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Espécie de peixe vive há 100 mil anos sem machos

As fêmeas descartam o DNA dos parceiros

O molinésia-amazona tem cerca de 7 cm | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um pequeno peixe desafia a biologia. Não existem machos da espécie, embora ocorra o acasalamento. Trata-se da molinésia-amazona. A espécie passa apenas o DNA das fêmeas para os filhotes.

O comum no mundo animal é um indivíduo herdar características genéticas tanto do macho quanto da fêmea — metade de cada —, como acontece com os seres humanos. Daí surgem indivíduos de todos os tipos: loiros de olhos castanhos, morenos de olhos azuis, ruivos de cabelo encaracolado e até gente sem cabelo algum. Com a molinésia-amazona não é assim.

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A reprodução acontece por meio do processo chamado ginogênese e envolve machos, mas de outras espécies. Os parceiros servem apenas para dar início ao ciclo. Depois disso, o organismo da fêmea despreza a genética do esperma e as ovas ficam apenas com o DNA dela.

O nome do bicho, inclusive, vem exatamente dessa característica. Amazona, nesse caso, refere-se às guerreiras que, segundo a mitologia grega, cultuavam a deusa Ártemis e viviam na ilha na cidade-estado de Temiscira, no Mar Negro. A Mulher-Maravilha, personagem dos quadrinhos, é inspirada justamente nesse mito. O rio que corta o Brasil, o maior do mundo, também deve seu nome à Grécia.

Aconteceu em meados do século 16. Francisco Orellana, explorador espanhol, navegava pela região e foi atacado por uma feroz tribo de mulheres guerreiras. O europeu prontamente decidiu: é o Rio das Amazonas — ou de algo parecido com elas. Contudo, é quase certo que, durante essa viagem, ele não cruzou com nenhum peixe que só tem fêmeas, embora a espécie tenha surgido há cerca de 100 mil anos. Os cardumes da molinésia-amazona vivem nos rios do sul do Texas e do México, e isso fica do outro lado do mundo.

A travessia é épica para animais de todos os tamanhos. No caso dessa espécie, seria ainda mais complicada. Seu tamanho na fase adulta é de cerca de 7 cm. Além disso, trata-se de um peixe de água doce, tipo que não sobrevive na água salgada dos oceanos. Se isso acontecesse, seria outro desafio à biologia.

Como surgiu o peixe sem machos

Ao menos um indivíduo masculino deve ter participado de seu surgimento. A teoria mais aceita é a origem a partir do encontro de duas espécies diferentes: uma fêmea molinésia-do-atlântico acasalou com um macho de molinésia-latipina, cerca de 100 mil anos atrás. O resultado deveria ter sido um exemplar que não se reproduz. É, por exemplo, o caso da mula, animal oriundo do acasalamento de cavalos e jumentos. O novo indivíduo nasce estéril. Contudo, o fenômeno conhecido como conversão genética deu um desfecho diferente — e pode acontecer até mesmo em humanos.

Por meio dessa conversão, falhas no DNA de um dos ancestrais são corrigidas pela replicação da característica genética sem erro de seu parceiro. O típico é que isso aconteça para poucas características. Nesse caso, porém, a fêmea que deu origem à primeira usou essa forma de mudar tudo o que havia no macho e deixar o filhote apenas do jeito dela.

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