A eleição presidencial do Peru segue indefinida. Com quase 98% das urnas apuradas, a diferença entre o candidato de esquerda Roberto Sánchez e a conservadora Keiko Fujimori caiu para menos de 7 mil votos, segundo o painel de resultados da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (Onpe).
Na atualização mais recente da contagem, às 22h51 desta quarta-feira, 10, Sánchez tinha 50,019% dos votos válidos, contra 49,981% de Keiko. A vantagem do esquerdista era, assim, de apenas 6.757 votos em um universo de aproximadamente 27,5 milhões de eleitores.
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Peru: cenários de viradas
O cenário eleitoral mudou significativamente desde o início da apuração. Keiko chegou a liderar a contagem nas primeiras horas, impulsionada principalmente pelos votos da capital, Lima. Com o avanço da apuração das regiões rurais, Sánchez ultrapassou a adversária e assumiu a dianteira, chegando a registrar mais de 42 mil votos de vantagem.
Apesar da atual liderança de Sánchez, a disputa continua aberta. Os votos do exterior, tradicionalmente mais favoráveis a Keiko Fujimori, têm reduzido a diferença entre os candidatos. Além disso, centenas de milhares de votos contestados ainda precisarão passar por análise das autoridades eleitorais.
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A extrema proximidade do resultado levou autoridades e observadores internacionais a pedirem cautela. Missões da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia afirmaram que o processo eleitoral transcorreu normalmente, mas a conclusão oficial pode levar semanas devido à revisão de atas impugnadas.
A disputa opõe dois projetos políticos distintos. Sánchez representa a esquerda peruana e tem apoio de setores ligados ao ex-presidente Pedro Castillo, pró-intervencionismo estatal. Keiko, por sua vez, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori e tem o apoio de grupos conservadores, defensores de uma agenda pró-mercado e uma política de segurança pública mais rígida, comprometida especialmente em combater facções criminosas.
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