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Este cadáver não serve

Para a esquerda, os corpos de Iryna Zarutska e Charlie Kirk não servem nem de palco, nem de ponto de reflexão

Cena mostra o assassinato da refugiada ucraniana Iryna Zarutska | Foto: Charlotte Area Transit System
Cena mostra o assassinato da refugiada ucraniana Iryna Zarutska | Foto: Charlotte Area Transit System

Em 22 de agosto de 2025, a refugiada ucraniana Iryna Zarutska, de 23 anos, foi brutalmente assassinada a facadas por Decarlos Brown Jr., de 34 anos, durante uma viagem no trem da linha Lynx Blue, em Charlotte, Carolina do Norte. O ataque foi registrado por câmeras de segurança e aconteceu apenas quatro minutos depois do embarque. Brown sentou-se atrás da jovem e, sem qualquer provocação aparente, iniciou a agressão fatal. O assassino foi detido logo na estação seguinte, e responderá por homicídio em primeiro grau e também a uma acusação federal, que poderá levá-lo à prisão perpétua ou até à pena de morte.

Decarlos, até mês passado, havia acumulado cerca de 14 detenções por muitos crimes, entre eles, o de invasão à residência, assalto a mão armada, furtos etc. Na imagem do assassinato, é possível ver que Iryna Zarutska estava distraída o bastante para não perceber que iria ser brutalmente morta com golpes de canivete em seu pescoço. O assassinato chocou os Estados Unidos de forma profunda, rompendo a tão forte bolha do ressentimento racial naquele país; a ponto de que a mídia progressista viu a hegemonia da vítima perfeita ser ameaçada em seus roteiros pré-fabricados para casos assombrosos como esse. O que seria a vítima perfeita segundo o progressismo? Calma, antes de explicar é preciso incluir, infelizmente, mais um assassinato neste ensaio.

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Em menos de um mês, na quarta-feira 10, Charlie Kirk foi assassinado na universidade de Utah. O tiro certeiro o atingiu — também — no pescoço, gerando uma das cenas mais mórbidas e chocantes assistidas amplamente naquele país nos últimos anos. Kirk era um jovem marido cristão e, o mais perturbador de tudo, foi que sua esposa e seus dois filhos estavam no evento e presenciaram a sua morte. O atirador, muito provavelmente, trata-se de Tyler Robinson, um militante de esquerda que, pelas notícias preliminares, confessou o crime ao pai que o entregou às autoridades em seguida. Tyler tem apenas 22 anos, foi cooptado e teve sua mente arrastada pelo extremismo ideológico de esquerda. Ele se autodenomina “antifa”, isto é: um antifascista — slogan que se tornou a marca oficial dos atuais fascistas. Para provar seu valor revolucionário e democrata, o jovem Tyler matou um suposto “fascista conservador” que — vejam só que perigo — debatia em um espaço público chamando a todos para uma conversa franca sobre variados temas. O crime de Kirk? Discordar de Robinson.

Kirk, como fica claro, também não era uma vítima perfeita para o jornalismo progressista. Logo após o atentado, O Globo o denominou de “extremista” em uma matéria sobre o atentado, isso mesmo, o cara que foi baleado na garganta enquanto estava debatendo em praça pública era o extremista, enquanto que o atirador, suponho eu, seria a vítima!? Kirk sofria de um patógeno comum em nossos dias: ele não era tão humano para ser defendido por um jornalista engajado. Novamente, ele não era uma vítima perfeita.

Mortes como a de Iryna e Kirk — vistas dos bunkers dos inteligentinhos das universidades e grandes mídias progressistas — parecem comover realmente a poucos, pois as vítimas eram brancas e os assassinos, no primeiro caso, negro, e, no segundo, de esquerda — um antifa do bem. Simples assim. Percebam que, em casos como esses, não há aquele salutar impulso ideológico que nos permite subir nos caixões dos defuntos para pregar revoluções, atear fogo em comércios, criar movimentos antirracistas e pressionar o congresso com textões em jornais e pichações em muros.

As referidas mortes deveriam nos mostrar um fato esquecido e valioso em nossos dias: asquerosidades são asquerosidades, independentemente de quem as pratica; isso mesmo, independentemente da cor, da religião e ideologia de quem pratica. É preciso ter um pouco de inteligência moral para perceber isso, no entanto, moral e jornalismo andam cada vez mais distantes.

Se fosse Iryna a esfaquear Decarlos, seria tão horrendo quanto foi o ato de Decarlos esfaqueando Iryna; se fosse Kirk a balear Robinson, seria tão abjeto quanto foi o tiro de Robinson contra Kirk — pelo menos deveria ser assim aos que não dividem o mundo por cores, raças ou utilidades ideológicas. Porém, como montar um palanque jornalístico-ideológico em cima de uma mulher branca e um conservador branco? Ainda que seja ela uma mulher refugiada, e ele um pai de família e um debatedor amplamente respeitado até por seus adversários, vocês hão de convir que o palco dos ideólogos fica um tanto quanto bambo quando não se trata de uma vítima perfeita para a agenda. Tudo fica sem uma estrutura adequada para o program. Posso imaginar até que alguns lamentam, em segredo, que Decarlos não fosse um cristão branco, e Robinson um eleitor de Trump; que Iryna não fosse uma mulher negra, apoiadora de Kamala e Kirk um jovem democrata afetuoso ao estilo Obama.

Como poderiam ter sido mais politicamente frutífero os defuntos se as tragédias se oferecessem docilmente como tablado para a narrativa. Para a esquerda, o cadáver de Iryna e Kirk não servem nem de palco, nem de ponto de reflexão. Novamente, parece que eles eram brancos demais, e os assassinos, minorias e democratas demais.

Leia também: “Abutres e leões”, artigo publicado na Edição 287 da Revista Oeste

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7 comentários
  1. Rubens Mário Mazzini Rodrigues
    Rubens Mário Mazzini Rodrigues

    Não há dúvida que o que está sendo travada na Terra é uma guerra espiritual mal contra o bem, e o mal está levando vantagem.

  2. Márcio de Lima Coimbra
    Márcio de Lima Coimbra

    Começarei com o repisado “até quando?” mas a resposta é simples e todos sabem qual é: O fim da impunidade.
    No Brasil, onde os assassinatos somam-se dezenas de milhares anualmente, o exemplo deve vir de cima, com a extinção ampla, geral e irrestrita do famigerado foro por prerrogativa de função, que sugere fortemente ser mais fácil compor com 11 do que com quase 19 mil juízes da 1a. instância.

  3. Daniel BG
    Daniel BG

    A injustiça é o mal. Quanto mais a sociedade aumenta parece perder o contato com o senso de justiça. No Brasil já virou institucional. Jesus Cristo sofreu injustiça, mas deixou a maior mensagem de esperança para todos.

  4. Marcos Sleiman Molina
    Marcos Sleiman Molina

    Excelente no conteúdo e na erudição. Texto lindo e profundo. Merece muita reflexão. Enquanto há tempo.

  5. Sergio Dulcini
    Sergio Dulcini

    A esquerda usa a informação para as massas com a intenção se promover. A direita precisa usar a informação para as massas também. A diferença estará no conteúdo, por isso, é importante patrocinar pinturas, debates e relacionar temas para combater ideias ruins.

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