O partido Shas, de Israel, representante da ala ultraortodoxa no Parlamento, anunciou nesta quinta-feira, 23, que deixará todas as funções que ocupa na coalizão de governo. A legenda afirmou que abrirá mão das presidências de comissões parlamentares em protesto pela falta de uma lei que defina o alistamento dos estudantes de yeshivá (escola religiosa) no Exército, segundo o The Times of Israel.
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Com a decisão, os deputados Yossi Taib e Yoni Meshriki deixarão as comissões de Educação e Saúde, enquanto Michael Malkieli renunciará à presidência do Comitê Especial de Redução das Desigualdades Sociais na Periferia.
Mesmo ao deixar cargos estratégicos, o Shas não pretende abandonar a coalizão nem provocar a queda do governo. A medida, no entanto, aumenta a pressão sobre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, cobrado a aprovar um projeto de lei sobre o serviço militar que a oposição apelidou de “lei da evasão”, que permite que ortodoxos não entrem para o serviço militar.
Atualmente, estima-se que cerca de 80 mil homens ultraortodoxos entre 18 e 24 anos sejam elegíveis para o serviço militar, mas não tenham se alistado. As Forças de Defesa de Israel (FDI) declararam necessitar de cerca de 12 mil novos recrutas diante do desgaste das tropas ativas e da reserva provocado pela guerra contra o Hamas em Gaza e outras frentes de conflito.
A liderança haredi (ortodoxa) pressiona o governo há mais de um ano pela aprovação de uma lei que mantenha seus membros fora do Exército, depois de a Suprema Corte ter decidido que as isenções concedidas por décadas aos estudantes de tempo integral das yeshivot (escolas religiosas) eram ilegais.
Em meio à disputa, o Shas relatou que continuará a “liderar a luta contra a perseguição política e cruel dirigida aos estudantes das sagradas yeshivot, que estudam a Torá dia e noite pelo bem de todo Israel e pelo sucesso dos soldados”, acrescentando que, “quando a situação dos estudantes de yeshivá (escola religiosa, no singular) for resolvida, o Shas retornará aos seus postos no governo e no Knesset”.
Enquanto isso, o partido garantiu que atuará “em total coordenação com as demais facções haredi e em constante consulta com o Conselho dos Sábios da Torá quanto à sua posição nas votações do plenário do Knesset”, o que indica a manutenção do boicote às propostas apresentadas pela coalizão.
O Shas já havia deixado o governo em julho, depois do aumento nas medidas contra os que evitam o alistamento e pela demora na aprovação da lei que regularia o status dos estudantes religiosos. A saída ocorreu logo depois da deserção da legenda aliada Judaísmo Unido da Torá, que também abandonou a coalizão.
Na época, o Conselho dos Sábios da Torá havia determinado que o partido trabalhasse para aprovar o projeto “o mais rápido possível e não depois da abertura da sessão de inverno do Knesset (Parlamento), a fim de garantir a continuidade do governo e da parceria na coalizão”.
Desde que saiu, a legenda apenas manteve coordenação política e boicote seletivo a votações, aguardando a definição da lei de alistamento haredi. Agora, o distanciamento será maior, e a coalizão fica à beira do colapso.
Apesar de rumores recentes sobre uma possível volta do partido ao governo, o Knesset retomou seus trabalhos nesta semana sem que a proposta estivesse pronta para votação.
Alistamento de religiosos em Israel
Na terça-feira à noite, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa, Boaz Bismuth, afirmou ao Canal 14 que uma versão revisada do projeto do governo será apresentada aos parlamentares na próxima semana, com o objetivo de levá-la ao plenário para as duas últimas votações em dezembro.
A substituição do antecessor Yuli Edelstein por Bismuth na presidência da comissão ocorreu em julho de 2025, depois de a ala haredi pressionar o Likud, por divergências sobre o projeto de lei de alistamento de estudantes de yeshivá.
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No dia anterior, Bismuth havia adiado uma série de debates sobre o texto, porque a assessoria jurídica de sua comissão pediu mais tempo para redigir o projeto com base em um documento de princípios apresentado na semana anterior.
De acordo com a mídia local, esse documento prevê que, dentro de cinco anos, metade dos jovens haredi convocáveis será incorporada ao Exército, mantendo-se a idade de isenção em 26 anos.
O corte no financiamento das yeshivot ocorreria apenas se, depois de um ano, as metas de recrutamento não forem atingidas. As sanções individuais só seriam aplicadas depois de dois anos, caso o número total de alistamentos ficasse abaixo do previsto.
Ainda segundo as informações, quem for punido não perderá a carteira de motorista, embora possam ser impostas restrições para a emissão do documento a quem descumprir o alistamento.
Em uma movimentação interpretada como tentativa de pavimentar o retorno do Shas e fortalecer o projeto de Bismuth, o Likud decidiu na quarta-feira afastar Edelstein formalmente da comissão.
No mesmo dia, parlamentares rejeitaram um pacote de projetos apresentados pela oposição que previa penalidades financeiras a estudantes de yeshivá que se recusassem a servir no Exército.






































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