publicidade
Mundo

Trump estabelece nova configuração da política mundial

A aliança, ainda em formação, tem a capacidade conter outras potências, como China e países europeus

Donald Trump aproximação EUA Rússia
Donald Trump tem colocado em prática o discurso da campanha | Foto: RS/Fotos Públicas

A aproximação entre Estados Unidos (EUA) e Rússia tem possibilidade de ser um marco histórico e alterar o equilíbrio geopolítico global. A aliança, que ainda precisa ser efetivada, já acena para uma diminuição rara nas tensões entre os dois países.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Receba nossas atualizações

“A simples ideia de uma aliança entre EUA e Rússia dependeria de muitos fatores”, afirma a Oeste Daphne Klajman, coordenadora acadêmica do grupo Hilel, no Rio de Janeiro. “Um governo norte-americano que repensa suas alianças para conter a China e priorizar assuntos internos, enquanto a Rússia buscaria o fim das sanções, o reconhecimento de sua força e o enfraquecimento da Organização do Tratado do Atlântico Norte [Otan].”

O presidente dos EUA, Donald Trump, colocou em prática, neste início de mandato, o seu discurso de campanha. Nele, Trump prometia reduzir o apoio à Otan e retirar os EUA de conflitos, como o da Ucrânia, muito onerosos para o governo norte-americano, segundo ele. De fato, na última semana, ele travou uma negociação direta com Vladimir Putin, presidente da Rússia, sobre o fim da guerra, excluindo Ucrânia e europeus,

União entre EUA e Rússia ainda é incógnita

A viabilidade dessa parceria dependerá da habilidade diplomática de ambos os lados, avalia Klajman. A aliança tem a capacidade conter outras potências, como China e os países europeus. No entanto, também dá abertura para legitimar governos autoritários e enfraquecer blocos econômicos e alianças, como a Otan.

“Nesse cenário, um bloco formado por Europa e Índia poderia emergir como um contrapeso importante, que busca defender seus interesses e valores em um mundo multipolar”, observa a professora. “Veríamos, então, uma nova ordem mundial, com vários polos de poder, o que poderia levar a conflitos regionais. No final, o sucesso dessa aliança dependeria da habilidade dos líderes, da reação da comunidade internacional e de como as crises vão se desenvolver.”

As consequências de uma aliança ainda são uma incógnita. No entanto, pelo seu caráter inédito, podem ser tão positivas quanto, por alguns anos, os resultados do Start, acordo que foi o auge dos Salt. Em 1991, o acordo culminou com a eliminação de todos os mísseis balísticos e de cruzeiro de médio e curto alcance de ambos os países.

Leia também: “A reconstrução do vilão perfeito”, artigo de Guilherme Fiuza publicado na Edição 255 da Revista Oeste

Por anos, o mundo viveu uma tranquilidade jamais vista depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Mas, diferentemente daquela época, quando perdeu poder em função do fim da União Soviética e ficou entregue a oligopólios, a Rússia teria mais benefícios neste momento.

“É inegável que traria vantagens importantes para a Rússia”, acrescenta Klajman. “O fim das sanções econômicas impulsionaria sua economia, atraindo investimentos e tecnologia. Poderia voltar a ter reconhecimento como potência global, o que fortaleceria sua posição internacional, enquanto divisões na Otan e União Europeia (UE) aliviariam pressões.”

Leia mais: “Trump ameaça tarifar importações da União Europeia em 25%”

A China, por mais suporte que dê à Rússia neste momento, também é um empecilho para Putin garantir a influência russa na Ásia. Uma aliança com os norte-americanos seria, neste sentido, um contrapeso ao poder chinês na região, o que também interessa aos russos. Mas, assim como nos acordos dos anos 1970 e 1980 de desarmamento, haveria uma forte contrapartida.

“A Rússia teria alguns desafios, como o de fazer concessões políticas, principalmente em relação a direitos humanos”, completa a especialista. Essa movimentação em direção ao governo de Trump seria um retrato preciso de como, na geopolítica mundial, as escolhas sempre levam a perdas. Que precisam ser medidas em cada negociação. “A autonomia na política externa seria limitada, e as relações com a China poderiam ser prejudicadas.”

A paz, afinal, exige sacrifícios.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade