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Ministro da Defesa da Coreia do Sul renuncia e pode ser condenado à morte

A mídia sul-coreana já havia indicado Kim como a principal figura por trás da proposta de Lei Marcial

Kim Yong-hyun foi alvo de uma investigação por traição, solicitada pela oposição | Foto: Reprodução/Twitter/X/@trtworld

O ministro da Defesa da Coreia do Sul, Kim Yong-hyun, anunciou sua renúncia nesta quarta-feira, 4. Isso ocorreu um dia depois da tentativa frustrada do governo sul-coreano de implementar a Lei Marcial.

A medida tinha o objetivo de combater supostas ameaças ao país. Kim, uma figura central na questão militar, foi alvo de um pedido de investigação feito pela oposição. Eles o acusaram de traição, crime que, na Coreia do Sul, pode resultar em prisão perpétua ou até pena de morte.

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A pressão política e popular levou à apresentação do pedido de renúncia ao presidente Yoon Suk-yeol. A pressão decorreu do autoritarismo da medida, que, sob a Lei Marcial, teria dado ao governo a autoridade para fechar o Congresso, controlar a mídia e proibir reuniões. Kim assumiu total responsabilidade pela implementação da medida e pediu desculpa ao povo sul-coreano pelas repercussões que ela causou.

Ministro da Defesa assumiu responsabilidade pela confusão em relação à lei

“Em primeiro lugar, lamento profundamente e assumo total responsabilidade pela confusão e pela preocupação causadas ao povo e relação à Lei Marcial”, disse Kim. “Assumi total responsabilidade por todos os assuntos relacionados à Lei Marcial e apresentei minha renúncia ao presidente.”

Presidente da Coreia do Sul anunciou Lei Marcial em pronunciamento na televisão | Foto: Reprodução/The Presidential Office
Presidente da Coreia do Sul anunciou Lei Marcial em pronunciamento na televisão | Foto: Reprodução/The Presidential Office

A mídia sul-coreana já havia indicado Kim como a principal figura por trás da proposta de Lei Marcial. Alega-se foi ele quem sugeriu a ideia ao presidente, influenciando significativamente a decisão. No entanto, oficialmente, o ministro permanece no cargo até que sua renúncia seja formalmente aceita. Caso ele permaneça, ainda poderá enfrentar sanções mais severas.

A crise política que se desenrolou ganhou outro capítulo. Membros da oposição apresentaram uma moção de impeachment não só contra o presidente, mas também contra Kim. A proposta contou com o apoio de parlamentares do Partido Democrático, que é oposição, e de membros do Partido do Poder Popular, que faz parte da coalizão governista, mas que se dividiu com os eventos da terça-feira 3.

Em um movimento ainda mais tenso para Kim, representantes do Partido Democrático pediram a abertura de uma investigação sobre o caso de traição.

Leia também: “Oposição apresenta pedido de impeachment do presidente da Coreia do Sul

Coreia do Sul
Bandeira da Coreia do Sul está pendurada em um mastro do lado de fora do portão da Assembleia Nacional, depois que o presidente da Coreia do Sul , Yoon Suk Yeol, declarou lei marcial, em Seul, Coreia do Sul | Foto: Kim Hong-Ji/Reuters

Coreia do Sul decretou a Lei Marcial nesta terça-feira, 3

Na origem de toda a crise, o presidente Yoon, na terça-feira 3, decretou a Lei Marcial. Ele alegou ameaças de “forças comunistas pró-Coreia do Norte” e a necessidade de preservar a ordem constitucional do país.

Entre as medidas que a Lei Marcial permitiria estavam o fechamento do Congresso, a proibição de manifestações públicas, o controle da imprensa e a restrição de reuniões políticas. Contudo, Yoon não detalhou quais seriam as ameaças específicas de Pyongyang que justificariam a imposição da lei.

Em um discurso transmitido por rede nacional, Yoon acusou a oposição de paralisar o governo por motivos políticos. Na semana anterior, parlamentares opositores, que têm maioria no Congresso, haviam aprovado um Orçamento reduzido. Além disso, eles tentaram abrir investigações contra o presidente, o que o deixou mais isolado politicamente.

Depois do anúncio da Lei Marcial, o líder da oposição, Lee Jae-myung, convocou protestos em frente à Assembleia Nacional. Organizações civis e sindicais também seguiram o mesmo movimento.

Mesmo com o isolamento imposto pelas forças de segurança ao prédio, 190 parlamentares conseguiram ingressar no plenário. Eles votaram por unanimidade pela ilegalidade do decreto. Depois dessa votação, o presidente recuou e revogou a medida de Lei Marcial, tentando apagar os danos causados.

Leia também: “Entenda o que é a Lei Marcial decretada na Coreia do Sul

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