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França: ciclone deixa cerca de mil mortos em arquipélago

Evento climático foi o mais devastador no Oceano Índico em nove décadas

Macron; França
Passagem do Ciclone Chido deixa rastro de destruição em Mayotte, arquipélago sob domínio da França no Oceano Índico — 16/12/2024 | Foto: Chafion/Madi

Estima-se que cerca de mil pessoas perderam a vida no impacto do ciclone Chido em Mayotte, arquipélago da França. O prefeito do território, François-Xavier Bieuville, declarou isso nesta segunda-feira, 16.

Este foi o evento climático mais devastador no Oceano Índico em nove décadas. Os moradores descreveram os danos como comparáveis aos efeitos de uma “bomba atômica”. “Acho que há algumas centenas de mortos, talvez cheguemos perto de mil, até milhares, dada a violência deste evento”, afirmou Bieuville em entrevista a uma televisão local. Ele explicou que ainda é muito difícil obter dados precisos sobre as vítimas.

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Relatórios oficiais revelam que um hospital em Mayotte recebeu nove pessoas em estado crítico e registrou 246 feridos. Apesar disso, o Ministério do Interior da França destacou a dificuldade em determinar uma contagem exata.

Equipes de resgate enfrentam desafios

Equipes de resgate vindas da França continental e da Ilha da Reunião enfrentam desafios para salvar sobreviventes e restabelecer serviços essenciais. Segundo informações de Paris, um contingente de 1,6 mil policiais, bombeiros e socorristas participa das operações.

As equipes contam com o suporte de navios e aeronaves militares. “Os próximos minutos e horas são muito importantes”, afirmou Alexandre Jouassard, porta-voz da segurança civil francesa, ao canal France 2. Ele destacou que, mesmo em condições extremas, ainda há chances de localizar sobreviventes dias depois do desastre.

Mayotte, um departamento ultramarino da França, é formado por duas ilhas principais localizadas a cerca de 805 km da costa leste da África. No sábado 14, o ciclone causou grandes estragos e atingiu também as ilhas de Comores e Madagascar.

Nesta segunda-feira, o fenômeno avançou sobre Moçambique. Malawi e Zimbábue também elaboraram planos para evacuar áreas sujeitas a inundações. A agência Meteo-France classificou a tempestade como a mais intensa registrada na região em mais de 90 anos. Ventos superiores a 200 km/h arrancaram telhados e destruíram construções, deixando inúmeras famílias sem abrigo.

Presidente da França anunciou reunião de emergência para tratar a crise

O presidente francês Emmanuel Macron expressou solidariedade à população de Mayotte e anunciou uma reunião de emergência para tratar da crise.

“Meus pensamentos estão com nossos compatriotas em Mayotte, que passaram pelas horas mais horríveis e que, para alguns, perderam tudo, perderam suas vidas”, declarou Macron.

Além dos danos materiais, o principal aeroporto e o maior hospital de Mayotte sofreram sérias avarias. O novo primeiro-ministro francês, François Bayrou, alertou sobre o risco de deslizamentos em áreas precárias e enfatizou a fragilidade da infraestrutura local.

O monitor NetBlocks afirmou que interrupções quase totais deixaram o acesso à internet indisponível por mais de 36 horas, com apenas 16% da conectividade normal sendo restabelecida.

Mayotte, com pouco mais de 300 mil habitantes, já enfrentava problemas graves antes do ciclone. Um terço da população vive como imigrantes irregulares. A seca, a violência de gangues e a falta de investimentos são desafios que se acumulam há décadas.

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