publicidade
Mundo

México: como foi a operação que matou o líder do narcotráfico

Especialista conta a Oeste que governo esquerdista do país aceitou exigências dos EUA para combater a criminalidade

El Mencho narcotrático México militares
O governo mexicano confirmou a prisão de Audias Flores Silva, conhecido como El Jardinero | Foto: Reprodução/ Secretaria da Defesa Nacional, México

A criminalidade no México sofreu um duro golpe com a morte do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, líder do Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG).

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Receba nossas atualizações

O professor Jorge Rosendo Negroe Alvaez, doutor em antropologia social pela Universidad Iberoamericana Ciudad de México, descreveu a operação que o cercou, no domingo 22, como um resultado da pressão dos EUA sobre o governo mexicano. Ele contou como a presença dos EUA foi determinante. Inclusive em relação à logística.

“Existe um grupo recém-criado vinculado ao Departamento de Guerra dos EUA chamado ‘Força-Tarefa Conjunta Interagencial Contra os Cartéis’, equipe especializada em coletar informações de inteligência sobre cartéis de drogas” afirmou Alvaez a Oeste. “Eles realizam mapeamento de rotas e posições estratégicas de organizações criminosas e compartilham essas informações com autoridades mexicanas.”

A captura e a morte do líder do narcotráfico mexicano foram resultado de um trabalho de monitoramento. Muitas vezes, um líder é descoberto de onde menos espera.

“Existiram duas frentes para localizar El Mencho”, observa o antropólogo. “Uma seguiu sua companheira e pessoas próximas. Outra rastreou a movimentação de suprimentos médicos: ele tinha insuficiência renal crônica e construiu um hospital clandestino em Jalisco. O deslocamento de equipamentos médicos e pessoal permitiu identificar sua posição.”

A partir desses rastreamentos, as forças norte-americanas voltaram a ser fundamentais, conforme ele conta.

“Houve também monitoramento aéreo de forças norte-americanas”, observa Alvaez. “A operação incluiu entrada coordenada no território do CJNG, com inteligência detalhada sobre rotas, comunicação e posições estratégicas.”

Até o momento, de acordo com ele, nem mesmo as autoridades mexicanas têm a certeza de que a morte de El Mencho será suficiente para enfraquecer o CJNG de forma definitiva.

“Somente com o tempo poderemos ter certeza se houve ou não um abalo estrutural”, destaca o especialista. “Se o controle era realmente centralizado, poderemos ver disputas de poder; se já funcionava de forma descentralizada, a reorganização será gradual.”

Governo do México e a busca do líder do narcotráfico

Além da pressão dos EUA, a postura do atual governo esquerdista da presidente Claudia Sheinbaum foi mais efetivo do que a do anterior, de Andrés Manuel Lopez Obrador. Ambos são integrantes do Movimento Regeneração Nacional (Morena). Obrador, no entanto, era muito mais reticente ao combate às facções narcoterroristas.

Leia mais: “Forças especiais do México matam El Mencho, o narcotraficante mais poderoso do país”

“Sheinbaum não tem uma política que poderia ser chamada de cordial, do ponto de vista diplomático, com os EUA”, ressalta Alvaez. “Mas houve a cooperação, e ela se baseou em uma exigência, dos EUA, de que o México cumpra a agenda Trump, mesmo que isso torne o país vulnerável [em outras áreas].” Ele acrescenta: “O tema narcotráfico não depende de posturas políticas.”

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. Antonio Saggese Netto
    Antonio Saggese Netto

    Se houvesse interesse desse desgoverno do Brasil, nós também poderíamos ter essa ajuda para melhorar a segurança nacional. Mas…………pense o que você quiser.

  2. Ana Cláudia Chaves da Silva
    Ana Cláudia Chaves da Silva

    Quando um governo quer combater o narcotráfico, ele consegue. Isso prova que na maioria dos casos há conivência política.

  3. Robinson dos Santos Pereira
    Robinson dos Santos Pereira

    A presidente mexicana gritou para o mundo ouvir que ela não ia aceitar a ingerência dos EUA. Quando foi obrigada a aceitar, não deu um pio.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade