A líder da oposição, María Corina Machado, prometeu, neste domingo, 12, voltar em breve à Venezuela e afirmou que o país está preparado para iniciar um processo eleitoral capaz de abrir caminho para uma transição democrática. A vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, que vive em lugar não divulgado, fora da Venezuela, fez a declaração por videoconferência, durante uma coletiva da coalizão Plataforma Unitaria Democrática (PUD).
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“Quero dizer a vocês que muito em breve estarei de volta com vocês na Venezuela”, afirmou a opositora. “Vamos percorrer todo o país, cada um dos 335 municípios. Esses grandes acordos e consensos dessa Venezuela que já está surgindo. Porque, enquanto essa tirania é desmontada, simultaneamente nasce esta nova era da Venezuela livre.”
Machado disse que a sociedade venezuelana reúne condições para avançar rumo a um sistema democrático. Segundo ela, poucas sociedades estariam tão preparadas para uma mudança política profunda quanto a venezuelana.
Ela reiterou que o tema eleitoral será colocado como prioridade pelo movimento opositor, nas conversas com os Estados Unidos. O governo de Donald Trump, até o momento, tem feito mais pressão para que seja definido um arcabouço legal que permita negócios nas áreas de petróleo e mineração. Machado quer o que a questão política ganhe peso.
“Queremos eleições para escolher tudo, legitimar, com nossa participação em eleições impecáveis que serão um exemplo para o planeta”, reiterou. “E o país as quer já. Somente um governo legítimo e democrático trará o Estado de Direito para a Venezuela. E apenas com Estado de Direito virão grandes investimentos para que o país decole economicamente e todos os venezuelanos possam ver uma nação próspera.”
Machado também afirmou que existe uma liderança política organizada dentro da oposição para conduzir esse processo, embora não tenha detalhado quais seriam os próximos passos. Em sua avaliação, as estruturas de poder associadas ao chavismo estariam sendo pressionadas a desmontar mecanismos ligados à repressão, à corrupção e ao crime.
Machado não indicou uma data específica para seu retorno. Ela deixou a Venezuela em dezembro para receber o Nobel da Paz em Oslo, na Noruega, depois de passar cerca de um ano na clandestinidade.
Maria Corina Machado e o projeto da oposição na Venezuela
Antes da fala, a PUD havia apresentado um plano voltado à realização de eleições consideradas livres. Três etapas fazem parte da proposta: estabilização institucional, recuperação econômica com reconciliação política e, por fim, a convocação de um novo pleito.
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Entre as medidas estão a criação de um conselho eleitoral provisório e independente, a restituição de direitos políticos e o fim das inabilitações que impedem candidaturas, além da devolução de símbolos e registros partidários às legendas.
No plano, está também previsto o desmonte de estruturas repressivas, a libertação de presos políticos e garantias de ausência de represálias. Em uma etapa posterior, a oposição pretende reconstruir a confiança nas instituições e na economia para facilitar a governabilidade. O objetivo, segundo a coalizão, é realizar eleições livres e competitivas, reconhecidas internacionalmente, o que exigiria negociações entre os diferentes atores políticos.
Já o opositor Edmundo González declarou, nesta coletiva, que a Venezuela ainda não vive uma transição política plena. Para ele, exilado na Espanha, as estruturas de controle permanecem ativas e buscam se manter no poder, motivo pelo qual defende mecanismos que garantam prestação de contas e preservação da memória sobre o período de repressão
González foi o candidato que disputou contra o então ditador Nicolás Maduro, nas eleições de 2024. A oposição divulgou cópias das atas das urnas e afirmou que González teve cerca de 67% dos votos, contra cerca de 30% de Maduro. O órgão eleitoral, no entanto, declarou Maduro vencedor. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo chavismo, anunciou oficialmente Maduro com cerca de 52% e González com cerca de 43%.
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