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Contenção de protestos contra bloqueio de redes sociais no Nepal deixa 14 mortos

Governo comunista determinou a suspensão de plataformas com justificativa de falta de cooperação das empresas no combate a crimes digitais, discurso de ódio e notícias falsas

Manifestação na capital do Nepal neste domingo, 7 de setembro | Foto: Reprodução/Redes sociais
Manifestação na capital do Nepal neste domingo, 7 de setembro | Foto: Reprodução/Redes sociais

A reação das forças de segurança do Nepal a protestos contra o bloqueio de redes sociais no país deixou 14 mortos em Katmandu, a capital nepalesa. Jovens formavam a maioria do grupo que tentou invadir o Parlamento e foi contido com gás lacrimogêneo e balas de borracha.

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O acesso a plataformas como Facebook e Instagram foi restringido pelo governo comunista do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli na semana anterior, com a alegação de falta de cooperação das empresas no combate a crimes digitais, discurso de ódio e notícias falsas. Manifestantes denunciaram censura e corrupção e exigiram a reabertura das redes sociais.

Toque de recolher e divergências nos números oficiais

Autoridades impuseram toque de recolher ao redor do parlamento depois que milhares tentaram romper as barreiras policiais.

A Nepal Television informou uma morte e mais de 50 feridos, mas veículos locais mencionaram pelo menos seis vítimas fatais. Os números oficiais ainda não foram confirmados. Entretanto, agências internacionais com correspondentes no país, como a Reuters, informou que há 14 mortos.

Durante os distúrbios, manifestantes incendiaram uma ambulância e bloquearam veículos de segurança. Vários feridos foram socorridos em hospitais próximos.

Segundo Ekram Giri, porta-voz do Legislativo, “alguns manifestantes entraram na área do Parlamento, mas não chegaram ao prédio principal” e foram removidos pela polícia.

Muktiram Rijal, porta-voz do gabinete distrital de Katmandu, relatou que o toque de recolher foi prorrogado até as 22h para tentar controlar os atos violentos, autorizando o uso de canhões de água, cassetetes e balas de borracha pelas forças policiais.

A área de Singha Durbar, que abriga o gabinete do primeiro-ministro, ministérios e residências oficiais, também entrou na zona de restrição. Novos protestos foram registrados em Biratnagar, Bharatpur e Pokhara, segundo a polícia local.

Reação dos manifestantes e críticas ao governo

Mais cedo, milhares de estudantes uniformizados e universitários foram impedidos pela polícia de marchar até o Parlamento, onde manifestações públicas são proibidas. Manifestantes exibiam cartazes com frases como “Fechem a corrupção, não as redes sociais” e “Desbloqueiem as redes sociais”.

Imagens divulgadas mostram confrontos diretos, com manifestantes arremessando objetos contra policiais equipados e derrubando barreiras.

Alvo de denúncias de corrupção, governo comunista bloqueio redes sociais no Nepal

O governo do premiê K.P. Sharma Oli, do Partido Comunista do Nepal, é alvo de críticas pela falta de avanços no combate à corrupção, considerada disseminada no país.

O bloqueio das redes sociais no Nepal ocorre em meio a um contexto internacional de endurecimento da fiscalização sobre plataformas digitais, especialmente nos países governados pela esquerda. A justificativa é sempre a mesma: preocupações com desinformação, privacidade e segurança.

No Brasil, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou suspender o X, às vésperas das eleições do ano passado, por 38 dias, exatamente com a mesma justificativa do governo comunista do Nepal: a plataforma se recusou a nomear um representante legal no Brasil. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), do governo Lula, prontamente cumpriu a ordem.

+ X critica o Brasil em investigação dos EUA sobre redes sociais

O governo norte-americano, sob Donald Trump, é um crítico dessas políticas de restrição da liberdade de expressão. Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA disse que a Europa tem censurado as redes sociais para impedir as pessoas de criticarem seus governantes.

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