Nesta sexta-feira, 5, a Justiça do Peru decidiu levar a julgamento o candidato Roberto Sánchez, da coalizão de esquerda Juntos por el Perú, dois dias antes do segundo turno da eleição que definirá o próximo presidente do país. A decisão não impede a participação do político na votação marcada para este domingo, 7.
O juiz Adolfo Farfán rejeitou os argumentos apresentados pela defesa e determinou o prosseguimento da ação penal relacionada ao financiamento de atividades partidárias realizadas entre 2018 e 2020. De acordo com a acusação, Sánchez deixou de informar às autoridades eleitorais o recebimento de cerca de US$ 60 mil destinados a eventos políticos promovidos por seu grupo.
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Durante audiência realizada por videoconferência, Farfán emitiu o chamado auto de persecução penal, etapa que abre caminho para o julgamento oral. O Ministério Público pede a condenação do candidato a cinco anos e quatro meses de prisão. A defesa informou que recorrerá da decisão.
Se vencer a eleição e tomar posse, Sánchez passará a contar com a imunidade prevista pela Constituição peruana, o que pode influenciar o andamento do processo judicial.
Disputa acirrada
A decisão judicial ocorreu na reta final de uma das eleições mais disputadas dos últimos anos no Peru. Sánchez enfrenta no segundo turno a candidata conservadora Keiko Fujimori, líder do Fuerza Popular e filha do ex-presidente Alberto Fujimori.
Pesquisas divulgadas nos últimos dias mostraram um cenário de empate técnico entre os dois concorrentes. Levantamento do Instituto Ipsos, por exemplo, apontou Sánchez com 43,8% das intenções de voto, contra 43,2% de Fujimori, diferença dentro da margem de erro.
No primeiro turno, realizado em abril, Keiko obteve cerca de 17% dos votos, enquanto Sánchez avançou ao segundo turno com aproximadamente 12%, em uma disputa marcada pela fragmentação partidária e pela presença de dezenas de candidatos.
Acusação e defesa
A investigação gira em torno de supostas irregularidades na prestação de contas de recursos utilizados em atividades partidárias entre 2018 e 2020. Promotores afirmam que integrantes da legenda receberam recursos que não foram declarados ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), órgão responsável pela fiscalização eleitoral no país.
Sánchez nega irregularidades e sustenta que o processo tem motivação política. Em abril, o candidato afirmou nas redes sociais que adversários tentavam construir uma narrativa para prejudicar sua candidatura. A defesa argumenta também que a elaboração e a entrega dos relatórios financeiros eram atribuições da tesouraria do partido.
O político ganhou projeção nacional ao integrar o governo de Pedro Castillo, destituído em 2022 depois de tentar dissolver o Congresso. Desde o início da campanha, Sánchez tem defendido mudanças constitucionais e maior participação do Estado na economia, embora tenha moderado parte do discurso nas últimas semanas para atrair eleitores de centro.
País vive sequência de crises
A eleição ocorre em um contexto de instabilidade institucional. O Peru atravessa quase uma década de confrontos entre Executivo e Congresso, sucessivas trocas de governo e crises políticas recorrentes.
Desde 2018, o país teve uma sequência de presidentes que renunciaram, foram destituídos ou assumiram interinamente em meio a disputas parlamentares. A instabilidade contribuiu para a fragmentação do sistema político e para o aumento da desconfiança da população nas instituições.
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