Depois da operação militar na Venezuela que levou a captura do então ditador Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou a Doutrina Monroe.

“Nós a superamos em muito”, disse o republicano, durante uma coletiva de imprensa realizada neste sábado, 3, horas depois da operação militar no país sul-americano. “Agora a chamam de ‘Doutrina Donroe’. O domínio norte-americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”.
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O que é a Doutrina Monroe?
Formulada em 1823 pelo então presidente James Monroe, essa orientação da política externa dos EUA pode ser interpretada na base da fórmula “América para os americanos“, declarando o Hemisfério Ocidental uma área prioritária. Desencorajando, assim, qualquer interferência ou tentativa de recolonização por parte das potências europeias.
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Em dezembro de 1823, Monroe declarou que qualquer intervenção das potências europeias estabelecidas nas Américas seria considerada “inimiga dos Estados Unidos“. Dessa forma, a Doutrina Monroe tornou-se o manifesto da soberania norte-americana sobre o Hemisfério Ocidental.
A Doutrina Monroe evoluiu ao longo do tempo. Incluiu, por exemplo, a abordagem adotada no início do século 20 durante a presidência de Theodore Roosevelt definida “Corolário Roosevelt”.
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Essa interpretação ampliou o escopo da Doutrina Monroe, atribuindo aos EUA não apenas a função de conter a influência europeia, mas também o poder de intervir diretamente em países latino-americanos considerados incapazes de garantir a estabilidade interna, a ordem política ou o respeito aos interesses econômicos internacionais.
Trata-se, nesse sentido, de uma função de “polícia internacional” nas Américas para manter a estabilidade. Além disso, serve, na visão da Casa Branca, para garantir o cumprimento de obrigações e prevenir a agressão estrangeira, consolidando uma política de forte intervenção militar na América Latina sob a ideologia do “Big Stick” (“Grande Porrete”, em tradução livre).
Embora inicialmente apresentada como uma medida para proteger a autonomia das jovens repúblicas latino-americanas, a doutrina gradualmente assumiu um significado mais amplo. Com o tempo, foi, a saber, utilizada como referência teórica para legitimar um papel ativo de Washington no equilíbrio político e institucional da região.
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Nesse contexto, desenvolveu-se o que se convencionou chamar de “diplomacia das canhoneiras”, uma abordagem baseada no uso explícito da força militar como instrumento de pressão e intervenção. Essa estratégia se traduziu, ao longo das décadas, em operações armadas, ocupações temporárias e apoio a governos considerados compatíveis com os interesses de Washington, contribuindo para uma fase significativa do intervencionismo estadunidense na América Latina.
Trump revitalizou a Doutrina Monroe
Trump apresentou o ataque a Caracas como um ato de defesa da população dos EUA contra um regime — o de Maduro — que busca desestabilizar Washington por da exportação de drogas e de criminosos libertados da prisão. E por isso justificaria a intervenção americana na base da Doutrina Monroe.
A abordagem da administração Trump representa um afastamento radical do precedente estabelecido durante o governo de Barack Obama, quando o então secretário de Estado, John Kerry, desmantelou a política.
Naquela época, Kerry alegava que a política não era necessária, pois os EUA buscavam uma relação mais igualitária com os países latino-americanos, em vez de uma baseada no intervencionismo.
“A era da Doutrina Monroe acabou”, disse Kerry, em 2013, na Organização dos Estados Americanos.
“A relação que buscamos e que nos esforçamos para cultivar não se resume a uma declaração dos Estados Unidos sobre como e quando intervirá nos assuntos de outros Estados americanos”, disse Kerry. “Trata-se de todos os nossos países se enxergarem como iguais, compartilharem responsabilidades, cooperarem em questões de segurança e aderirem não a doutrinas, mas às decisões que tomamos como parceiros para promover os valores e os interesses que compartilhamos”.
Estratégia da Segurança Nacional defende a Doutrina Monroe
A Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump defende explicitamente a revitalização da Doutrina Monroe como forma de reafirmar a influência dos EUA no Hemisfério Ocidental. O documento nesse sentido denomina essa iniciativa de “Corolário Trump”, uma referência à expansão da doutrina original feita por Roosevelt.
“Depois de anos de negligência, os Estados Unidos reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental e para proteger nossa pátria e nosso acesso a geografias-chave em toda a região”, aparece na Estratégia de Segurança Nacional.
“Negaremos aos concorrentes não hemisféricos a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais, em nosso hemisfério”, salientou o documento divulgado no fim do ano passado, “Este ‘Corolário Trump’ à Doutrina Monroe é uma restauração sensata e eficaz do poder e das prioridades americanas , consistente com os interesses de segurança dos Estados Unidos”.
O atual governo norte-americano adotou uma abordagem agressiva para reprimir a entrada de drogas nos EUA. Definiu, assim, cartéis de traficantes como o Tren de Aragua, o Sinaloa e outros como organizações terroristas estrangeiras.
Além disso, Trump definiu o regime de Maduro como uma organização terrorista estrangeira. Dessa forma, os EUA passaram a realizar dezenas de ataques em águas latino-americanas desde setembro, destruindo barcos acusados de transportar drogas.






































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