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EUA e Irã encerram negociações sem acordo

Depois de 21 horas de conversas, impasse sobre programa nuclear mantém tensão elevada; trégua termina em 22 de abril

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J.D. Vance foi a Islamabad negociar com representantes do Irã | Foto: Reprodução/Instagram Vance

As negociações presenciais entre Estados Unidos e Irã terminaram neste domingo, 12, sem acordo para encerrar a guerra, o que eleva a incerteza sobre a manutenção da atual trégua de duas semanas. As conversas, realizadas em Islamabad, no Paquistão, duraram cerca de 21 horas e expuseram a persistente distância entre as posições das duas partes.

Autoridades norte-americanas atribuíram o fracasso à recusa iraniana em assumir um compromisso explícito de abandonar seu programa nuclear. Já representantes de Teerã culparam Washington pelo colapso das tratativas, sem detalhar os principais pontos de impasse.

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Nenhum dos lados indicou quais serão os próximos passos depois do fim da trégua, previsto para 22 de abril. Mediadores paquistaneses apelaram para que o cessar-fogo seja mantido.

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Delegação iraniana chega ao Paquistão acompanhada de nomes importantes do parlamento | Foto: Reprodução/X/EnglishFars

O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou que as negociações foram “substanciais”, mas ressaltou que Washington não abrirá mão de suas principais exigências. Segundo ele, o objetivo central é garantir que o Irã não busque desenvolver armas nucleares nem adquira meios para produzi-las rapidamente.

“Então voltamos aos Estados Unidos sem ter chegado a um acordo. Deixamos muito claro quais são nossas linhas vermelhas, em que pontos estamos dispostos a acomodá-los e em quais não estamos”, afirmou. “Fizemos isso da forma mais clara possível, e eles optaram por não aceitar nossos termos.”

O vice-presidente afirmou ter mantido contato com o presidente Donald Trump de forma “constante” durante as negociações. “Não sei quantas vezes falamos com ele — meia dúzia de vezes, talvez uma dúzia, nas últimas 21 horas.”

Segundo Vance, a equipe dos EUA também se comunicava com outros membros da administração Trump, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário da Guerra Pete Hegseth.

“Então, veja, estivemos em comunicação constante com a equipe porque estávamos negociando de boa-fé”, disse Vance. “E saímos daqui com uma proposta muito simples, um método de entendimento que é nossa oferta final e melhor. Vamos ver se os iranianos a aceitam.”

Trump pressiona irã antes de reunião no Paquistão
Trump afirmou que pretende desobstruir o Estreito de Ormuz independentemente de um acordo | Foto: Reprodução/X @RapidResponse47

Vance chegou ao Paquistão no início deste sábado, 11, para liderar negociações de alto risco com o Irã, com o objetivo de preservar um frágil cessar-fogo anunciado por Trump no início da semana e evitar uma guerra regional mais ampla.

“Deixamos uma proposta clara, nossa melhor e última oferta. Veremos se os iranianos a aceitarão”, declarou. A delegação da Casa Branca contou ainda com o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner.

Pelo lado iraniano, participaram o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, que cobrou dos EUA uma decisão sobre “conquistar a confiança” de Teerã.

Donald Trump entrevista Casa Branca EUA China
Donald Trump. em entrevista, disse que os EUA venceram o Irã | Foto: Reprodução/Casa Branca

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, disse que seu país tentará viabilizar uma nova rodada de negociações nos próximos dias.

Embora o Irã negue buscar armas nucleares, o regime insiste em seu direito a um programa nuclear civil. Avaliações de especialistas internacionais afirmam que o país já possui estoque de urânio enriquecido próximo ao nível necessário para uso militar.

Irã quer maior controle sobre o Estreito de Ormuz

As negociações foram marcadas por propostas divergentes. O plano iraniano previa o fim garantido da guerra, maior controle sobre o Estreito de Ormuz e a interrupção de ataques contra aliados regionais, como o grupo terrorista Hezbollah.

O Estreito de Ormuz é um local estratégico para a região | Foto: Reprodução/Redes sociais
O Estreito de Ormuz é um local estratégico para a região | Foto: Reprodução/Redes sociais

Já a proposta dos EUA incluía mecanismos de monitoramento e a reversão do programa nuclear iraniano, além da reabertura da rota marítima.

Durante as tratativas, os EUA chegaram a anunciar operações navais inéditas na região, incluindo a passagem de destróieres para ações de desminagem, o que foi negado por autoridades iranianas. Em paralelo, o presidente Donald Trump afirmou que a limpeza do estreito continuaria independentemente de um acordo.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o conflito deixou milhares de mortos em vários países do Oriente Médio e provocou danos significativos à infraestrutura regional. O controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo global — praticamente interrompeu o fluxo energético, o que pressionou os preços internacionais.

Leia também: “Terceira República Islâmica“, artigo de Márcio Coimbra

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