publicidade
Mundo

Morre último sobrevivente do Levante do Gueto de Varsóvia

Michael Smuss morava em Israel e, até os 99 anos, lutou para conscientizar sobre os perigos do nazismo

Michael Smuss sobrevivente Levante Varsóvia
Michael Smuss se tornou artista perto dos 60 anos | Foto: Reprodução/StandWithUs

Michael Smuss nasceu em 1926, na antiga Cidade Livre de Danzig, hoje Gdańsk, na Polônia. Ele era o último sobrevivente do Levante do Gueto de Varsóvia. Morreu nesta semana, em Israel, deixando um legado de luta contra o antissemitismo.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Receba nossas atualizações

Quando completou 12 anos, seu pai decidiu transferir a família, de origem judaica, para a cidade polonesa de Łodz. Lá, o menino frequentou o ginásio Isaac Katzenelson e participou ativamente de um movimento juvenil.

Michael se mudou, por imposição, para Varsóvia em 1940. Sua mãe e sua irmã ficaram, por possuírem passaporte de Danzig.  A cidade de Danzig foi criada pelo Tratado de Versalhes (1920) com cidadania própria.

Os residentes de Danzig tinham um estatuto distinto do de cidadãos poloneses ou alemães, e havia regras administrativas sobre nacionalidade e passaportes que podiam gerar efeitos práticos sobre residência e mobilidade. 

Isso indica que a mudança foi forçada. Em situações como a de anexação e ocupação, diferenças de estatuto documental podiam, na prática, influenciar para permanecer em Danzig ou ser deslocado. 

Durante a ocupação nazista, em 1940, ele foi obrigado, assim como dezenas de milhares de outros judeus, a se transferir para o Gueto de Varsóvia, um perímetro cercado por muros onde inicialmente se amontoaram cerca de 380 mil pessoas. Com o tempo, o número de confinados chegou a meio milhão. Todos viviam em condições de extrema precariedade e privação.

No Gueto de Varsóvia, Michael Smuss testemunhou de perto a brutalidade nazista contra os judeus. “No gueto, vi os horrores causados pelos nazistas aos judeus”, costumava dizer. Ele e um grupo de jovens se uniram à resistência clandestina, cujo propósito era enfrentar as atrocidades do regime.

“Alguns amigos e eu nos juntamos à resistência subterrânea. O objetivo era impedir os terríveis atos dos nazistas. Contrabandeava armas e produzia coquetéis molotov, uma forma de preparar uma revolta contra os nazistas.”

Mais tarde, Michael lembraria que sobreviveu por uma combinação de acaso e fé: “Além disso, a situação, ou, como eu chamo, a graça de Deus, jogou a meu favor: eu era um dos últimos que restavam no Gueto de Varsóvia, onde dezenas de milhares já haviam morrido”, contou o sobrevivente.

“Os nazistas queriam divulgar uma imagem positiva do que chamavam de ‘gueto modelo’, então convidaram jornalistas. Foi por isso que não nos mataram.”

Levante do Gueto de Varsóvia

Depois da insurreição e o esvaziamento do gueto, que resistiu bravamente, antes da retomada nazista, Michael foi deportado para diversos campos de extermínio, entre eles Budzyn, Majdanek, Plaszow, Wieliczka e Flossenbürg, na Baviera. Sobreviveu a todos.

Em abril de 1945, foi forçado a participar da chamada “marcha da morte”, que durou sete dias e sete noites, de Flossenbürg até Stamsried. Também sobreviveu a essa travessia.

Leia também: “Espírito antidesportivo”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 293 da Revista Oeste

Terminada a guerra, Michael recomeçou a vida nos Estados Unidos (EUA). Anos depois foi para Israel, casou-se com sua mulher, Ruthy, com quem teve seus filhos.

A partir de 1980, além de dedicar-se a campanhas de esclarecimento sobre os perigos do nazismo, conheceu o ofício de artista. Foi uma nova maneira de se dedicar à preservação da memória do Holocausto, participando de exposições internacionais e de palestras.

Michael iniciou a jornada artística como autodidata perto dos 60 anos. Ele utilizou a pintura como meio de processar e expressar os traumas vivenciados durante o Holocausto. As obras de Michael retratam cenas intensas e emocionais, entre as quais imagens do Gueto de Varsóvia, da resistência judaica e dos campos de concentração.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.