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Irã: aiatolá recluso tenta conter divisão no governo

Mojtaba Khamenei permanece isolado e sob forte proteção, mas sua preocupação de manter união é sinal que há divergências no regime

Mojtaba Khamenei e Ali Larijani Irã
Mojtaba Khamenei e Ali Larijani, morto na guerra iniciada em fevereiro | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, continua em estado grave, porém estabilizado, cerca de dois meses depois dos ataques ao complexo da família. Mesmo ferido, ele tenta passar mensagem de força. Na verdade, sua preocupação é evitar uma ruptura no comando do país, hoje dividido entre correntes que defendem a via diplomática e setores que pressionam por confronto e pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Nesse sentido, os objetivos do presidente Donald Trump surtiram algum efeito, já que começam a transparecer divergências no comando iraniano.

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Segundo uma reportagem do The New York Times, Khamenei permanece isolado e sob forte proteção. O acesso ao líder é extremamente restrito. Ele é acompanhado por uma equipe médica permanente, da qual fazem parte o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que tem formação em cirurgia cardíaca, e o ministro da Saúde, Mohammad Reza Zafarghandi. Comandantes militares e autoridades civis evitam visitá-lo pessoalmente por receio de que deslocamentos até o esconderijo possam ser rastreados por Israel.

O líder passou por três cirurgias numa das pernas e deverá receber uma prótese. Uma das mãos também foi operada e começa a recuperar os movimentos. Além disso, ele sofreu queimaduras graves no rosto e nos lábios, o que dificulta a fala e exigirá novos procedimentos de reconstrução. Apesar das lesões, autoridades afirmam que Khamenei permanece lúcido e acompanha os principais acontecimentos políticos.

Para não expor sua imagem comprometida, o líder não tem aparecido em vídeos nem gravações de áudio. A comunicação com o governo ocorre por um sistema discreto: mensagens escritas à mão são enviadas em envelopes lacrados por mensageiros que percorrem rotas secundárias até o local onde ele está escondido, e suas orientações retornam pelo mesmo caminho.

Khamenei tem mesmo todos os motivos para se preocupar. Em março, durante coletiva, o porta-voz militar israelense Effie Defrin afirmou que as Forças de Defesa de Israel não sabem ainda do paradeiro do aiatolá, mas acrescentou: “Continuaremos a perseguir qualquer um que represente uma ameaça ao Estado de Israel… Nós o perseguiremos, o encontraremos e o neutralizaremos.”

Desde o início da guerra, em fevereiro, entre 40 e 50 integrantes do alto escalão do Irã, do núcleo político-militar do regime, foram mortos. Entre eles estão o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do regime iraniano desde 1989 e autoridade máxima sobre as Forças Armadas e a política externa do país. Também foi morto Ali Shamkhani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e um dos principais estrategistas do sistema de defesa iraniano.

Outro alvo foi Ali Larijani, influente dirigente do regime e ex-presidente do Parlamento iraniano, figura central na articulação política do establishment. Entre os militares, morreram o ministro da Defesa Aziz Nasirzadeh e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, responsável por coordenar a força mais poderosa do aparato militar iraniano e por supervisionar operações externas e o apoio a milícias terroristas no Oriente Médio.

Divergências no Irã

Com a mobilidade reduzida de Khamenei, parte da condução do governo passou a ser exercida por generais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Entre os nomes mais influentes estão Hossein Taeb, Mohsen Rezaei e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, frequentemente descritos como um “triângulo de poder” que atua ao lado do líder.

Leia também: “O estudante e o soldado”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 318 da Revista Oeste

Embora setores reformistas participem das discussões internas, o peso maior tem sido dos militares. A divergência ficou evidente recentemente, quando foi cancelada a participação de uma delegação iraniana em negociações no Paquistão. Enquanto o presidente Pezeshkian defendia conversas para aliviar o impacto das sanções, comandantes militares argumentaram que as negociações eram inúteis diante do bloqueio naval imposto pelos EUA e das tensões que envolvem o Estreito de Ormuz.

Para a analista Sanam Vakil, diretora do programa para Oriente Médio e Norte da África do Chatham House, Khamenei ainda é tratado com respeito dentro do sistema político iraniano, mas nem sempre exerce controle total sobre as decisões. Muitas vezes, afirma, ele é informado sobre resoluções já encaminhadas por outros centros de poder. Mesmo assim, sua posição continua sendo considerada nas decisões estratégicas do regime.

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1 comentário
  1. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    Irã , está uma merda só depois da surra que levou de Israel e dos americanos, sem comércio com o mundo com os portos bloqueados sem comando definido , sem exército , ( tem milhares de soldados armados com fuzis de assalto, esperando alguma invasão que nao vai acontecer, ao tem força área , nem aviões comerciais , não tem marinha a nem aqueles botes com motor de popa usado para fazer a encenação de captura de um navio parad a meses e sem tripula cão kkk

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