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Irã e economia levam eleições dos EUA ao cenário de 1980

Disputa entre Donald Trump e Kamala Harris tem pauta semelhante à que levou Ronald Reagan à presidência, ao superar Jimmy Carter

Trump e Kamala eleições 2024 EUA
Trump tem muito da visão de Reagan e Kamala, de Carter | Foto: RS/Fotos Públicas

A campanha para as eleições desta terça-feira, 5, nos Estados Unidos (EUA), levou o país a reviver em parte o cenário de 1980. O pleito daquele ano definiu uma nova etapa para os norte-americanos, depois de, pela primeira vez, colocar de forma clara duas visões de mundo em contraposição.

Ex-ator, o republicano Ronald Reagan utilizou seu carisma hollywoodiano para novamente aglutinar as forças conservadoras na ocasião.

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Ele venceu com facilidade o democrata Jimmy Carter, então presidente, impulsionado por situações semelhantes às atuais: a ameaça iraniana e a liberalização da economia. Obteve votos de 489 delegados no Colégio Eleitoral, contra apenas 49 de Carter. A vitória é alcançada com 270 delegados.

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O atual candidato republicano Donald Trump acusa a gestão do democrata Joe Biden de fragilidade diante dos conflitos internacionais. E considera que a candidata Kamala Harris vai prosseguir nesta política, dita permissiva, com até mais intensidade.

Nos anos 1980. Reagan ganhou a confiança popular diante de um Carter titubeante em relação ao Irã.

Na gestão de Carter, o Irã passou por uma revolução que o levou a se tornar uma teocracia islâmica radical. Na Revolução Iraniana, o aiatolá Khomeini assumiu o poder e o então presidente iraniano Xá Reza Pahlevi , apoiado pelos EUA, foi destituído e exilado.

O poderio norte-americano passou a ser desafiado pelo país persa. Carter perdeu apoio interno por não conseguir se contrapor com eficiência às ameaças.

A crise dos reféns no Irã foi um dos eventos internacionais mais marcantes da presidência de Carter e teve um impacto devastador em sua popularidade. Em novembro de 1979, a embaixada dos EUA em Teerã foi invadida por estudantes iranianos, que mantiveram 52 norte-americanos como reféns por 444 dias. Era o regime iraniano esticando a corda para saber até onde ia a reação dos EUA.

Carter buscou resolver a situação por meio de negociações e autorizou a Operação Eagle Claw, uma tentativa de resgate que fracassou e resultou na morte de oito soldados americanos. Esse fracasso reforçou uma imagem de fraqueza e ineficácia, prejudicando ainda mais a percepção pública de sua administração.

Leia mais: “Estudo mostra que imprensa favorece Kamala Harris na campanha presidencial dos EUA”

A situação só foi resolvida meses depois, com o Acordo de Argel. E os reféns foram libertados, por ironia, no mesmo dia em que Reagan tomou posse, em 20 de janeiro de 1981.

No atual momento, em meio ao conflito com Israel, depois dos ataques do terrorista Hamas, o Irã tem feito reiteradas ameaças ao país judaico e aos Estados Unidos.

No ponto de vista da economia, Reagan se aproveitou de uma forte alta da inflação na gestão de Carter. Os EUA enfrentaram, naquele período, uma crise econômica caracterizada pela estagflação — inflação alta combinada com estagnação econômica e elevado desemprego.

A inflação anual ultrapassava os 10%, e o Federal Reserve, sob comando de Paul Volcker, havia elevado as taxas de juros para controlá-la, o que também desacelerava o crescimento.

Esse cenário causou insatisfação generalizada no país. Os norte-americanos, com isso, estavam descontentes com o custo de vida crescente e a falta de crescimento econômico.

Reagan aproveitou essa insatisfação ao prometer uma nova abordagem para estimular a economia e cortar impostos, o que realmente ocorreu, com controle da inflação. O corte também levou a um aumento do déficit público, em função de a arrecadação não ter sido como a prevista.

Testemunha ocular nos EUA

A ascensão de Reagan, que ainda venceu Walter Mondale na disputa pela reeleição, simbolizou o estabelecimento, pela primeira vez no país, da Nova Direita.

Tal movimento se mobilizou para elegê-lo como parte de um esforço para reduzir o papel do governo, promover valores tradicionais e fortalecer a segurança nacional.

“Donald Trump desafiou e mudou a direção do nosso país, convocando os americanos para uma nova visão e transmutando as nossas atitudes e compromissos subjacentes”, descreve o trecho da contracapa do livro Trump e Reagan – Defensores da América, de Nick Adams.

“Que melhor maneira de compreender a presidência de Trump do que compará-lo ao seu antecessor conservador transformacional – Ronald Reagan – que também alterou permanentemente o cenário político?”

Com um discurso de renovação moral e patriótica, Reagan conseguiu energizar e unir a base conservadora, em contraste com as divisões internas do Partido Democrata naquele momento.

Atualmente, os democratas não estão tão divididos, mas as questões externas e a instabilidade econômica, assim como nos anos 1980, têm se constituído um desafio difícil de ser superado pelo atual governo dos EUA.

Falecido em 2004, em Bel Air, na Califórnia, aos 93 anos, Reagan não estará aqui para testemunhar, de fato, se os resultados levarão o país a uma nova etapa conservadora.

Jimmy Carter continua vivo. Aos 100 anos, que completou no dia 1º de outubro, verá os desdobramentos de um cenário político que ecoa os desafios enfrentados em sua presidência.

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