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Irã tem onda de protestos depois de queda histórica da moeda local

O regime prometeu, nesta terça-feira, 30, ouvir as reivindicações dos manifestantes

Irã tem onda de protestos depois de queda histórica da moeda local
Homem se interpõe entre as forças de segurança do Irã e manifestantes em Teerã | Foto: Reprodução/X

O Irã registra uma onda de protestos populares depois de a moeda local atingir seu valor mais baixo na história. Nesta segunda-feira, 29, comerciantes fecharam lojas em Teerã, e confrontos foram registrados em ruas da capital, onde as forças de segurança lançaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, conforme imagens divulgadas nas redes sociais.

O regime iraniano atribui os protestos e a crise econômica a campanhas de desinformação promovidas por adversários externos. O vice-ministro do Interior para segurança, Ali Akbar Pourjamshidian, que também é general de brigada do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), afirmou que “grande parte dos problemas e flutuações cambiais é influenciada pela atmosfera psicológica do mercado”.

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“O inimigo está desesperadamente tentando tirar proveito do ambiente criado”, afirmou à agência semioficial Tasnim News Agency. “As pessoas devem estar cientes disso e não se deixar influenciar pelas insinuações do inimigo. O mercado deve continuar funcionando de forma tranquila, e as pessoas não devem se preocupar.”

O IRGC classificou as manifestações como resultado de “guerra cognitiva, operações psicológicas e criação de narrativas” que buscam incentivar medo e desespero. O regime iraniano também apontou as recentes medidas de liberalização econômica como fator de pressão sobre a cotação do rial.

A Tasnim acusou os protestos de serem, em parte, impulsionados por contas associadas ao “regime sionista”. A mídia estatal iraniana também culpou as recentes políticas de liberalização econômica do governo por pressionar a taxa do mercado aberto.

O rial iraniano vem se desvalorizando à medida que a economia sofre o impacto das sanções ocidentais. Nesta segunda-feira, a moeda caiu para cerca de 1,39 milhão por dólar dos Estados Unidos, segundo a agência Reuters.

Nesse contexto, o regime iraniano nomeou Abdolnaser Hemmati como chefe do Banco Central nesta segunda-feira, cargo que já havia ocupado de 2018 a 2021. O chefe anterior da autoridade monetária do Irã sofreu impeachment em março, devido à disparada da inflação.

Nos oito meses em que Hemmati foi ministro da Economia, o rial perdeu quase metade de seu valor frente ao dólar, segundo algumas estimativas. Relatos ouvidos pela Reuters sugerem que a recondução dele ao banco central alimentou a ira dos manifestantes.

O novo agravamento da crise econômica começou depois de o governo elevar o preço do combustível subsidiado, uma decisão que vinha sendo adiada desde os grandes protestos de 2019, que foram reprimidos pelo Estado.

O governo do Irã afirmou, nesta terça-feira, 30, que buscará diálogo com líderes dos protestos. Na noite anterior, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou, em publicação nas redes sociais, ter pedido ao ministro do Interior que ouvisse as “demandas legítimas” dos manifestantes.

A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, afirmou que será criado um mecanismo de diálogo, que incluirá conversas com líderes das manifestações. “Nós reconhecemos oficialmente os protesto”, disse nesta terça-feira, em declarações divulgadas pela mídia estatal. “Ouvimos suas vozes e sabemos que isso se origina da pressão natural decorrente das dificuldades no sustento das pessoas.”

Economia do Irã está à beira da recessão

A economia iraniana corre risco de recessão. O Banco Mundial prevê retração de 1,7% em 2025 e 2,8% em 2026. O risco é agravado pela inflação alta: o Centro Estatístico do Irã anunciou inflação mensal de 48,6% em outubro, a mais alta em 40 meses.

Além das questões econômicas, manifestantes entoaram palavras de apoio ao príncipe herdeiro iraniano exilado Reza Pahlavi. “Que a alma de Reza Shah seja feliz” e “esta não é a última batalha, Pahlavi voltará” foram alguns dos gritos, segundo gravações que circulam on-line. Pahlavi apoiou os protestos em uma mensagem nas redes sociais.

“Envio minhas saudações a vocês, comerciantes do bazar, e às pessoas que tomaram as ruas em suas próprias mãos”, disse em um vídeo. “Enquanto este regime permanecer no poder, a situação econômica do país continuará a se deteriorar.”

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