Na noite deste sábado, 11, a delegação dos Estados Unidos abandonou as negociações diretas com o Irã, em Islamabade, depois de mais de nove horas de discussões. Não haverá um segundo dia de diálogo.
O vice-presidente norte-americano, J. D. Vance, confirmou o impasse ao afirmar que “não chegamos a um acordo” e que “os iranianos escolheram não aceitar nossos termos”.
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O ponto central da divergência teria sido a exigência norte-americana de um “compromisso afirmativo” por parte de Teerã de que o regime não buscará desenvolver armas nucleares, nem mesmo as ferramentas necessárias para construí-las. A proposta foi considerada inaceitável pelos negociadores iranianos.
Foi o primeiro encontro direto entre os dois países desde a ruptura diplomática, depois da Crise dos Reféns no Irã, em 1979. Ainda que sem acordo, o simples fato da reunião já representa um movimento fora do padrão de décadas de hostilidade indireta.
O impasse entre EUA e Irã
O desfecho reforça o que analistas internacionais têm apontado: há um abismo entre as exigências de Washington e a margem de concessão de Teerã. Enquanto os Estados Unidos pressionam por garantias explícitas e verificáveis, o regime iraniano mantém sua tradicional ambiguidade estratégica sobre o programa nuclear.
A recusa em avançar pode sugerir que o Irã não está disposto a abrir mão de capacidades consideradas essenciais para sua segurança e projeção regional. Em contrapartida, ceder nesse ponto seria politicamente custoso para a Casa Branca, principalmente em um ambiente doméstico sensível ao tema nuclear.
Apesar do fracasso imediato, a saída da mesa não necessariamente encerra o canal diplomático. Em negociações desse porte, impasses públicos frequentemente funcionam como instrumentos de pressão e reposicionamento.
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Paulo Faria é advogado e correspondente internacional de Oeste nos Estados Unidos
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