Muito se fala que o craque é aquele que desafia padrões. Messi sempre teve essa característica. Mirrado, surpreendeu em seus primeiros dias no Barcelona, depois de não ter sido aceito em clubes argentinos por causa de um problema de crescimento. Nos primeiros treinos, ele deixou impressionados os dirigentes, que o viam arrancar em velocidade contra meninos mais velhos.
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Soube, nesse começo de carreira, adaptar o talento de Ronaldinho Gaúcho, com quem jogou, ao seu estilo. Transformou a magia de Ronaldinho, dono de jogadas mirabolantes, em um encanto próprio. Aliou a arte à ciência, ao desenvolver um futebol preciso, milimétrico, como se nele estivessem os segredos da matemática e das fórmulas geométricas.
Assim, tornou-se o jogador com mais títulos na história. Com seu estilo, deu chapéus, dribles e passes que pareciam ser fáceis. Sem estardalhaço. Utilizou a precisão até o último grau, como um químico encontra a fórmula exata e a faz parecer simples.
Todos pensavam que o título mundial de 2022, com a Argentina, teria sido seu auge. Foi atuar no Inter Miami, em tese, dentro de uma liga de menor expressão. Colocava-se em dúvida esta sua última participação em mundiais. Contundiu-se um pouco antes da Copa do Mundo e, mesmo recuperado a tempo, quase com 39 anos, esperava-se dele uma performance menos intensa nesta despedida. O que seria normal. Tudo que ele já havia feito estava mais do que suficiente para colocá-lo no panteão dos maiores do futebol.
Qualidade de Messi
Mas não há limites para a sua qualidade. É assim com quem, como Van Gogh, Beethoven, Pelé, Mozart e tantos outros, tem a capacidade única de colocar tudo o que é em um ofício. A qualidade de Messi emergiu como um suspiro derradeiro e mais forte do que todos. Surgiu em seu grau máximo, ainda desconhecido para aqueles que já o definiam como gênio. E que aprenderam, mais uma vez, que genialidade não tem definição.
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Contra a Argélia, foram três lances decisivos, perfeitos: Messi uniu a intuição à precisão no chute alto do primeiro, no rebote tranquilíssimo do segundo e no toque magistral no canto, no terceiro. Diante da Áustria, o pênalti perdido parecia proposital. Não iria bater o recorde de gols em Copas com um de pênalti. Preferiu, sem ansiedade, esperar um pouco mais para, minutos depois, receber a bola e tirá-la do goleiro para fazer 1 a 0. No fim, ainda definiu o placar com uma obra-prima.
Lançou, correu para a área, chutou. Na rebatida, em deboche do destino, a bola voltou aos seus pés, comprovando que ele a atrai. Foi só tocar para completar o placar, convicto. Deixou o campo endeusado, acenando, abraçado por onde passava. Cinco gols em dois jogos. Quantidade que vale muitas vezes a artilharia de uma Copa inteira. Depois de uma carreira extraordinária, o incrível é que Messi vive agora, aos 39 anos, o seu auge. Imaginava-se que ele era craque. Mas nunca a esse ponto. Mais um padrão que Messi desafiou e superou.
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