publicidade
Mundo

Futebol: regra atual do impedimento completa 100 anos

Até o surgimento desta lei, em 6 de junho de 1925, o jogador estaria em posição irregular se estivesse à frente de três defensores, o que diminuía muito as chances de gol

Futebol regra impedimento 100 anos
Bandeirinha austríaco Clemens Schüttengruber assinala impedimento | Foto : Reprodução/Wikimedia Commons

Em 8 de junho de 1925, o futebol passou por uma de suas mudanças mais significativas. Neste domingo, 8, se completam 100 anos desde a reunião anual da Football Association, que aprovou a alteração na regra do impedimento.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Receba nossas atualizações

A partir de então, bastaria que dois defensores estivessem entre o atacante e o gol no momento do passe para que ele estivesse em posição legal. A nova diretriz foi incorporada oficialmente às Leis do Jogo pela International Football Association Board (IFAB).

Antes, a regra exigia a presença de três defensores entre o atacante e o gol, o que favorecia sistemas defensivos rígidos e resultava em um número cada vez menor de gols. O estilo de jogo era travado.

O público nos estádios se queixava da falta de emoção nas partidas. Em 1990, a regra passou a considerar em posição legal jogadores que estivessem na mesma linha que o adversário.

Para testar possíveis soluções, a IFAB organizou um jogo experimental em 30 de março de 1925, no estádio de Highbury, em Londres. Foram avaliadas duas propostas: a primeira reduzia o número de defensores necessários para validar a posição legal do atacante; a segunda propunha a criação de uma linha imaginária a 40 jardas do gol, além da qual não haveria impedimento. A primeira proposta foi escolhida por sua simplicidade e eficácia imediata.

O impacto da mudança foi perceptível já na temporada seguinte. A média de gols por jogo na liga inglesa saltou de 2,58 para 3,69, o que alterou o comportamento das equipes em campo e exigiu novas respostas táticas.

O técnico Herbert Chapman, do Arsenal, desenvolveu o sistema WM (3-2-2-3), reorganizando o time para aproveitar os espaços criados pela nova interpretação da regra. A formação se espalhou pela Europa e influenciou diversas gerações de treinadores.

No Brasil, a mudança também teve consequências práticas. Em 1951, o técnico Martim Francisco, do América-MG, criou a figura do quarto-zagueiro como resposta à vulnerabilidade defensiva deixada pelo sistema WM. A adaptação foi incorporada às escolas táticas sul-americanas e se tornou base para outras formações nas décadas seguintes.

A mudança ocorreu porque, naqueles tempos, a técnica do centro-médio brasileiro era muito apurada para ele se tornar zagueiro. Antes Houve um período de transição, no país, antes do surgimento do quarto zagueiro.

Novos sistemas no futebol com a regra do impedimento

O professor de Educação Física, Eduardo Christmann Cardoso da Silva conta durante excursões à Argentina em 1941, Flávio Costa (Flamengo) e Ondino Vieira (Fluminense) observaram o avanço tático dos rivais. Suas equipes foram derrotadas com facilidade. Em resposta, recuaram um dos meias laterais para formar um terceiro zagueiro. Desta maneira, foi criado o chamado sistema diagonal, também apelidado de WM torto.

Leia mais: “Insegurança, alegria, corrupção e futebol marcam o povo brasileiro, avaliam portugueses”

Flávio Costa recuou Juscelino, meia-direita, criando a diagonal pela direita. Ondino Vieira recuou Affonso, meia-esquerda, criando a diagonal pela esquerda. Foi o prenúncio da mudança depois concretizada por Martim. Com o surgimento do quarto-zagueiro, no futebol brasileiro passou a prevalecer o sistema 4-2-4 com dois zagueiros centrais, dois laterais, dois meio-campistas e quatro atacantes.

Até então, prevalecia o WM, como ocorreu nas Copas de 1930, 1934 e 1938. Somente nesta última o Brasil começou a mostrar sua real força e ficou na terceira colocação, com os craques Leônidas da Silva, Romeu, Tim e Perácio, entre outros.

Mas a figura do quarto zagueiro se efetivou mesmo na Copa do Mundo de 1958. O técnico Vicente Feola, inspirado no húngaro Béla Guttmman, que com ele trabalhou no São Paulo, finalmente formalizou o recuo de um jogador para a posição, ao escalar Orlando Peçanha ao lado do zagueiro central, forte na marcação, Bellini. Coincidência ou não, a equipe se tornou mais equilibrada e, com a genialidade de Pelé e Garrincha, se sagrou campeã mundial.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade