Michael Smuss nasceu em 1926, na antiga Cidade Livre de Danzig, hoje Gdańsk, na Polônia. Ele era o último sobrevivente do Levante do Gueto de Varsóvia. Morreu nesta semana, em Israel, deixando um legado de luta contra o antissemitismo.
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Quando completou 12 anos, seu pai decidiu transferir a família, de origem judaica, para a cidade polonesa de Łodz. Lá, o menino frequentou o ginásio Isaac Katzenelson e participou ativamente de um movimento juvenil.
Michael se mudou, por imposição, para Varsóvia em 1940. Sua mãe e sua irmã ficaram, por possuírem passaporte de Danzig. A cidade de Danzig foi criada pelo Tratado de Versalhes (1920) com cidadania própria.
Os residentes de Danzig tinham um estatuto distinto do de cidadãos poloneses ou alemães, e havia regras administrativas sobre nacionalidade e passaportes que podiam gerar efeitos práticos sobre residência e mobilidade.
Isso indica que a mudança foi forçada. Em situações como a de anexação e ocupação, diferenças de estatuto documental podiam, na prática, influenciar para permanecer em Danzig ou ser deslocado.
Durante a ocupação nazista, em 1940, ele foi obrigado, assim como dezenas de milhares de outros judeus, a se transferir para o Gueto de Varsóvia, um perímetro cercado por muros onde inicialmente se amontoaram cerca de 380 mil pessoas. Com o tempo, o número de confinados chegou a meio milhão. Todos viviam em condições de extrema precariedade e privação.
No Gueto de Varsóvia, Michael Smuss testemunhou de perto a brutalidade nazista contra os judeus. “No gueto, vi os horrores causados pelos nazistas aos judeus”, costumava dizer. Ele e um grupo de jovens se uniram à resistência clandestina, cujo propósito era enfrentar as atrocidades do regime.
“Alguns amigos e eu nos juntamos à resistência subterrânea. O objetivo era impedir os terríveis atos dos nazistas. Contrabandeava armas e produzia coquetéis molotov, uma forma de preparar uma revolta contra os nazistas.”
Mais tarde, Michael lembraria que sobreviveu por uma combinação de acaso e fé: “Além disso, a situação, ou, como eu chamo, a graça de Deus, jogou a meu favor: eu era um dos últimos que restavam no Gueto de Varsóvia, onde dezenas de milhares já haviam morrido”, contou o sobrevivente.
“Os nazistas queriam divulgar uma imagem positiva do que chamavam de ‘gueto modelo’, então convidaram jornalistas. Foi por isso que não nos mataram.”
Levante do Gueto de Varsóvia
Depois da insurreição e o esvaziamento do gueto, que resistiu bravamente, antes da retomada nazista, Michael foi deportado para diversos campos de extermínio, entre eles Budzyn, Majdanek, Plaszow, Wieliczka e Flossenbürg, na Baviera. Sobreviveu a todos.
Em abril de 1945, foi forçado a participar da chamada “marcha da morte”, que durou sete dias e sete noites, de Flossenbürg até Stamsried. Também sobreviveu a essa travessia.
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Terminada a guerra, Michael recomeçou a vida nos Estados Unidos (EUA). Anos depois foi para Israel, casou-se com sua mulher, Ruthy, com quem teve seus filhos.
A partir de 1980, além de dedicar-se a campanhas de esclarecimento sobre os perigos do nazismo, conheceu o ofício de artista. Foi uma nova maneira de se dedicar à preservação da memória do Holocausto, participando de exposições internacionais e de palestras.
Michael iniciou a jornada artística como autodidata perto dos 60 anos. Ele utilizou a pintura como meio de processar e expressar os traumas vivenciados durante o Holocausto. As obras de Michael retratam cenas intensas e emocionais, entre as quais imagens do Gueto de Varsóvia, da resistência judaica e dos campos de concentração.






































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