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Medalhista de boxe feminino na Olimpíada confirma que tem cromossomos XY

Em entrevista, Imane Khelif também afirmou que tem níveis elevados de testosterona

Medalhista de ouro na Olimpíada de Paris, Imane Khelif da, Argélia, beija sua medalha - mulheres no esporte | Foto: Peter Cziborra/Reuters
Medalhista de ouro Imane Khelif da, Argélia, beija sua medalha | Foto: Peter Cziborra/Reuters

A atleta argelina Imane Khelif, que ganhou ouro na Olimpíada na categoria de boxe feminino, confirmou que possui cromossomos XY. Isso indica sexo biológico masculino. A admissão foi feita em entrevista ao jornal francês L’Equipe. Khelif também afirmou ter níveis elevados de testosterona e disse que faz supressão hormonal sob acompanhamento médico.

A declaração ocorre depois da controvérsia iniciada nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, quando participou, mesmo depois de ter sido reprovada em testes sexuais realizados pela International Boxing Association (IBA).

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A IBA informou que Khelif falhou em múltiplos testes cromossômicos e foi desclassificada do Mundial Feminino de Boxe antes da Olimpíada. Segundo a entidade, os resultados não puderam ser divulgados oficialmente por veto do Comitê Olímpico da Argélia.

Em agosto de 2024, a IBA realizou uma entrevista coletiva para reafirmar que os exames indicavam cariótipo masculino. Durante o evento, jornalistas da BBC deixaram o local em apoio a Khelif.

Participação na Olimpíada

Imane Khelif, boxeadora argelina, venceu a italiana Angela Carini em apenas 46 segundos, na Olimpíada de Paris (3/8/2024) | Foto: Divulgação/X

Apesar das conclusões da IBA, o International Olympic Committee (COI) autorizou Khelif a competir em Paris. Desde então, relatórios médicos vazados revelaram que a atleta possui deficiência de 5-alfa redutase, um distúrbio do desenvolvimento sexual encontrado apenas em indivíduos do sexo masculino.

Um dos documentos, elaborado em 2023 por hospitais de Paris e Argel, revela que a condição pode levar à designação feminina ao nascer, com masculinização progressiva na puberdade.

Confirmação genética

Na entrevista à L’Equipe, Khelif confirmou ter o gene SRY, localizado no cromossomo Y, responsável por iniciar o desenvolvimento sexual masculino. Ela afirmou não ser transgênero e disse ter sido criada socialmente como menina.

Especialistas observam que pessoas com distúrbios do desenvolvimento sexual não são consideradas transgênero e que, em países com menos acesso a diagnóstico médico, essas condições podem permanecer desconhecidas até a vida adulta.

Em 2025, novos exames vazados voltaram a indicar cariótipo masculino. Mesmo assim, parte da imprensa internacional tratou o caso como campanha “transfóbica” baseada apenas na aparência da atleta.

Depois da repercussão do caso, a federação World Boxing passou a exigir testes sexuais obrigatórios. A entidade é atualmente parceira do COI no boxe olímpico. Khelif recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte contra a nova regra e afirmou que só aceitaria testagem conduzida pelo COI.

A política da World Boxing restringe a categoria feminina a atletas do sexo biológico feminino. Em novembro de 2025, o COI sinalizou que pode adotar regra semelhante a partir de 2026.

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