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Israel emite alerta de evacuação no sul do Líbano, em nova ofensiva contra o Hezbollah

Anúncio vem logo depois de o grupo terrorista romper o cessar-fogo anunciado no começo do mês

Membros do Hezbollah em treinamento militar na vila de Aaramta, no distrito de Jezzine, sul do Líbano, no domingo, 21 de maio de 2023 | Foto: Wikimedia Commons

O Exército de Israel emitiu neste domingo, 14, ordens de evacuação para moradores de 29 vilarejos no sul do Líbano. O alerta sinaliza uma preparação de novos ataques contra alvos ligados ao grupo terrorista Hezbollah, apesar do cessar-fogo firmado recentemente entre os dois países com mediação dos Estados Unidos.

Os alertas foram divulgados pelo porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) para o público árabe, o coronel Avichay Adraee. Em três comunicados sucessivos, ele orientou a retirada de moradores de áreas localizadas ao sul do rio Litani e também de comunidades situadas ao norte do rio Zahrani.

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Inicialmente, o aviso contemplou 13 vilarejos; em seguida, outros 16 foram incluídos na lista. Horas antes, as IDF denunciaram uma quebra do cessar-fogo pelo Hezbollah, que disparou três projéteis na direção do norte de Israel.

Autoridades do Líbano criticam Hezbollah e interferência do Irã

A movimentação ocorre em meio à tentativa de implementação de um acordo de cessar-fogo anunciado no último dia 3 pelos governos de Israel, do Líbano e dos Estados Unidos. O entendimento foi negociado durante uma reunião trilateral e prevê medidas voltadas à redução das tensões na fronteira e à construção de um acordo mais amplo de paz e segurança.

Pelos termos do compromisso, a trégua está condicionada à interrupção total dos ataques do Hezbollah e à retirada de integrantes do grupo terrorista da região ao sul do rio Litani. O documento também estabelece a criação de zonas-piloto sob controle exclusivo das Forças Armadas libanesas, sem a presença de grupos armados não subordinados ao Estado.

Em comunicado conjunto, os três governos classificaram as medidas como um passo relevante para fortalecer a soberania libanesa e criar condições para um entendimento duradouro entre os dois países.

Terrorismo no Oriente Médio
Hezbollah é um partido político xiita e um grupo armado com forte influência no Líbano | Foto: Reprodução/Youtube/Jornal da Record

As partes também concordaram em manter negociações diretas para tratar de questões pendentes e ampliar a confiança mútua. As delegações discutiram ainda um novo marco de segurança baseado em conversas recentes realizadas no Pentágono, com foco na proteção da integridade territorial de Israel e do Líbano e no combate à atuação de grupos armados não estatais.

O comunicado sustenta que o futuro das relações bilaterais deve ser definido exclusivamente pelos dois Estados soberanos e rejeita tentativas de interferência externa nos assuntos políticos do Líbano.

Nesse contexto, autoridades libanesas elevaram o tom contra a influência de atores estrangeiros no conflito. Em entrevista à CNN, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, disse que o Hezbollah não atua em benefício do Líbano e classificou como “inaceitável” qualquer interferência do Irã nos assuntos internos do país.

Joseph Aoun, presidente do Líbano, durante visita aos Estados Unidos | Foto: Arlington National Cemetery/Commons
Joseph Aoun, presidente do Líbano, durante visita aos Estados Unidos | Foto: Arlington National Cemetery/Commons

“A continuidade da guerra não reflete a vontade dos libaneses”, declarou. Segundo ele, a população está desgastada pelos efeitos de conflitos alimentados por interesses externos e a solução passa por entendimentos diplomáticos.

Eleito pelo Parlamento em janeiro de 2025, Aoun também afirmou que o grupo terrorista precisa aderir a uma solução negociada que permita encerrar os confrontos e preservar a estabilidade nacional.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, fez críticas semelhantes. Em coletiva realizada no último dia 5, ele acusou Teerã de utilizar o sul do Líbano como instrumento de pressão nas negociações com os Estados Unidos. “Não tratem o sul do Líbano e seu povo como mera moeda de troca”, afirmou, ao pedir que o regime iraniano deixe de vincular a região a disputas diplomáticas mais amplas.

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