Os Estados Unidos cobram uma postura mais dura do governo brasileiro no combate às duas maiores facções criminosas do país. A porta-voz em português do Departamento de Estado norte-americano, Amanda Roberson, afirmou em entrevista à Gazeta do Povo que o Brasil precisa aumentar o rigor contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A declaração ocorre logo que Washington formalizou a inclusão das quadrilhas na lista de organizações terroristas.
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A nova classificação jurídica entra em vigor nesta sexta-feira, 5. A medida integra o plano do presidente Donald Trump para proteger a segurança interna norte-americana e sufocar o avanço de cartéis no Hemisfério Ocidental. Os investigadores de Washington já identificaram a atuação das facções brasileiras em 12 territórios dos Estados Unidos, o que equivale a um a cada quatro estados do país.
Facções vendiam armas e fentanil em solo norte-americano
A porta-voz citou como exemplo de crime transnacional a prisão recente de 18 imigrantes brasileiros em situação irregular em Massachusetts. O grupo operava uma rede clandestina de comércio de fentanil e armas de fogo sob as ordens do PCC. Os criminosos estenderam as operações também para locais como Nova York, Nova Jersey e Flórida. O governo norte-americano atua agora com 17 grupos criminosos da região enquadrados na categoria de terroristas.
A inclusão na lista dá aval para o bloqueio de todos os bens e ativos financeiros das quadrilhas em contas bancárias norte-americanas. As regras cancelam os vistos de entrada, facilitam a deportação de suspeitos e proíbem transações comerciais. A lei dos Estados Unidos passa a tratar como crime qualquer tipo de ajuda financeira, tecnológica ou suporte de logística para membros desses grupos.
Washington mantém cooperação técnica com Brasília
O governo norte-americano mantém cooperação com o Brasil na área de segurança pública, apesar das reclamações do Palácio do Planalto sobre soberania. Roberson destacou que os Estados Unidos operam hoje com nove agências de inteligência instaladas no território brasileiro em parceria direta com as forças locais. O secretário de Estado, Marco Rubio, já havia apontado o Brasil como uma das exceções na lista de aliados das Américas.
O Palácio do Planalto reagiu ao anúncio de Washington com notas sobre a defesa da soberania nacional inegociável. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva repudiou qualquer tipo de interferência externa e criticou as agendas da família Bolsonaro nos Estados Unidos. A porta-voz rebateu as queixas e declarou que a meta do governo Trump é colocar a segurança nacional dos norte-americanoem primeiro lugar.
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