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EUA sancionam empresas envolvidas com o petróleo do Irã

Medida é classificada como 'contra-terrorista' pelos norte-americanos

Irã petróleo Israel
Alguns países árabes costumam utilizar o petróleo como barganha contra Israel | Foto: Reprodução/Unplash

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 3, um novo pacote de sanções contra redes envolvidas no comércio de petróleo do Irã. De acordo com comunicado do Departamento do Tesouro, a medida tem como objetivo interromper o fluxo de recursos que financiam a organização terrorista Força Qods do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC-QF).

As sanções atingem uma complexa rede de empresas e embarcações acusadas de transportar e comercializar petróleo iraniano disfarçado como proveniente do Iraque. Segundo o Tesouro, o empresário iraquiano-britânico Salim Ahmed Said lidera parte desse esquema.

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As companhias sob seu controle utilizariam “transferências de navio para navio e outras técnicas de obstrução para esconder suas atividades”. Ainda segundo o governo norte-americano, documentos falsificados eram empregados para que o produto chegasse ao mercado com aparência de legitimidade.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que “como o presidente Trump deixou claro, o comportamento do Irã o deixou devastado” e que, “embora tenha tido todas as oportunidades de escolher a paz, seus líderes optaram pelo extremismo”.

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Bessent afirmou que os EUA continuarão a “mirar nas fontes de receita de Teerã” e intensificar a pressão econômica para restringir recursos que financiem atividades consideradas desestabilizadoras. O anúncio representa a oitava rodada de penalidades desde a emissão de um memorando presidencial que instituiu a chamada campanha de máxima pressão sobre o Irã.

Entre as empresas punidas está a VS Tankers FZE, registrada nos Emirados Árabes Unidos, considerada uma operadora de navios utilizados para misturar petróleo iraniano e iraquiano. Em abril de 2024, uma embarcação da companhia realizou quatro transferências de carga no Golfo Pérsico com o navio Casinova, já sancionado pelos EUA.

O Tesouro também mencionou que Said ampliou seus negócios em 2023, quando passou a operar o terminal VS Oil, situado no Iraque. Nesse local, o petróleo iraniano era descarregado e armazenado antes de receber certificados que permitiam sua venda como produto iraquiano.

Além de Said, outras empresas foram alvo de restrições, como a Rhine Shipping DMCC e a VS Petroleum DMCC. O governo norte-americano informou que “funcionários da VS Oil transportavam moeda forte em carros e caminhões rumo ao Irã, alguns carregando milhões de dólares, como pagamento pelo petróleo”.

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O Departamento de Estado também designou seis entidades e identificou quatro navios por transações significativas de compra e transporte de petróleo iraniano. O comunicado destaca que parte do petróleo movimentado pela chamada “frota sombra” do Irã foi destinada a compradores na Ásia, através de embarcações não sancionadas que operavam transferências de carga em alto-mar.

As sanções se estenderam a empresas e embarcações associadas à companhia Al-Qatirji Company, acusada de facilitar vendas de petróleo para o IRGC-QF e gerar centenas de milhões de dólares em receita. Uma dessas embarcações, o navio Elizabet, foi identificado por ter carregado petróleo iraniano na costa da Malásia, sob o disfarce de outro navio.

Com a inclusão dos alvos na lista de pessoas e entidades sancionadas (SDN List), todos os bens e interesses localizados nos EUA ou sob controle de cidadãos norte-americanos passam a ser bloqueados.

Estados Unidos ampliam pressão sobre o Irã | Foto: Reuters/Leah Millis
EUA ampliam pressão sobre o Irã | Foto: Reuters/Leah Millis

Transações financeiras ou comerciais entre os designados estão proibidas, salvo autorização especial. O Departamento do Tesouro enfatizou que “violações podem resultar em penalidades civis ou criminais” e alertou instituições financeiras estrangeiras sobre o risco de sanções secundárias.

O Tesouro esclareceu que “o poder e a integridade das sanções decorrem não apenas da capacidade de designar alvos, mas também da disposição de removê-los da lista quando houver mudança de comportamento”.

O governo norte-americano reforçou que essas medidas integram sua estratégia de pressionar economicamente o Irã e impedir que receitas do petróleo sejam usadas para atividades ligadas a grupos armados e redes classificadas como terroristas.

Leia também: “A América sempre reage”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 242 da Revista Oeste

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