O ex-preso político Iraj Mesdaghi se tornou um dos símbolos de como antigos militantes de esquerda se arrependeram de ter apoiado a Revolução Islâmica de 1979 no Irã. Ele ficou preso por mais de uma década, sobreviveu às execuções em massa de 1988 e, no exílio, passou a denunciar violações de direitos humanos. Hoje, integra um comitê ligado a Reza Pahlavi, filho do xá deposto pelos radicais, para discutir uma possível transição política.
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Na época, o movimento revolucionário foi impulsionado por uma visão ideológica rígida, marcada pela oposição entre imperialismo e resistência. O regime do xá era visto como alinhado aos Estados Unidos (EUA) e, portanto, incompatível com mudanças sociais profundas. O cenário pós-revolução, porém, mudou essa percepção. Muitos dos que participaram do movimento acabaram perseguidos pelo próprio regime islâmico, com prisões, execuções e repressão sistemática.
Mesdaghi, agora, rejeita rótulos ideológicos: afirma que o mais importante não é o modelo de governo, mas como reconstruir o Irã. Nascido em Teerã em 1960, sua atividade política teve início na adolescência. Viajou para os EUA para atuar na Confederação de Estudantes Iranianos antes de retornar ao país depois da revolução. Em poucos anos, acabou preso: primeiro na prisão de Ghezel Hesar, depois em Evin e Gohardasht. Permaneceu por mais de uma década atrás das grades, entre 1981 e 1991.
“Não sou republicano, não sou monarquista”, disse ele ao The Jerusalem Post. “Isso não é importante para mim. O que é importante é como queremos reconstruir o Irã.”
Outros ex-ativistas, como Hossein Malek, fazem autocríticas duras. Há reconhecimento de erros de análise, influência excessiva de ideologias e desconhecimento sobre o que o novo regime representaria. Também cresce a percepção de que a aliança tática entre esquerda e islamismo político contribuiu para o fortalecimento da República Islâmica.
O país, desde então, vive um impasse. Protestos recorrentes, em 1999, 2009, 2019 e 2022, demonstram insatisfação popular, mas não resultaram em mudanças estruturais, em parte pela ausência de uma liderança unificada.
Irã e Reza Pahlavi
Nesse contexto, o príncipe Reza Cyrus Pahlavi, de 64 anos, filho de Mohammad Reza Pahlavi, o último xá do Irã, ganha espaço como possível figura de convergência. Sem defender explicitamente a volta da monarquia, ele propõe que o sistema de governo seja decidido por referendo, o que amplia seu alcance entre diferentes grupos.
Uma nova geração, que cresceu sob o regime atual, também começa a demonstrar apoio ao seu nome, mesmo sem ter vivido o período monárquico. Maleki e Mesdaghi até se reuniram com Pahlavi em Paris, neste mês de março, para traçar objetivos em relação ao futuro do país.
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Maleki destaca a rigidez ideológica e o desequilíbrio de informações que, segundo ele, fizeram os esquerdistas radicalizarem a oposição ao então xá. “O discurso político dominante era o da justiça social, estruturado a partir dos conceitos de ‘esquerda’ e ‘direita’”, explicou. “Nosso conhecimento e as informações que tínhamos sobre o desempenho do governo anterior eram, em grande parte, unilaterais.”
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