O governo da Venezuela anunciou neste sábado que recebeu do Irã uma oferta de cooperação ampla para enfrentar o que considera “pirataria e terrorismo internacional” perpetrados pelos Estados Unidos (EUA) nas águas do Caribe.
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A declaração, relata a AFP, foi feita pelo ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yván Gil, depois de uma ligação com seu homólogo iraniano, Abás Araqchí. Segundo Gil, Teerã se comprometeu a prestar apoio “em todos os domínios”, reforçando a solidariedade à Venezuela diante da crescente pressão norte-americana. E chamou a ação dos EUA de “roubo de navios.”
A conversa entre os chanceleres abordou especificamente “os acontecimentos recentes nas Caraíbas, especialmente as ameaças, atos de pirataria dos EUA e o roubo de navios carregados com petróleo venezuelano”, conforme relatou Gil em suas redes.
O ministro destacou que a ação dos EUA, que apreenderam recentemente um segundo petroleiro venezuelano em águas internacionais, é interpretada por Caracas como uma violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional. “Venezuela recebeu uma demonstração plena de solidariedade do governo da República Islâmica do Irã”, reforçou.
Nos últimos dias, Washington intensificou medidas de pressão contra Caracas. O presidente Donald Trump decretou um bloqueio total a navios sancionados que operam com petróleo venezuelano, incluindo 29 embarcações e suas empresas gestoras, acusadas de integrar a chamada “frota fantasma” do Irã, responsável por transportar óleo e derivados iranianos de forma a contornar sanções internacionais.
Aproximação entre Venezuela e Irã
Autoridades norte-americanas não descartam ainda a possibilidade de um conflito militar com a Venezuela, e classificam Maduro como líder de uma suposta organização terrorista ligada ao narcotráfico. Caracas rejeita a acusação, considerando-a um pretexto para mudança de regime.
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O estreitamento das relações entre Venezuela e Irã remonta ao governo de Hugo Chávez e se manteve sob a ditadura de Nicolás Maduro, incluindo assistência em combustível, alimentos e medicamentos.
Além do Irã, outros aliados internacionais, como China e Rússia, também manifestaram apoio a Maduro frente à presença militar dos EUA na região. Durante a ligação, os chanceleres revisaram ainda o “acordo estratégico” bilateral que sustenta a cooperação entre os dois países.
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