Em junho de 1987, Ronald Reagan governava os Estados Unidos e passou por Berlim Ocidental. Durante a visita, ele discursou em frente ao Portão de Brandemburgo, o ponto central do infame muro que dividia a cidade — e o mundo. “Sr. Gorbachev, derrube este muro”, disse, em uma mensagem que ecoou do outro lado e chegou a Moscou, a tempo de perturbar o líder soviético.
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Pouco mais de dois anos depois, em 9 de novembro de 1989, Gorbachev ainda mandava na União Soviética e, portanto, em toda a Alemanha Oriental — incluindo o outro lado do muro. Era uma quinta-feira, como hoje. A última com aquele muro.
A queda do Muro de Berlim
O governo comunista ergueu a muralha de concreto em 1961 com uma missão: manter os alemães presos no comunismo. Nada de mudar de lado.
Por volta de 18h de 9 de novembro de 1989, o Partido Socialista Unificado da Alemanha, grupo posto no poder pelo Partido Comunista Soviético quatro décadas antes, deu início a uma costumeira coletiva de imprensa. Cerca de 55 minutos se passaram, e nada prendeu a atenção dos jornalistas. Alguns chegaram a cochilar. Günter Schabowski, porta-voz com 40 anos de dedicação aos comunistas, decidiu deixar para o fim a parte para a qual estava menos preparado: “As novas diretrizes para viagens”.

Eram cerca de 19h quando Schabowski anunciou: “As novas regras permitirão que os cidadãos cruzem a fronteira pelos pontos de checagem da Alemanha Oriental”. No auditório, um burburinho entre os jornalistas: “Será que ouvimos certo?”.
Krzysztof Janowski, repórter polonês que trabalhava para a Voz da América, não aceitou seguir na dúvida. “A partir de quando?”, perguntou.

Schabowski revirou as páginas à sua frente em busca de uma resposta. “Pelo que sei…”, disse, procurando uma saída. “De imediato.”
As informações da coletiva passavam ao vivo e sem filtro para o Ocidente, onde a notícia começou a circular minutos depois do anúncio. Na Alemanha Oriental, houve o atraso de uma hora entre a fala e a transmissão. Mas, às 20h, tão logo a TV oficial deixou escapar a resposta do porta-voz, os moradores foram se libertar de quase 30 anos de prisão. Teve início uma corrida até o muro.
Quem sabia?
Para os guardas de fronteira, um supetão. Não havia protocolo para liberação, e eles não sabiam o que fazer. Às 21h20, o Checkpoint Bornholmer Strasse se tornou o primeiro portão de fronteira aberto — decisão tomada pelos agentes no local, sem que houvesse a ordem oficial. A multidão já estava grande demais para ser contida.
Nas horas seguintes, os bloqueios foram abertos um a um. Por volta de 23h, em Berlim, já havia gente em cima do muro. Madrugada adentro, aconteceu o que em Berlim ficou conhecido como Mauerfest, algo como “festa do muro”. No raiar do sol, grande parte da muralha que separou famílias por quase 30 anos estava no chão. Pais e filhos voltaram a se encontrar.
Em Moscou, um aviso: nada de reunificação. Em vão. Hoje, restam apenas alguns pedaços desse muro como a lembrança da tragédia histórica. De pé mesmo ficou a Alemanha — e como uma só nação.






































Nao conhecia esse detalhe!!! Parabens Oeste e Piauí!
Lembrete aos navegantes, hoje universitários. Nada fica de pé sem liberdade individual.