publicidade
Mundo

Iranianos denunciam massacre em mercado no norte do país

Ditadura pode ter assassinado 80 mil civis em menos de um mês

Procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi-Azad | Foto: Reprodução

Civis foram mortos por agentes do Estado em um mercado na cidade de Resht, no norte do Irã. Muitos morreram queimados, e outros, depois de serem alvejados enquanto tentavam fugir do incêndio proposital causado por soldados da ditadura.

+ Leia mais de notícias de Mundo em Oeste

Receba nossas atualizações

Refugiados ouvidos por Oeste relataram que o massacre aconteceu na quinta-feira, 8 de janeiro. Mas as imagens começaram a chegar apenas nesta sexta-feira, 23, depois de dias de apagão do sistema de internet imposto pelo regime no país. Contudo, o contato da população com a comunidade internacional segue instável. “Minha amiga consegue ficar conectada por poucos segundos, manda alguns arquivos e perdemos a conexão”, relatou um dos iranianos que se refugiou no Brasil.

O massacre no mercado

“Meu amigo era dono de um restaurante, foi fazer compras para trabalhar e terminou o dia morto”, diz uma das fontes ouvidas sob condição de anonimato. De acordo com o relato, os agentes do governo atearam fogo ao mercado para simular um ato terrorista da oposição. Enquanto o fogo se espalhava, as milícias estatais passaram a atirar nas pessoas que tentavam sair do lugar em chamas. Segundo os sobreviventes, o local queimou por 90 minutos sem qualquer intervenção do corpo de bombeiros. “Quem não morreu queimado perdeu a vida alvejado”, afirma, depois de mostrar a foto do corpo carbonizado do amigo em Resht.

Um vídeo enviado por sobreviventes aos refugiados no Brasil mostra o mercado antes e depois da tragédia. As imagens fazem a comparação entre novembro de 2025, quando havia movimento intenso de comerciantes, e as cenas de janeiro, com o mercado reduzido a escombros e cinzas.

Com mais de 500 mil habitantes, a cidade está entre as mais populosas do país. De acordo com testemunhas, a população esteve perto de assumir o poder local, em meio aos protestos, pouco antes do assassinato em massa começar.

Segundo testemunhas, as vítimas foram alvejadas por armas de uso em batalhas de guerra, como metralhadoras. À medida que as famílias dos mortos e os sobreviventes conseguem acesso à internet, mais vídeos são enviados para o exterior, com evidências de massacres em outras partes do país.

Entre as cenas, há um galpão em Teerã, capital do Irã, com dezenas de corpos espalhados pelo chão, entulhados lado a lado. A instalação pertence ao governo. Os agentes da ditadura recolhem os corpos em locais como esse para depois cobrarem pelo resgate dos cadáveres. As cifras variam de centenas a alguns milhares de dólares, a depender de quem os reivindica. Caso o pagamento não seja feito, o morto vai para uma vala comum, empilhado a outros, sem direito a identificação.

Iranianos nas ruas

Na última semana de 2025, manifestantes começaram a tomar as ruas do Irã em protestos contra o aumento do custo de vida no país. À medida que os protestos se tornaram mais volumosos, a reivindicação passou a ser a queda do regime: a ditadura islâmica no comando há quase 50 anos.

Ditadura dos aiatolás no Irã

Em 1979, o Irã passou de monarquia laica para ditadura islâmica. Mohammad Reza Pahlavi foi deposto do cargo de xá, equivalente a rei. Em seu lugar, assumiu como líder supremo Ruhollah Khomeini, um aiatolá, palavra árabe para “sinal de Deus”, usada para designar membros do alto clero muçulmano xiita.

Ali Khamenei, líder supremo da da ditadura no Irã, em foto junto com o quadro de Ali Khamenei | Foto: Reprodução/X

Sob o comando dos aiatolás, o Irã se afastou do Ocidente, especialmente dos Estados Unidos, com quem cortou relações diplomáticas oficiais. O modo de vida passou a ser imposto segundo a interpretação fundamentalista do grupo no poder sobre a religião muçulmana. Homens e mulheres não têm os mesmos direitos. Homossexuais são punidos com a pena de morte. Judeus e cristãos não são iguais perante a lei.

Inimigos de Deus

Oficialmente, a ditadura trata os manifestantes como “mohareb”. Mohammad Movahedi-Azad, procurador-geral do país, usou o termo para se referir às pessoas que participam dos protestos no Irã. Trata-se do jargão jurídico para “inimigos de Deus”, o que a legislação iraniana define como um crime punível com a morte.

Desde que a recente onda de protestos teve início, milhares de iranianos foram mortos por agentes do Estado. Relatórios médicos independentes listam mais de 20 mil mortes — segundo a Organização das Nações Unidas, algumas estimativas se aproximam de 80 mil vítimas.

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Não há dúvida que o Trump estimulou o povo iraniano a manter os protestos prometendo que a ajuda estava chegando. Muitos devem ter morrido acreditando nisso. Talvez a ajuda chegue, mas não chegará a tempo de ajudar a enterrar os mortos.

  2. Marcus Magalhães
    Marcus Magalhães

    Grande parte desse massacre vai entrar na conta do sr. trump afinal incentivou a população ir as ruas protestar que a ajuda estava a caminho , lamentável um país de pessoas de bem ser desgovernado por esse fanáticos dos infernos exterminar seu próprio povo por poder, por fé ao demônio . O trump vai carregar esse trauma e ainda nos deve explicações sobre revogação das sanções ao Brasil e ao psicopata.

  3. Luiz fernando Chalet ferreira
    Luiz fernando Chalet ferreira

    E ai, cadê o Itamarati?E o asponeamorim?

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade