Um senhor de 78 anos, nascido no dia 5 do mês de Iyar no calendário judaico, vai notar hoje uma diferença ao comemorar, no fim da tarde desta terça-feira, 21 (do calendário gregoriano), o seu aniversário. A data, celebrada das 18 horas da terça-feira às 18 horas da quarta-feira, 22, coincide com o Yom Ha’atzmaut, o Dia da Independência de Israel. Por isso, a marca dos tempos atuais se projeta sobre ela.
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Jamais, em sua história, Israel atravessou um período tão prolongado de guerra aberta e tensão regional. Desde 7 de outubro, a guerra voltou a fazer parte do dia a dia do país. E as datas de celebração, em meio a essa busca por identidade e acolhimento, passam a impressão de ocorrer em um espaço de tempo muito menor.
Mal acabou o Pessach (celebração da saída do Egito) e já se fala do Dia da Independência. Antes, vem o dia em memória dos mortos em combate pela nação (Yom Hazikaron), lembrado na véspera. Para quem, na infância e na adolescência, via essas datas como momentos mais espaçados, em uma época em que a vida em Israel parecia mais carregada de esperança, a diferença é enorme. O Dia da Independência sendo comemorado tão próximo de Pessach? Como assim?
Tal situação é inerente a todas as religiões e culturas. Com o passar dos anos, o amadurecimento e a realidade encurtam aquilo que, nas mentes infantis de outrora, parecia se estender sem fim: os instantes mais lentos, a sensação de que o tempo passaria com tanta calma que, em seu curso, todos os sonhos poderiam se realizar. Mas não é bem assim. Hoje, mal acaba o Natal e já estamos na Páscoa. Mal acaba o Pessach e já estamos no Dia da Independência.
Em Jerusalém, nesta comemoração da independência, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel está “mais forte do que nunca”. Enalteceu a “luta contra as forças do mal” e conquistas militares em um pronunciamento em vídeo. “O eixo do mal iraniano, que busca nos destruir, está agora travando uma guerra contra a nossa própria existência”, declarou. “Na Guerra de Ressurgimento, na Operação Rising Lion [13 de junho de 2025] e na Operação Roaring Lion [28 de fevereiro de 2026], alcançamos grandes conquistas.”
O nome Guerra de Ressurgimento foi aprovado pelo gabinete israelense no ano passado e se refere à guerra de Israel contra o grupo terrorista Hamas em Gaza. Depois, como um efeito dominó, vieram confrontos diretos com o Irã, algo que uma criança imaginaria para daqui a séculos.
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O senhor de 78 anos assiste a toda essa ciranda de acontecimentos um tanto surpreso. Também ele se intriga com a rapidez com que a vida tem passado. Pessach passou, abreviando os milênios, os 40 anos no deserto. Até os tempos atuais. Lazman hazé, como se diz em hebraico.
Seu aniversário de 77 anos também parece ter sido ontem. “Como meus netinhos cresceram…”, pensa. Agora, num piscar de olhos, ele completa 78. O mundo está perigoso mesmo. Mas a vida continua e se mistura à luta diária de todos pela sobrevivência. Só resta a ele, então, assoprar a vela e, junto com a família, comemorar. Assim como Israel.






































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