publicidade
Mundo

Milei vai privatizar parte de operadora de usinas nucleares

O governo argentino pretende vender 44% das ações da empresa e destinar outros 5% aos trabalhadores do setor

Javier Milei fez mudanças significativas na Argentina, com o objetivo de tirar o peso do Estado de cima da população | Foto: Reprodução/Twitter/X/@Pascal_Beuvelet
Atualmente, a empresa opera as centrais nucleares Atucha I, Atucha II e Embalse, que juntas somam 1.763 MW de potência instalada, equivalente a 4,1% da capacidade bruta nacional | Foto: Reprodução/Twitter/X/@Pascal_Beuvelet

O presidente argentino, Javier Milei, pretende colocar parte da Nucleoeléctrica Argentina em processo de privatização, mantendo o controle de 51% das ações. Segundo integrantes do Executivo, a ideia é arrecadar recursos para financiar a Central Nuclear Atucha I.

De acordo com o porta-voz presidencial Manuel Adorni, “a ideia é promover o investimento privado para construir o primeiro reator modular da Argentina e impulsionar a mineração de urânio”.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Ao fazer a anúncio nesta terça-feira 17, Adorni destacou que todas as empresas estatais estão sujeitas a potencial privatização. A publicação oficial do decreto deve ocorrer nos próximos dias.

A administração Milei pretende vender 44% das ações da empresa, enquanto destinará os 5% restantes aos trabalhadores por meio de um Programa de Propriedade Participativa (PPP).

A publicação oficial do decreto deve ocorrer nos próximos dias | Foto: Divulgação/Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben)

Milei enfrenta críticas

Entidades que representam os trabalhadores do setor nuclear criticaram a iniciativa. Segundo elas, a privatização do setor pode comprometer a soberania nacional.

Para as entidades, a privatização representa “a entrega do patrimônio estratégico da nação por um apuro fiscal”.

Regras para a privatização parcial

Com base na Lei de Bases 27.742, a privatização parcial só é permitida desde que o Estado mantenha a maioria do capital social.

O texto legal determina ainda que decisões estratégicas — como expansão da capacidade, construção de novas usinas ou desativação de plantas por razões não técnicas — dependem de aprovação estatal.

No momento, a Nucleoeléctrica pertence em 79% ao Ministério da Economia, 20% à Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA) e 1% à Energía Argentina (Enarsa).

Antes da venda, o decreto exige que CNEA e Enarsa transfiram suas participações para a Secretaria de Energia, vinculada ao Ministério da Economia.

Depois dessa etapa, o governo definirá regras operacionais e complementares para o processo, com participação da Unidade Executora Especial Temporária Agência de Transformação de Empresas Públicas, dirigida por Diego Chaher.

Leia mais:

O anúncio ocorre em um cenário de resultados positivos para a Nucleoeléctrica, que registrou lucro de 17.234 milhões de pesos no primeiro trimestre deste ano, figurando entre as poucas estatais superavitárias.

Atualmente, a empresa opera as centrais nucleares Atucha I, Atucha II e Embalse, que juntas somam 1.763 MW de potência instalada, equivalente a 4,1% da capacidade bruta nacional.

Em 2023, essas usinas responderam por 7,35% da energia fornecida ao Sistema Argentino de Interconexão Elétrica (Sadi), índice atribuído à alta constância operacional dos reatores nucleares.

Leia também: “Uma bomba chamada Correios”, reportagem de Uiliam Grizafis e Lucas Cheiddi, publicada na Edição 287 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.