Vinte dias de prisão renderam 213 páginas para o ex-presidente da França Nicolas Sarkozy. Ele escreveu mais de dez páginas por dia no livro Diário de um Prisioneiro, lançado na quarta-feira 10, um mês depois de deixar a prisão de La Santé, em Paris.
Condenado em setembro por conspiração criminosa para financiar sua campanha presidencial de 2007 com recursos da Líbia, Sarkozy cumpria pena de cinco anos, mas foi libertado antecipadamente em novembro, enquanto aguarda o julgamento do recurso.
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No livro, descreve a prisão como um “inferno” e compara a cela a um “hotel barato”, não fosse a porta blindada. A publicação intercala o cotidiano da detenção com os dias entre a condenação e a chegada a La Santé, em 21 de outubro.
Os relatos de Sarkozy sobre a prisão

Sarkozy relata convites e encontros que geraram controvérsia, como uma reunião no Palácio do Eliseu, em que Emmanuel Macron teria sugerido sua transferência para uma prisão com melhores acomodações — proposta que ele afirma ter recusado.
Também recebeu visitas do ministro da Justiça, Gérald Darmanin, além de mensagens e telefonemas de líderes estrangeiros e diplomatas. Entre eles, o embaixador dos EUA em Paris, Charles Kushner, que cumpriu pena por crimes financeiros antes de ser perdoado por Donald Trump.
Para Sarkozy, o livro busca “desintoxicar” sua imagem pública. Ele narra episódios de apoio popular, como aplausos em restaurantes, cartas de fãs — centenas por dia, segundo ele — e até a comparação do trajeto até a prisão às multidões que celebraram sua eleição presidencial.
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Ao mesmo tempo, dedica parte da obra a atacar a investigação jornalística que levou à condenação e chega a se comparar a Alfred Dreyfus, símbolo histórico de perseguição injusta na França.
Apesar do tom pessoal e espiritual — Sarkozy afirma ter retomado a fé durante a prisão —, o livro quase não demonstra empatia pelos demais detentos. O ex-presidente se coloca como figura à parte, isolado e tratado com deferência.
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