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Familiares de reféns se encontram com secretário-geral da ONU e cobram: 'Olhe-me nos olhos'

António Guterres ouviu reclamações por causa, segundo os parentes, da falta de apoio da entidade ao drama dos sequestrados pelo Hamas

António Guterres
António Guterres foi cobrado disse que busca a intermediação | Foto: Reprodução/Instagram

Familiares e amigos de sequestrados em Gaza cobraram o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, por, segundo eles, não fazer o suficiente para ajudar na campanha pela libertação dos reféns. E o acusaram de demonstrar pouca preocupação com a situação deles. Os representantes se reuniram com Guterres na noite desta quinta-feira 14, em Nova York.

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Ye’ela David, cujo irmão Eviatar é refém em Gaza, interpelou o secretário-geral.

“Se quer a paz, tudo bem, mas você não pode dizer algo que justifique o massacre… Olhe-me nos olhos”, disse ela, conforme informou o Canal 12.

“Você precisa ir aos kibutzim e ao local da festa [Supernova, onde várias pessoas foram assassinadas], visitar Israel e ver o que nossos entes queridos passaram. Isso é o que um verdadeiro líder faz.”

O jornal The Times of Israel contou ainda que Hadar Cohen, de 19 anos, cujo irmão gêmeo, Nimrod, está mantido em cativeiro em Gaza, foi além. Presenteou, de forma irônica, o secretário-geral com um prato de arroz e pão pita, para ilustrar a escassa comida que os reféns libertados contaram que receberam.

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“Parece normal para você que seja isso que eles comem?”, ela perguntou, ainda segundo o Canal 12. “Não é suficiente para uma criança, certamente não para um adulto. Estes são direitos humanos básicos.”

“Meu irmão gêmeo está em cativeiro há 70 dias”, prosseguiu Hadar. “Você sabe o que significa não saber se ele está comendo ou dormindo? Se ele está sendo espancado?”

Guterres argumentou para as famílias que tinha feito preparativos para tentar visitar Israel, mas que o governo não lhe respondeu.

O diplomata expressou solidariedade às famílias dos reféns. No entanto, afirmou que não tinha força nem autoridade para libertá-los pessoalmente do cativeiro, segundo o jornal.

“Eu gostaria de ter feito isso”, disse ele em comentários vazados traduzidos para o hebraico.

“Se eu tivesse esse poder, estou lhe dizendo: a primeira coisa que eu faria seria trazê-los para casa, porque este é um crime terrível que tem um impacto duradouro.”

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“Não estou dizendo que é melhor quando alguém morre, mas quando um membro da família morre, ficamos de luto e podemos seguir em frente”, continuou Guterres.

“Mas quando alguém é sequestrado, e não sabemos o que está acontecendo com essa pessoa, sei exatamente o que isso significa e por que é tão significativo e apoio totalmente você.”

Israel pede a saída de Guterres

Nir Oz
Kibutz Nir Oz foi destruído pelos terroristas | Foto: Reprodução/Instagram

O secretário-geral acrescentou que está em conversas com líderes para que eles intermedeiem negociações pela libertação dos reféns.

Ele citou contatos com o presidente egípcio, Abdel Fattah El-Sisi, e com o primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, com o objetivo de encontrar uma solução.

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Entre 24 de novembro e 1° de dezembro, durante uma trégua nos combates, 105 reféns civis foram libertados, em troca de prisioneiros palestinos em Israel.

Há a estimativa de que 132 sequestrados ainda estejam sob controle dos terroristas, segundo o The Times of Israel.

Antes da pausa, quatro reféns haviam sido libertados e um, resgatado pelas tropas.

Foram recuperados corpos de oito reféns. A Forças de Defesa de Israel informaram que 20 dos reféns que ainda estão nas mãos do Hamas foram mortos.

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Outro parente dos reféns, Maurice Schneider, acusou a ONU e a Cruz Vermelha de estarem apoiando somente um lado, o do Hamas, nesta guerra.

“Só vejo dessa maneira, não vejo preocupação com o nosso lado”, disse, em entrevista dos parentes em São Paulo, na quarta-feira 14. “Há um lado que sofre e outro [o Hamas] que desfruta do nosso sofrimento.”

Schneider é peruano-israelense, mora em Nova York e participa de campanha pela volta dos reféns.

Ele é tio-avô das crianças Bibas, os meninos de Ariel, 4 anos, e Kfir, de 10 meses, sequestrados ao lado dos pais, Shiri e Yarden, em um kibutz, nos ataques do Hamas em 7 de outubro.

Israel declarou guerra ao Hamas depois da invasão do grupo terrorista, que deixou cerca de 1,2 mil mortos no sul do país.

O governo de Israel, descontente com a conduta de Guterres, defende a demissão do secretário-geral. O ministro das Relações Exteriores israelense, Eli Cohen se enfureceu com nova carta de Guterres, em que ele pede novo cessar-fogo.

Cohen definiu o mandato do chefe da ONU como “um perigo para a paz mundial.” Guterres chegou a dizer que “os ataques do Hamas não aconteceram no vácuo.”

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