

— É levado pela pessoa que colocou o dinheiro. A renda é dele.

Juan Velasco Alvarado, militar que governou o país com mão de ferro entre 1968-1975

— Qual a sua opinião sobre o governo Velasco?

— É um governo que surgiu a serviço do Peru. Além de qualquer estigmatização que lhe foi dada, ele é um homem que internalizou um grande problema dos peruanos.

— Foi um bom governo, tratando-se de assuntos econômicos?

— Claro.

— Velasco fez um bom governo? Você o aprova?

— Para mim, sim.

— A questão é que se nos referirmos aos números, eles não concordam com isso. O governo militar gerou os maiores déficits da história do nosso país. Esses déficits não desaparecem quando o atual governo sai, são danos que perduram ao longo do tempo.

Leia também: “O que pensa Pedro Castillo, o autoproclamado presidente do Peru”

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