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O dia em que o PCC sequestrou a filha de um ex-presidente do Paraguai

Para o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira, esse tipo de ato deve ser classificado como terrorismo

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A jovem Cecília Cubas, de 31 anos, foi vítima de ação do PCC no Paraguai | Foto: Reprodução/ABC en el Este

O dia 21 de setembro de 2004 é lembrado de forma trágica no Paraguai. Foi nesse dia que integrantes da facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC) sequestraram Cecília Cubas, filha do ex-presidente paraguaio Raúl Cubas. O crime ocorreu em parceria com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do braço armado do Partido Pátria Livre, da extrema esquerda paraguaia.

Juntos, PCC, Farc e Partido Pátria Livre exigiram resgate de US$ 5 milhões. A família Cubas, entretanto, só conseguiu entregar US$ 800 mil aos criminosos.

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Sem a quantia exigida, o sequestro resultou em caso de homicídio. O corpo de Cecília foi encontrado em 16 de fevereiro de 2005. Ela tinha 31 anos.

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As informações em relação ao crime não pararam por aí. Exames necroscópicos evidenciaram a crueldade além do sequestro e do assassinato. Para os legistas, a filha de Raúl Cubas foi enterrada viva, com a morte ocorrendo por volta de 24 de dezembro de 2004.

O juiz federal aposentado Odilon de Oliveira não pensa duas vezes antes de classificar esse tipo de ato. “Isso é postura terrorista”, enfatiza o jurista de 77 anos. “O PCC e o Comando Vermelho (CV) são organizações terroristas”, prossegue, em alinhamento com a conduta do governo dos Estados Unidos, que passou a classificar as duas facções dessa forma desde o último dia 5.

Outros crimes internacionais de PCC e CV

Em entrevista a Oeste, Oliveira relembra outros casos em que PCC e CV se envolveram no exterior. O juiz federal aposentado cita, por exemplo, crimes cometidos na Bolívia e na Colômbia.

O jurista também analisa como os norte-americanos devem colaborar para que o Brasil lide de forma assertiva contra o crime organizado. “Os Estados Unidos podem ajudar mediante a prestação de informações pelo seu serviço de inteligência”, avalia Oliveira. “E até por meio de ajuda financeira específica, como já ocorreu durante muito tempo para combater o tráfico internacional.”

Os detalhes de atos terroristas de PCC e CV no exterior e a análise completa de Oliveira sobre a melhor forma de combater o crime organizado estão presentes em entrevista publicada na Edição 326 da Revista Oeste: “O Brasil corre o risco de se converter num narcoestado”. A íntegra do conteúdo está disponível à comunidade de assinantes da publicação digital que defende a liberdade e o liberalismo econômico — e não aceita publicidade de órgãos públicos.

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