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Crise expõe escassez e colapso energético em Cuba 

Relatos da população descrevem deterioração do serviço público, dificuldade de acesso a produtos básicos e queda no poder de compra

Cuba apagão pobreza
Capacidade de gerar energia elétrica é quase um terço menor do que a demanda em Cuba | Foto: Reprodução/Pixabay

Cuba enfrenta uma crise econômica e energética que se intensificou neste ano e que moradores já classificam como a mais severa desde a revolução comunista de 1959. A ilha caribenha convive com apagões frequentes, escassez de alimentos e remédios e funcionamento precário de serviços básicos, agravados pela dificuldade de importar petróleo nos últimos meses. 

A interrupção da importação do óleo bruto ocorreu em meio ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Em março, a Rússia enviou pelo menos 100 mil toneladas do insumo ao país. No entanto, o volume cobre apenas cerca de um terço da demanda mensal, segundo estimativa de Irenaldo Pérez Cardoso, diretor-adjunto da estatal União Cuba-Petróleo.

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Os efeitos da crise se espalharam por diferentes áreas da capital Havana. A falta de combustível reduziu a circulação nas ruas e limitou o funcionamento de serviços públicos. 

Os apagões também integram a rotina do povo cubano. Segundo o portal UOL, moradores relatam interrupções que chegam a quase 20 horas por dia, inclusive em regiões onde funcionam hospitais, embaixadas e edifícios públicos. A escassez de energia compromete o abastecimento de água, que depende de sistemas elétricos para operar. 

Ao mesmo tempo, a população enfrenta dificuldade para acessar alimentos, pois mercados estatais, que operam com preços subsidiados, registram falta de produtos. Nos estabelecimentos privados, há oferta, mas os preços permanecem fora do alcance de grande parte dos cubanos.

Salários em Cuba ficam abaixo do custo de vida

Dados do Escritório Nacional de Estatísticas e Informações de Cuba mostram que o salário médio no país foi de 6.930 pesos em 2025, o equivalente a cerca de US$ 14. Parte dos trabalhadores recebe valores inferiores a essa média.

Aposentados relataram receber cerca de 2,5 mil pesos mensais, aproximadamente US$ 5. Conforme o UOL, esse valor não permite comprar nem uma cartela com 30 ovos, que custa cerca de 3 mil pesos em mercados privados.

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A insatisfação com o regime de Miguel Díaz-Canel aparece entre os moradores de Cuba, mas, diante do alto risco de perseguição política, nem sempre se traduz em defesa explícita de mudança administrativa. 

Apesar disso, a escassez de alimentos, remédios e dinheiro não é novidade na ilha. A atual conjuntura, agravada pelo fim do fluxo intenso de turistas depois da Covid-19, acelerou as perdas econômicas. Dados do Ministério da Agricultura cubano revelam quedas expressivas de 2018 a 2023

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