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EUA isentam café, carnes e aeronaves de tarifa proposta contra o Brasil

Lista de exceções tem 73 páginas e preserva parte relevante das exportações brasileiras; relatório mantém críticas ao Pix e à anulação de processos da Lava Jato

O presidente dos EUA, Donald Trump, segura um documento sobre "Barreiras ao Comércio Exterior" enquanto faz comentários sobre tarifas no Rose Garden na Casa Branca em Washington, D.C., EUA, 2 de abril de 2025 | Foto: Carlos Barria/REUTERS

Os Estados Unidos propuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas divulgaram uma lista de exceções que preserva parte relevante das exportações do país.

O documento tem 73 páginas e inclui itens como determinadas carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, minerais, terras raras, aeronaves e peças aeronáuticas, além de produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes.

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A proposta foi apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) depois da conclusão de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, de 1974.

Segundo o órgão, práticas adotadas pelo governo brasileiro seriam “irrazoáveis” e restringiriam o comércio norte-americano. Com o encerramento da apuração, o governo abriu uma nova fase de consulta pública antes de eventual adoção das medidas.

A investigação foi iniciada em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump. O prazo legal para definição e possível implementação das tarifas termina em 15 de julho de 2026.

EUA mantêm críticas ao Brasil

A conclusão da investigação ocorre enquanto Brasil e Estados Unidos tentam negociar uma solução para evitar novas barreiras comerciais. O grupo bilateral criado para discutir o tema ainda não conseguiu concluir os trabalhos, apesar da expectativa inicial de encerrar as conversas no começo de junho.

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No relatório final, o USTR distribui críticas em seis áreas: comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção. O órgão afirma que decisões judiciais brasileiras determinaram a remoção de conteúdos políticos e a suspensão de perfis em plataformas norte-americanas.

Pix, etanol e corrupção entram na mira

Pix foi uma invenção brasileira durante a presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central | Foto: Shutterstock

O Pix aparece entre os principais pontos questionados pelos Estados Unidos. Segundo o relatório, o Banco Central atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema, criando condições que afetariam concorrentes norte-americanos.

O documento também critica acordos comerciais firmados pelo Brasil com México e Índia, questiona a política ambiental do país e aponta falta de reciprocidade tarifária no mercado de etanol desde 2017. Na área de propriedade intelectual, o relatório menciona demora na análise de patentes e falhas no combate à pirataria.

O texto ainda conclui que o Brasil não adota medidas suficientes contra corrupção e suborno. Entre os exemplos citados estão a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo Supremo Tribunal Federal, a renegociação de acordos de leniência e a queda do país no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional.

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